114° capítulo

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Loren.

Eu era, definitivamente, uma esponja.

Sim, eu era uma esponja. Eu absorvo tudo que escuto, tudo que sinto, e só posso liberar tudo se eu for espremida. Esmagada.

E pra ser espremida, eu precisava ter coragem de abrir a minha boca.

Mesmo que só pra perguntar.

Todos os dias eu escutava algo, todos os dias eu acordava de madrugada e fazia posição fetal pra poder chorar baixinho.

Eu já sei quem eu sou, eu já lembro de pelo menos 70% de tudo que eu vivi com a minha família.

E a cada sonho, parecia uma memória desbloqueada que só estava no fundo da minha cabeça. Oque de fato estava.

Colocando cuidadosamente aquelas sementes na terra, eu ouvi Ben e Sarah conversarem.

Mas fingi nem estar ali.

Todos os dias eles usam códigos, todos os dias eles falam coisas que não podemos ouvir. Não é como ciúmes de meu irmão, mas sei lá, me sinto como se fosse milhares de anos mais nova que eles, já que grande parte de suas conversas eu não posso participar.

E entendia! Eles falam coisas que acham que não sei.

Talvez não saiba... Eu tô muito confusa quanto certas coisas.

O jantar de hoje foi cheio de conversas como sempre.

Eu desenhava, pra não precisar falar. Desde ontem, depois da segunda acordada de madrugada, eu não consegui mais parar de chorar. Estava realmente muito sensível.

Toda vez que podia, eu chorava em silêncio longe de todos eles. Mas na frente dos mesmos, eu precisava me manter normal.

Fiz a imagem que sonhei na noite anterior. Dylan me deu aquele ursinho, igualzinho ao que ele deu a sua namorada Alice.

Eu chorei muito, realmente como uma criança sentida. Ele me pegou no colo e nossos pais fizeram som de pena e felicidade ao me ver naquele estado.

Mamãe ficava dizendo o quanto eu amo o Dylan, e que aquela reação significava, pra mim, que ele estava lembrando o quanto eu sou importante pra ele.

Eu fiquei tão feliz no sonho, que quando acordei tudo ficou preto e silencioso.

Como um buraco negro.

Eles nunca voltarão... Nenhum deles.

Coloco com força a minha almofada grande de morango na cara, dando um grito abafado nela e a apertando com força.

Meu corpo inteiro ficou quente e esvaziei todo o meu pulmão, me sentindo tonta.

Assim que papai chegou e eu vi aquela cena, senti vontade de chorar e vomitar, então deixei a mesa antes que eu fosse questionada e fizesse isso na frente deles.

Sento-me no chão e abraço meus joelhos.

A verdade é que... Eu amo o meu pai. Eu não sei quantas vezes vou precisar pensar sobre isso, me fazer a seguinte pergunta toda vez que lembrar daquela casa em chamas...

"Eu amo o John Miller?"

Eu o amo. Ele me criou. Não sei por que tudo aquilo aconteceu ou por que ele fez, mas tem que ter um motivo, por que não há perdão.

Mas de todo modo eu o amo e sei como foi duro estar todos esses anos longe dele.

Eu não quero que isso aconteça de novo.

Mais...

por que ele matou a minha família?

Assim que termino a frase, a porta é aberta, mas como estava trancada, o barulho foi grande.

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