Capítulo 58

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Anastasia

— Boa noite. — eu respondo depois de algum tempo.

Eu tento manter a minha voz o mais firme possível.
Apesar da surpresa eu preciso me manter firme.

— Eu não sabia que você estava morando aqui. — ele diz.

Eu também não sabia que ele morava aqui.

Que situação desagradável.

Desconfortável.

— O que você quer? — eu vou direto ao ponto.

Eu não quero ter que prolongar uma conversa com o Christian. Eu não tenho o que conversar com ele.
Eu não quero que ele sequer esteja no mesmo ambiente que eu.

— O carro era meu.

O que?

Isso é sério?

Que merda, hein, Anastasia?

Eu posso...

— Claro. — eu abro espaço para que ele entre. Fecho a porta. — Eu faço questão de arcar com todos os custos.

— Ana... Quer dizer, Anastasia. Não precisa, tudo bem. Eu... — o interrompo.

— Não, Christian. Eu faço questão. — digo firme. — Eu quero pagar pelo que eu fiz.

— Tudo bem. Como você preferir. Eu vou pedir pra minha secretária entrar em contato com você.

— Vai ser melhor.

Nós ficamos nos olhando por algum tempo. A atmosfera ficando ainda mais pesada. Um clima ainda mais desagradável.

— Amanhã a minha secretária vai entrar em contato com você, Anastasia. Boa noite.

Eu abro a porta.

— Boa noite.

O Christian acena uma última vez e entra no elevador.

Eu fecho a porta e corro para o meu quarto.

O peso nas minhas costas comprimindo o meu peito e me trazendo falta de ar.

Os meus olhos ardendo pelas lágrimas.

Eu me jogo na minha cama e enfio o rosto no meu travesseiro.

O Christian mora aqui.

O Christian está mais perto do que nunca.
Mais perto de mim, mais perto da minha filha.

Deus!

O meu corpo treme, as minhas mãos suando e as lágrimas banhando o meu rosto.

Eu me sinto tão idiota por estar chorando assim.

Eu não deveria.

Eu não deveria me importar com a presença do Christian, com essa proximidade inesperada... Eu não deveria sequer me importar com a existência dele.

Mas tem an Ella.

Ele está perto da Ella. Mais perto do que nunca.

E eu me importo muito com essa proximidade.

Me importo de verdade.

Eu não quero que ele sequer se aproxime da minha filha. Eu não quero que ele veja a Ella.
A Ella é minha filha e eu tenho todo direito de não querer que alguém como o Christian sequer respire o mesmo ar da minha filha.

Ele não merece ter esse privilégio.

***

— O que aconteceu, Ana? — minha mãe pergunta. O seu rosto uma máscara de preocupação. — Você parecia bem preocupada ao telefone.

— O Christian, mãe. Ele é meu vizinho. — digo. Os meus olhos ficando marejados.

— O que? — a minha mãe fica em silêncio por algum tempo, absorvendo a informação. — Ana, meu Deus! Seu pai e eu sequer imaginávamos isso quando escolhemos aquele apartamento.

— Ele está muito perto da minha filha, mãe! — digo chorando.

Eu fico desesperada só de lembrar desse fato.

É uma questão de tempo até que ele veja ela.
A Ella que é inegavelmente parecida com ele. Ele não tem esse direito!

— Eu não sei o que fazer. — a minha voz trêmula, um nó se formando na minha garganta.

— Calma, nós precisamos pensar com calma. — a minha mãe segura as minhas mãos. — Não podemos agir no desespero. Eu entendo os seus sentimentos, mas é hora de pensar antes de agir.

— Eu não consigo, mãe... Só de pensar que ele pode ter algum tipo de contato com a Ella. Eu não vou aguentar.

— Eu entendo isso, filha. Entendo de verdade. É a sua filha, mas você precisa pensar nas coisas com calma, pelo bem de vocês duas. — ela limpa as minhas lágrimas com os polegares. — Você se tornou uma mulher forte, decidida, e que eu tenho muito orgulho. Você sempre pensa muito bem antes de agir, e eu sei que você consegue fazer isso agora.

— Eu tenho que pensar com calma. — repito as palavras dela pra mim mesma.

— Isso. Pensa com calma.

— Eu posso ficar aqui hoje? — pergunto chorando.

A Ella ainda com a Grace e o Carrick, Eva ainda não chegou, eu não quero ficar sozinha naquele apartamento.

— Claro! Claro que pode! O seu pai vai amar saber que você vai jantar conosco e dormir aqui. Sentimos muito a falta de vocês.

— Obrigada, mãe.

— Vem cá. — minha mãe me puxa para deitar no seu colo. Ela acaricia os meus cabelos. — Eu estou aqui, você sabe que pode contar comigo. Você e an Ella são muito importantes para mim, e para o seu pai, obviamente.

É tudo que eu preciso no momento, do apoio e do colo da minha mãe.




{...}

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