126° capítulo

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Boa leitura 💜 🧚🏻‍♀️

John Miller

Agosto de 1971.

— Joey, vá até a barraquinha da dona Marie e traga dois pães. — minha mãe coloca as moedas em minhas mãos abertas.

Eu já tinha 9 anos, e pra um garoto da minha idade, essa era uma tarefa e tanto.

— tá bom. — respondo normal.

— e traga corretamente dessa vez, ou você gostou da última surra? — na ponta da mesa velha de madeira, bebendo seu café em uma caneca branca desbotada de ferro, meu pai disse em um tom rude.

Acho que entendia o lado dele em ser daquele jeito.

Tão rude e idiota.

— tudo bem, pai. — respondo pontual.

— anda logo... Seu marica. — dou as costas finalmente, saindo da cozinha e indo em direção a sala.

Eu não era filho único, eu tinha uma irmã mais nova.

Ela tinha 6 anos, a princesinha da casa.

— onde você vai? — me pergunta, mas continuo calçando os meus sapatos velhos com um furo bem no dedão.

Meu pai diz que ainda não estou merecendo um novo.

Também nem acho que ele terá condições de me dar. Ele bebe mais do que traz comida pra casa.

— não te interessa. — respondo frio.

Eu odeio ela.

Criança mimada e metida.

— que bom, sempre que você sai, o papai me dá os doces do armário. — confessa, logo cobrindo a boca em seguida. Como se não pudesse ter dito oque disse.

— ele disse que aquele armário era de suas bebidas. — ela fica balançando a cabeça brincando com aquela boneca nova, com uma cara de deboche. — eu te odeio, pirralha. — digo baixinho, mentalizando ela sangrando.

Eu odiava Josephine. Odiava por sempre ter o amor de nossa a mãe a nós dois, mas meu pai sempre me odiou, ele nunca quis um filho homem. Mas quando ela nasceu, quando eu tinha idade suficiente pra perceber, já era tarde demais.

Eu já a odiava.

Ela tinha os melhores brinquedos, o quarto dela é o maior da casa, eu durmo no sótão!

Se eu preciso de algo, como sapatos novos, eu preciso esperar, se ela quer um vestido novo, nossos pais fazem de tudo para comprar.

Somos classe média, eles tem dinheiro. Mas aparentemente tem coisas mais importantes para gastar.

E eu não me incluo.

Saio de casa batendo a porta, praguejando baixo e desejando que ela morra atropelada por um caminhão.

Pego minha bicicleta com o pneu mucho e saio o mais rápido possível de casa, irritado e bravo.

O caminho todo desejei a morte deles, e não era pra menos. Eles me odeiam.

Acho que nunca ganhei um abraço deles, exceto em meu aniversário que ainda é dado pela minha mãe. Mas festas de aniversário e presentes? "Você é garoto, não precisa dessas coisas".

• Paixão Obsessiva Histórias para pegar e não largar. Descubra agora