32° capítulo

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Jay.

Já estava acordado muito antes de Sarah e não vi necessidade de ir comprar a pílula do dia seguinte, já que ela não engravidaria de mim já estando grávida.

Olhei muito pra ela enquanto dormia de bruços com os braços debaixo do travesseiro e uma das pernas erguidas até o lado de sua barriga.

Estava com as bochechas vermelhas por algum motivo desconhecido, mas linda pra caralho.

Havia ido pra casa pra tomar banho, sabendo que ela não acordaria de jeito nenhum. E não acordou mesmo.

Quando chamei ela, já eram 8h.

Sarah demorou a raciocinar oque estava acontecendo e oque iria fazer primeiro. Não interferi na sua rotina e ela foi pro banheiro onde ficou por longas 1h e meia.

Não sei se ela iria querer comer então não fiz nada pra ela.

Quando tornou ao quarto já usava um vestido preto colado e que ia até um pouco acima de seus joelhos. Estava cheirosa e maquiada, mas com um olhar distante.

Isso aconteceu a mais ou menos duas horas atrás...

Agora eu estava na sala de espera lendo uma revista qualquer enquanto esperava Sarah voltar da sala de procedimento.

Infelizmente para abortar, oque já é difícil na vida de muitas mulheres que carregam um traço como o de Sarah, elas ainda não podem ter acompanhantes na sala, somente fora dela para levá-las para casa. É regra da clínica.

Oque me deixou muito bravo pois não saberia se iriam tratá-la bem. Com sorte, estava carregando comigo minha arma e não teria receio de usar se Sarah saísse daquela sala com um avermelhado se quer em seu corpo.

— tem certeza que quer fazer isso, querida? — além de esperar, tinha que ficar ouvindo a conversa entre uma mãe preocupada e uma filha de uns 20 anos na cara que claramente faz oque quer sem se prevenir.

— já falei que sim, eu não vou seguir com essa gestação. — não estava olhando, mesmo que estivessem a minha frente, acima da revista bem debaixo de meus olhos.

— tudo bem... Não sei por que não se cuidar.

— mãe, aconteceu, já era. Você sabe como é a minha vida, eu não quero ser mãe agora e pronto. — eu olhei.

Loira, magra, saia e uma micro blusa.

Sei bem o tipo de vida medíocre que ela leva. É óbvio que um pirralho atrapalharia suas noitadas.

— Abby, tudo bem? — graças a Deus alguém vai tirar ela dessa sala.

Ambas saíram andando, porém a mãe da jovem voltou segundos depois.

Ela sentou, respirou fundo... Logo se pôs a chorar.

Eu suspirei.

— já pensou em colocá-la em um colégio interno. — comentei, mas eu falava sério. A senhora riu.

— ela é diferente dos irmãos, eu não consigo prende-la em casa. — a olhei fechando a revista. Não era uma péssima mãe, não era culpa dela.

— não é culpa sua, hoje em dia as crianças são mais influenciadas pelo mundo do que pelos pais. — eu enxergava a dor em sua aura.

— o senhor tem filhos? — nego com sutileza.

— não.

— ainda né? — sorriu gentil e fiz o mesmo para não mostrar meu desinteresse por crianças.

Quer dizer, as adoro, mas não aceitaria ter um pivete como eu.

— quem sabe no futuro. — distante, mas no futuro.

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