ARA BLANCHE
Se alguém chegasse até mim e fala-se que aos meus vinte três anos de idade, eu seria sequestrada e estaria grávida do meu sequestrador, eu estaria rindo, e achando impossível tal acontecimento.
Nunca tive grandes inspirações na vida, não era uma menina sonhadora, com muitas ambições como "Graziela".
Nossa tenho tantas saudades dela, de Liam , dos meus tios e de minha madrinha. Apesar de ter conversado com minha tia alguns meses antes da viagem na Grécia , eu posso afirmar que havia decepção na voz de minha tia, eles acham que sou uma inconsequente.
Constatado pelo relógio na parede lateral da cama, os ponteiros indicam que ainda é de madrugada, às três da manhã sinto um desconforto recorrente, que deixa-me com insônia.
Falta um mês para que os meus bebês possam nascer, estou ansiosa para ver seus rostinhos.
Não consegui saber o sexo dos bebes, a consulta com o doutor Ernesto foi uma unica vez, não podia voltar fazer, pois levantaria suspeitas tantas saídas. Mas, Amelie tem comprado toda a prescrição recomendada.
Por incrível que pareça, passado cinco seis meses esse homem não regressou à Nápoles. Estou orando todos os dias para que ele nunca volte, pela minha segurança e a de meus filhos também.
Levanto com dificuldade, os meus pés estão inchados. Os meus dias são intercalados entre cama e comer. Amelie proibiu-me de fazer esforços, nem as tarefas de casa ela permite que eu faça.
Deixando claro que devo circular pouco pela casa, por causa das câmeras de segurança.
O tempo estava frio e vesti um casaco confortável, fui em direção ao banheiro e com a bexiga cheia, sentei no vaso sanitário sentindo um alívio, terminei e lavei as mãos e o rosto.
Olho o meu reflexo no espelho e não me agrada nada o que vejo. Mas tudo bem, acho que toda mulher grávida passa por essa insegurança. Cara inchada, olheiras profundas e ar de cansaço o tempo todo.
— Aí ... merda...aí..— bati o pé na porta do banheiro, está doendo merda. — Estão observando como a mamãe, não tem um dia de paz nesta casa!— Passo minha mão na barriga fazendo um carinho, conversando com os meus bebês.
Estava cantando, enquanto caminhava em direção a cozinha para pegar alguma coisa para comer que envolva doces.
O silêncio desta casa chega a ser assustador. Os meus bebês são a companhia mais fiel que tenho no momento.
A ideia de ser mãe a cada dia tem se tornado muito real. Mas, o medo que tenho ainda continua presente em mim.
Após fazer um pequeno lanche, arrumo tudo com cuidado para não acordar Amelie. Faço o caminho novamente para o meu quarto, quando escuto soluços contidos. Paro imediatamente, se calhar deve ser uma miragem de meus pensamentos.
Mas estava enganada, escuto novamente os soluços, e percebo que vêm do meu lado oposto, caminho vacilante no corredor que dá acesso ao quarto de Amélie.
Chego em frente a porta, e penso em bater, mas me contive. Sutilmente abro a porta, e vejo Amelie chorando com uma foto em mãos. Ela está com uma camisola de noite, e nem percebe a minha presença.
— Amelie, o que aconteceu ? Por que está chorando? — Apoiei o meu braço na parede, não aguentei o peso do meu corpo.
— Não devia estar acordada a essa hora, por favor sente aqui. — As lágrimas eram evidentes e seu rosto estava pálido, apontou para sua cama para que ficasse ao seu lado. — Preciso dar-lhe uma notícia .
O seu choro intensificou, abraçou a fotografia que estava em suas mãos, de forma angustiante. Amelie, nunca transpareceu tanta vulnerabilidade como agora.
— Por favor Amélie se acalme, você está tremendo. — toquei seus ombros. — Vou pegar um copo com água, não sai daqui.
Equilibrei o meu corpo e levantei apressadamente, fui à cozinha, peguei um copo com água e açúcar, voltei ao quarto entregando a ela. O seu rosto ainda está pálido, tomou o líquido com dificuldade, pousando o copo na cabeceira.
Mesmo não sabendo o que aconteceu, abracei ela. A barriga evitava maior contato entre nós, suas lágrimas molhavam minha blusa pelo ombro.
— Diz para mim o que aconteceu, você não está nada bem.
— Ele morreu Ara ...Ele se foi.— desvencilhou do abraço. — Mataram o Lúpus, eles o assassinaram.
— Co-como assim... ele está morto? — Sussuro hesitante. — Amelie, o que está dizendo? Quem o assassinou? — Fiquei inerte com suas palavras.
— O Lúpus, sofreu um atentado a uma semana em França, o disparo foi certeiro. — limpou as lágrimas. — Quando o levaram ao hospital, havia perdido muito sangue, fizeram uma cirurgia de intervenção, mas a hemorragia alastrou-se. — falava com aflição. — Estava em observação durante três dias, mas seu corpo não resistiu, e teve uma parada cardíaca.
Não sabia como reagir à notícia, não me entristeceu e também não me alegrou, mas acendeu uma esperança dentro de mim. Mesmo sabendo que ele é o pai dos meus bebês.
— Salvatore ligou-me, há duas horas para dar a notícia.— tocou em minhas mãos. — Eles mataram o meu menino, ele levaram o meu Lupus, para longe de mim.
— Amelie, eu sinto muito, não sabia que gostava dele tanto assim. — retribui o seu toque. — Mas aquele homem, pagou com a própria vida, todo mal que causou as pessoas.
Não pode me conter, aquele homem era impiedoso, sem compaixão. Não desejo a morte a ninguém. Os anos de convivência devem ter criado em Amelie afeto, por um ser tão desprezível como Lúpus Mazzarella.
— Entendo a sua mágoa por Lúpus, mas ele é o pai de seus filhos.
— Amelie me desculpe, mas não consigo ter compaixão por um homem como ele. — pronuncie sincera. — Nunca o deixaria chegar novamente perto de mim, ou dos meus filhos, nem que para isso eu mesma o matasse, com as minhas próprias mãos.
Ela olha para mim perplexa. Minha palavras são sinceras. Realmente estava disposta a lutar contra aquele homem de todas as formas possíveis.
Agora essa notícia deixa tudo confuso. Ele morreu , Lúpus Mazzarella morreu, e eu tenho a minha liberdade de volta.
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CONTRAVENTOR
RomantikAra Couts Blanche, perdeu os seus pais muito nova. Os seus pais foram assassinados. O culpado não foi encontrado. Foi abrigada a viver com os seus tios. Depois de alguns anos, os seus tios decidem mudar da sua cidade natal, para viver em Nápoles. ...
