Memórias Amelie Mancini ON
— Acredito que não fomos convidados para uma data tão especial! — O homem de moreno trajado num fato cinza escuro, falou com escárnio.
Com seu porte físico corpulento, suas íris estavam dilatadas, e rosto era quadrado, com características marcantes, não aparentava ter mais do de trinta anos de idade.
— Senhor Matteo, não esperava por sua visita. — Papai levantou nervoso, encarando o homem, mais do que ele.
— Confesso que queria ter o prazer de tratar o assunto em família. — O senhor Matteo, como o pai o chamou, direcionou o seu olhar para mim e Aurora e depois para a mamãe.
— Por favor Matteo, hoje é o aniversário de minhas filhas, se quiser resolver algum assunto, acho melhor em particular. — fez menção de caminhar em direção ao seu escritório, mas foi impedido.
Um outro homem puxou a arma, fazendo o papai recuar. Aurora ficou assustada e veio perto de mim. Nós já havíamos visto armas antes, sabíamos que a nossa família fazia parte de uma organização criminosa.
Diferente de mim, Aurora não gosta de nada relacionado a isso, ela sonhava em fugir quando eu me casasse com Antonio Alleanza, pois a sua família era muito próxima a nossa, por ser do clã.
— Não... Não , Mancini — Sr.Matteo , retirou a sua arma dourada e pousou sobre a mesa. — Vou fazer algumas perguntas, suas respostas vão determinar a vida de algumas pessoas nessa sala.
Os olhos de mamãe estavam em lágrimas, eu tentava confortar Aurora que não para de chorar também. Não sei ao certo o que papai fez, para que esses homens invadissem a nossa casa totalmente armados.
— Por favor Matteo... a minha família não tem nada haver com os nossos problemas. — nunca vê o papai tão aflito em suas palavras.
— Família...? Você realmente quer falar sobre família? — O homem pareceu irritado e levantou em suspensão. — Eu sou a merda da sua família Mancini, e você deve a mim e ao clã, lealdade e submissão caralho!!
— Acalme se Matteo... eu posso explicar... não é o que está pensando. — aproximou-se cautelosamente até o homem.
— Cale a merda de sua boca, Mancini... suas súplicas estão inervando-me.— fuzilou o papai com seu olhar frio. — A quanto tempo você está desviando drogas do clã, para os a máfia albanesa ?
Mamãe olhou para papai incrédula, com as mãos na boca em descrença. O Sr. Matteo estava furioso olhando para o papai, como se quisesse arrancar sua cabeça com as próprias mãos.
— Como você pode ter feito algo assim? — mamãe falou incrédula. — Você nos colocou em perigo, olha para suas filhas!! porque Tommaso ?
— Papai o que está acontecendo?— Aurora questionou em sussurros. — Quem é este homem? — O homem sorriu, olhando para ela.
Eu não conhecia aquele homem, nunca o vi antes. Porque está acusando o papai de traição? Porque invadiu a nossa casa.? Matteo...Quem é o senhor Matteo!
— Mais que lindo. — O senhor Matteo diz. — Suas filhas não sabem quem eu sou. — Bateu palmas. — Bravo Tommaso, você é impressionante.
— Senhor Matteo, o meu esposo não é um traidor. — Mamãe defendeu. — Fala para ele Tommaso. — Olhou para papai, que esquivou-se olhando para o homem mau.
— Eu nunca trairia o clã. — Papai deu um passo à frente. — Eu... me arrependo, poupe a minha família por favor. — Papai ajoelhou-se e o Sr. Matteo sorriu perverso.
— No.. No... Resposta errada Mancini. — Atirou impiedoso na cabeça da mamãe.
— Mamãe não...
Aurora e eu gritamos , vendo seu corpo caído e sangue escorrendo em sua testa, enquanto seus olhos estavam abertos e sem vida.
Tentamos ir até ela, mas fomos impedidas pelos homens que prendiam nossos braços.
— Me soltaaaa...seu desgraçado... vocês mataram ela. — Aurora gritava desesperada tentando soltar-se. — Tire suas mãos sujas de mim.
O senhor Matteo foi até ela a estapeando diversas vezes cruelmente, até que no canto de sua boca, escorria sangue. Pressionou sua mandíbula com força encarando-a com ódio, enquanto papai olhava tudo paralisado.
— Por favor pare... você está a machucando... —Imploro. —Pare por favor, ela está sangrando muito. — me desesperei, chorando.
Me senti impotente por não ajudar a minha irmã, pois ainda estava a processar a morte da minha mamãe, estendida diante de meus olhos.
Acho que a ficha não havia caído ainda para mim. Nunca vejo Aurora desse jeito, ela sempre foi o oposto de mim, eu é quem era a tempestade e ela a calmaria.
— Largue a minha filha seu desgraçado. — Papai tentou ir contra ele. — Eu vou acabar com você Matteo Mazzarela.
— Você acha que está em condições de me ameaçar Mancini ? — sorriu com humor. — O seu lugar de fala , foi perdido quando você traiu o clã. —Gritou furioso. — Você sabia das regras e as quebrou, agora vai arcar com as consequências.
Fez um sinal no homem que segurava o papai, começaram espancá-lo impiedosamente na nossa frente, ele agonizava de dor enquanto vários socos e chutes eram dados contra si.
O sangue já escorria por sua boca e nariz.
Não aguentava ver aquilo, e fechei os olhos com lágrimas. Enquanto ouvia seus gritos de súplicas para que parassem.
— Sua fraqueza me enoja, você não merece ser um de nós.— Cuspiu no corpo fragilizado de papai.
— Por favor, não faça nada contra minhas filhas... elas não podem pagar pelos meus erros.
— Suas filhas agora pertencem ao clã, e só há dois caminhos para elas. A morte ou a submissão. — Tragam elas!! — Ordenou aos seus homens.
— Sua hora vai chegar seu desgraçado. — Decretou. — não ficará impune, tudo que está fazendo.— Papai gritava conturbado.
Foi a última vez que ouvimos a sua voz.
Fomos arrastadas para fora de casa, quando o Sr. Matteo ordenou que queimassem o meu pai vivo em casa, juntamente com o corpo de minha mãe. Já estamos no carro , mas ele não saiu, até ver a casa em chamas. Aurora chorava desesperadamente, em meus braços.
Naquele dia, eu sabia que a nossa vida seria marcada para sempre. Mesmo estando prometida ao Antônio, ele não conseguiria salvarmos desse homem perverso.
Mas eu vou fazer o que estiver ao meu alcance para proteger Aurora, não posso permitir que a tirem de mim, como os meus pais.
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CONTRAVENTOR
RomanceAra Couts Blanche, perdeu os seus pais muito nova. Os seus pais foram assassinados. O culpado não foi encontrado. Foi abrigada a viver com os seus tios. Depois de alguns anos, os seus tios decidem mudar da sua cidade natal, para viver em Nápoles. ...
