18° capítulo

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“Seu erro foi ter me deixado viva John, pois assim posso te deixar apodrecendo dentro da cadeia. E não vou medir esforço pra isso acontecer. — Sarah Miller”.

Sarah.

Estava realmente muito ocupada, muito mesmo.

— Lia, eu sinto muito mas eu não posso atender agora. — digo após ela me explicar algo que não prestei atenção, parada em minha porta com parte de seu para dentro.

Ela havia me ligado duas vezes já.

— é que senhorita, um advogado... Que você conhece bem, aliás, está aqui para uma conferência. — nego, ainda digitando um dos inúmeros e-mails que preciso enviar.

— mande ele voltar outro dia, Lia. — minhas unhas atrapalhavam na hora de digitar e eu tinha que pagar e corrigir o tempo todo.

— senhorita... É o Paul. — a olhei, tirando os óculos do rosto e enxergando um pouco ruim.

— oque ele quer aqui? — digo desanimada mas não por ele, por ter que parar tudo.

— ele veio já faz um tempo, disse que o assunto com você era de extrema importância. Não vai embora até poder conversar com a senhorita. — eu respirei fundo, muito fundo mesmo. — posso terminar os e-mails pra você. — me levanto, organizando todas aquelas pastas e papéis.

— não quero que faça tudo por mim. Já tem trabalho de mais. — ela adentrou a sala e eu coloquei os óculos novamente, sentindo desconforto nos olhos.

— não tenho problema com isso. Eu amo o meu trabalho. — pegou as pastas de minhas mãos e eu suspirei.

— tudo bem, parei aqui. — mostrei. — todos esses já estão concluídos. — apontei. — e esses ainda não. — eram os últimos.

Lia concordou e dei permissão para que deixassem Paul entrar, em plena quinta-feira, às 19:04 da noite.

Sim, ja era pra eu estar em casa. Nem Clare estava mais no trabalho. Hoje foi a vez dela de ir pra casa cedo.

Em alguns segundos Paul adentrou minha sala e eu sorri sem graça.

Paul é um advogado de outro departamento em outra empresa. É como um sócio por lá e as vezes é mandado para conferências comigo. Várias vezes já estivemos no mesmo julgamento.

Ele é gordo, alto, de pele branco com barba e cavanhaque.

Se não fosse por essas características, Paul jamais repetiria a mesma coisa toda vez que tem a oportunidade, que é sobre seu peso.

Ele usa isso como uma piada. Talvez fique nervoso demais em minha presença, não sei. Sinto que eu o intimido de alguma forma.

— Olá, Sarah. — fechou a porta atrás dele e eu sorri esticando a mão para que ele se acomodasse na cadeira a minha frente.

— tudo bem? — nos cumprimentamos com as mãos.

— tudo sim. — se sentou e fiz isso também. — ah, essas cadeiras minúsculas, não foram feitas para mim não. — riu de forma exagerada, como se tivesse ouvido uma grande piada.

— pois é né. — ri sem jeito e ele foi parando aos poucos.

De seu bolso tirou um lenço branco onde enxugou a testa molhada com suor.

— então, oque lhe trouxe até aqui? — espero não ser um caso difícil, minha agenda está cheia.

— bom, vamos direto ao ponto, certo? — concordei me sentindo a vontade com a sua seriedade do nada.

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