119° capítulo

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John.

Sempre falei que quanto mais novo, mais fácil de manipular.

Ou só talvez tivessem medo de mim.

— coma. — me sento no banco de madeira baixo, observando a cena.

Ele clamava por socorro.

— por favor, moço. — dou um sorriso.

— não é para mim que deve pedir perdão. Você não traiu o seu time? — ele estava de quatro no chão, seu estômago estava para fora, ainda ligado ao seu corpo e ao mesmo tempo dentro da tigela.

— era uma senhora... Eu não tive coragem de matá-la. — faço pouco caso.

— pois bem, estou vendo que terei que enfiar a força na sua boca. — me levanto, o ouvindo chorar.

Mas naquele momento o meu celular toca no bolso da calça.

Era um celular antigo, um telefone, mas eu sabia que poucos tinham o meu número.

Ao ver quem era, já atendi bravo.

— Benjamin, eu já falei que não quero você ligando para esse número! — berro, mas não demorou nem alguns segundos e eu ouvi aquele chorinho. — Sarah?

Sky está tendo uma crise asmática... Eu não sei oque fazer, o Ben não está em casa, pai. — fico em silêncio, pensando em suas palavras, na dor de sua voz.

— Sky não tem asma. — queria pegá-la na mentira, mas ela largou o telefone.

Sky... Por favor respira, tenta respirar. — seu desespero se torna o meu e fico bravo.

— Sarah! — ela demora a voltar ao telefone.

por favor, me deixe ajudá-la, eu preciso levá-la pro hospital.

de um remédio e a coloque pra dormir. — eu conheço Sky.

por favor, pai... Eu não quero perder minha irmã. — a dor em sua voz não parecia encenação. Tão pouco um escape para ir a cidade.

— estou ocupado, Sarah...

ela vai morrer se não fizermos nada! — berra comigo e curvo um sorriso.

— pois bem, levarei vocês para a cidade, já estou indo. — após ela me pedir para ser rápido, eu desliguei o celular encarando o homem a minha frente.

Não as levaria. É perda de tempo e correrão risco.

— ainda não está comendo? — pergunto o ouvindo chorar.

— está doendo.

— por isso mesmo, coma logo. — volto a me sentar e espero paciente por ele, que não se mexe além de tremer e chorar. — estou perdendo meu tempo com você. — retruco quando ele ameaça se deitar no chão.

Ali me levantei, observei e não me parecia uma cena de sofrimento. Faltava algo, eu queria mais.

Queria que fosse uma mulher, mas todas as 18 vítimas que já me entregaram, somente 3 eram mulheres.

Eu fiquei anos preso, sem contato com uma. Sarah foi a primeira, e ela é muito boa.

Uma pena estar grávida.

Mas as mulheres que torturei aqui a poucos dias até, não eram tão apertadas quanto minha filhinha.

— sabe quem você me lembra? Com essa pele amarelada e esse cabelo preto? — seu grunhido não era de alguém prestes a morrer, ele aguentava mais um pouco. — James Coleman.

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