1° capítulo

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"Afogue o passado do mesmo jeito que afoga suas lágrimas quando tens o coração partido." - Sarah Miller.

Sarah.

A algumas horas suspeitei de que fui seguida até em casa. E pior, a pessoa não soube nem disfarçar. Isso é burrice, deixar estampado na cara que está seguindo alguém.

O carro atrás de mim, um preto bem elegante ao qual eu nem prestei atenção a qual marca pertencia, me seguiu o trajeto inteiro até em casa, desde a minha parada em um semáforo.

Talvez estivesse me seguindo desde a minha empresa, mas isso eu nunca saberei. Só fui prestar atenção de fato quando qualquer carro me ultrapassava, menos aquele.

Mesmo eu dobrando em ruas que jamais precisaria entrar para chegar ao meu destino, e lá estava ele.

Demorei em torno de 50 minutos para chegar em minha casa e o carro chegou junto de mim.

Bom, se você é filha de um assassino feito John Miller, pode se ter certeza de que um carro te seguirá. Ou até coisa pior.

Mas eu tinha minhas dúvidas.

Daqui a algumas semanas será meu aniversário, farei 23 anos e não estou nem um pouco a fim de comemorar.

Não por ser uma data ruim, eu gosto dos meus aniversários, mas por que minha cota de festas chegou próximo de estar enjoativa de se lidar.

Por esse fato, achei que fosse Matt ou Clare me seguindo, pois disseram a semana inteira sobre meu aniversário e pareciam estar planejando mil e uma coisas. Ai vai saber até onde estão dispostos a me surpreender.

Até me seguir e dar um susto eles poderiam planejar.

Mas no fim das contas, eu não dei bola, afinal, mesmo implorando para essa data passar em branco, eles fariam algo do mesmo jeito.

Ainda mais se partisse de Clare, que nunca deixou meu aniversário ser esquecido.

Peguei minha bolsa e desci do carro após deixá-lo estacionado dentro do quintal em frente a garagem.

O carro preto também estacionou, do outro lado da rua, e fechei o portão antes de algo acontecer.

Assim que adentrei a porta da frente, eu a tranquei e olhei pelo olho mágico um pouco maior que os meus 1,69 e definitivamente tive a certeza de não ser meus amigos.

O carro ficou estacionado ali, atrás de uma lixeira e os faróis desligaram de repente.

A partir dali, com um pouco de medo, acionei os alarmes de casa e deixei as luzes baixas, subindo direto ao meu quarto onde tranquei a porta de cima a baixo com as fechaduras que uso diariamente.

Até a janela tem tranca mas meu quarto fica no segundo andar, é praticamente impossível de se entrar por ela.

Pra se ter uma ideia, esse nem é o maior quarto de minha casa, e por mais que eu não tenha medo de morrer, por que alguém pode me matar a qualquer momento, ainda prezo por noites bem dormidas, e quartos grandes passam um medo enorme para mim.

Se tivesse uma sacada aqui como no quarto principal, eu não dormiria.

Não liguei a luz e quando fui até a janela eu tropecei em algo.

- auuuu.. - reclamo brava. - maldita indecisão de saltos. - digo me recuperando.

Há uns 4 ou 5 pares de saltos jogados pelo chão do quarto.

A cama fica em baixo da janela, de lado e encostada na parede, odeio do fato de saber que ficaria um vão ali. Ainda mais dormindo sozinha.

Nos pés da cama uma cômoda grande e na parede minha tv.

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