CAPÍTULO 61

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Ara Blanche


— Então, vejo que está tudo bem com a senhorita.— O Dr. Ernesto concluiu examinado-me — Já poderá ver os seus filhos, e consequentemente amamentá-los.

 — Estou ansiosa para os ter em meus braços.— Confessei.

—  Quero parabenizar, pois os seus filhos são lindos.— A enfermeira que o acompanhava elogiou.

— Muito obrigada. — Olhei para Amelie que assentiu sorrindo.

— Helena, por favor, ajude a nossa paciente a mudar de roupa.— O dr Ernesto fechou o prontuário.  — Faz a gentileza de a levar até a ala da pediatria.

A enfermeira, que até então não sabia seu nome, era Helena.  Assentiu ao Dr. Ernesto e ajudou-me a descer da cama, e caminhamos em direção ao banheiro, deixando Amelie e o Dr. Ernesto sozinhos  no quarto.

O Alessandro foi para sua casa descansar e tomar um banho faz algumas horas, mas disse que voltava em breve . Amélie quase espantou ele com os seus olhares de reprovação.

—Sente alguma dor ? —Helena questionou assim que entrei debaixo do chuveiro.

— O que você acha! — Fiz uma careta, e ela sorriu.

A água fria sobre o meu corpo, fez com que meus sentidos despertassem. Passei as mão no curativo em minha barriga e chorei. Por incrível que pareça não foi um choro de tristeza, mas sim de felicidade. 

Aquele corte simboliza a marca eterna que vai me fazer lembrar que eu gerei vida dentro de mim.  Mesmo que não tenha sido uma gravidez planeada, eu não me vejo a ter uma vida sem os meus filhos.

Helena pareceu perceber o meu silêncio, e não pronunciou nada. Depois do banho, ela me ajudou a limpar o meu corpo com uma toalha e vestiu-me. Voltamos ao quarto e não encontramos o Dr, e nem Amelie.

Ainda estava com um pouco de dificuldade para andar,  então Helena ligou na recepção e solicitou uma cadeira de rodas. Enquanto aguardava, eu só imaginava como eram os meus filhos.

— Desculpe senhorita , posso fazer uma pergunta?— falou indecisa

— Helene, podes chamar pelo meu nome.— Olhei para ela.—  Nada de senhorita, a gente quase é da mesma idade!—Prende os meus cabelos.— Sim, fique à vontade.

— Está bem, assim o farei. —Assentiu com a cabeça.—O homem que estava aqui mas cedo é o pai de seus filhos ?

Olhei para ela, e os seus estavam brilhando. Era nítido o seu interesse por Alessandro. Não a julgo, eu também me apaixonei pela primeira vez que o vi.

Realmente eu seria a mulher mais feliz desse mundo, se o Alessandro fosse o pai dos meus filhos. Só de lembrar que o pai dos meus filhos é aquele monstro, meu corpo fica tenso.

 — Não, ele não é o pai dos meus filhos. — Encarei ela  sutilmente.

 Ela queria perguntar mais alguma coisa, quando a porta foi aberta e um outro enfermeiro entra, empurrando a cadeira de rodas no interior do quarto.

Já estava sentada na cadeira de rodas, quando adentramos ao elevador. A ansiedade tomou conta de mim, o tempo parecia lento demais. O meu coração palpitava. 

As portas do elevador abriram, e entramos pelo corredor do local, que estava parcialmente vazio. Há desenhos infantis pintados na parede. Era possível ouvir alguns bebês chorando.

Chegamos à porta de uma sala,  que havia um vidro extensão na janela. Era visível ver vários bebês deitados em incubadoras separadamente.  Mas uma situação em especial chamou a minha atenção.

— Aqueles são os seus filhos Ara. — Helena falou sorrindo apontando pelo vidro.

 Uma lágrima solitária escorreu pela maçã do meu rosto. A situação especial que eu vi estava onde Helena indicava. Eram  dois bebês colocados em uma única incubadora, eles são pequeninos e estão com os seus olhos abertos. 

— Eu quero segurar eles nos meu braços Helena. — Limpo as lágrimas com as minhas mãos.

— Está bem, eu vou pegar um de cada vez. — disse olhando para mim. — Você  não está em condições, por enquanto, de pegar os dois ao mesmo tempo. — Não deixou eu argumentar, e já foi entrando na sala.

Eu vi ela pegar primeiro o bebê, que estava vestido de roupinhas amarelas. Que resmungou ao ser retirado da incubadora. Ela saiu da sala e caminhava até mim cautelosamente. Abre os meus braços, recebendo o meu filho, que começou a chorar muito, seu rosto estava a ficar vermelho, e eu fiquei assustada.

— Ele deve estar com fome. — Ela tentou pegar ele, mas eu não permiti.— Calma, só vou pegar ele para você se ajeitar, pois deve amamentá-lo.

Mesmo relutante , eu o entreguei para me ajeitar. O segurei novamente em meus braços, e coloquei o meu peito com cuidado em sua boca, fazendo cessar seu choro.

Ele sugava o meu peito com dificuldade, enquanto eu olhava o seu rostinho pequeno. A felicidade que estou sentindo agora é enorme. A sensação de amamentar é maior ainda.

— A mamãe vai proteger vocês meu amor. — Depositei um beijo em sua cabeça.

Acabou dormindo em meu colo. Quando Helena pegou ele novamente do meu colo, meu coração apertou só de saber que estava me afastando dele. Ela pegou a minha filha que estava vestida com uma roupinha na cor roxa do outro lado, que não esboçou reação nenhuma, ao contrário de seu irmão.

Entregou ela para mim, que mantém seus olhinhos abertos. A jeito ela em meu colo com cuidado. Coloquei o meu peito em sua boca, que sugava olhando para mim.

— Ela é mais sossegada, do que o seu irmãozinho.— Helena  constatou o óbvio. — Ela não deu trabalho nenhum até agora. —Sorriu olhando para minha filha.

— Posso ficar mais um pouquinho com eles ? — Falei ainda segurando minha filha , mas Helena olhou para mim com dúvida.

— Não sei! Mas você deve estar aqui fora, e não devemos fazer mais do que duas horas. — Verificou a hora, em seu pulso esquerdo.

Assenti, não importa quanto tempo for, eu só quero estar com os meus filhos. Sei que ainda não estou segura e muito menos eles. Metade do clã e Salvatore devem estar atrás de mim neste momento , preciso falar com Amelie para  dizer me, o que faremos daqui para frente.


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