Capítulo 69

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Anastasia

— Ella, olha o aviãozinho. — Ella vira o rostinho. — Filha, você precisa comer, meu amor.

A Ella tosse, o seu rostinho está vermelho e a minha princesa não quer comer.

Não, mamãe. — ela diz toda manhosinha.

— Você precisa comer, minha vida.

— Deve ser um resfriado, Ana. É melhor que ela fique em casa hoje. Pode ficar tranquila, eu cuido dela.

Eu beijo a bochecha da Ella e percebo que ela está febril.

— Ela está um pouco quente, Eva.

A Eva se aproxima.

— Sim, ela está um pouco quente. Mas fica tranquila, isso deve ser um resfriado comum. Vou dar um banho nela e um remedinho. — a Eva pega a Ella no colo. — Vou cuidar dessa princesa linda.

— Qualquer coisa me liga, por favor, Eva. — sinto o coração apertando só de pensar em deixar a minha pequenininha em casa assim, doentinha. Mas eu preciso trabalhar.

— Fica tranquila Ana.

***

— Ana, eu já conversei com alguns amigos advogados. Pode ficar tranquila, porque caso aquele crápula decida reivindicar a guarda da Ella, nós estaremos preparados.

Como o meu irmão é advogado ele obviamente tem muitos contatos.

— Obrigada, Ed. — olho para o meu celular.

Até agora a Eva não me ligou e nem mandou mensagem, então espero que esteja tudo bem.

— O que aconteceu? Você parece preocupada.

— A Ella estava um pouco indisposta hoje de manhã, estou preocupada... Acho que é coisa de mãe, sabe?

— Você é uma excelente mãe pra minha sobrinha. Tenho muito orgulho. — Ethan beija a minha testa.

— Mas não me enrola e me conta sobre a sua namorada.

Ethan se engasga.
Eu rio.

— Então você tem mesmo uma namorada! Quem é?! — pergunto curiosa. O Ethan sempre foi muito discreto, e nunca namorou sério. Mas agora ele parece tão envolvido.

— Na hora certa eu faço as apresentações.

— Vou aguardar ansiosamente.

***

O meu dia hoje está sendo muito intenso.

Eu me revezei entre reuniões e ligações. Mesmo tendo uma equipe que me auxilia tem dias que as coisas são muito pesadas, como hoje. Eu sequer consegui sair para almoçar. Eu sei que isso não faz bem, mas eu precisava terminar o que eu tinha que fazer. E confesso que com tantas coisas acontecendo nesses últimos dias eu acabei negligenciando parte do meu trabalho, pela falta de concentração e por tantas preocupações.

Eu olho para o meu celular mais uma vez. É a décima vez que eu faço isso em menos de cinco minutos, estou com o coração apertado pela falta de notícias, espero que isso signifique algo positivo.
A Ella tem uma boa saúde no geral, ela raramente fica doente, mas ela só tem três anos então tudo me preocupa.

É o meu bebê.

A minha mãe costuma dizer que eu me preocupo tanto com a Ella porque eu sou mãe de primeira viagem.

Mas hoje eu sinto que eu preciso me preocupar, a Ella estava tossindo muito e estava febril.

Meu celular toca e eu pulo com o susto.
Eu agarro o aparelho celular e atendo.

— Ana.

Pela voz a Eva parece bem nervosa.

Eu tentei controlar a febre, mas não abaixava. A Ella estava muito mal, Ana. Eu... eu trouxe ela para o hospital.

— Onde? Onde vocês estão?

— No hospital que a Grace trabalha.

— Estou indo. — encerro a ligação.

Eu faço tudo da forma mais automática possível. Eu agarro a minha bolsa e o meu celular e saio da minha sala.
Eu dirijo o mais rápido possível.
Eu não consigo pensar em outra coisa a não ser na minha filha e em chegar logo ao hospital.

***

Quando eu chego na sala de espera eu vejo a minha mãe e a Eva sentadas. As duas parecem bem nervosas e isso não parece ser bom.

— Mãe?

A minha mãe se levanta e vem até mim, ela segura as minhas mãos.

— O que aconteceu? Cadê a minha filha?

Ver a minha mãe séria assim me apavora, ela também é médica, não clinica a anos e se dedica a lecionar, mas continua sendo médica.

— Levaram a Ella para fazer alguns exames. Ela estava com a temperatura muito alta, tinha risco de convulsão. — meus olhos ficam marejados. — Calma, vai ficar tudo bem. 

— Ana, eu tentei abaixar a temperatura. Eu dei um banho na Ella, dei um remédio e a coloquei para dormir... Mas quando eu fui conferir se estava tudo bem, eu percebi que ela estava mais quente. Por isso que eu liguei para a sua mãe.

— E nós a trouxemos para cá. Precisávamos ter certeza se é realmente só uma febre. Mas calma, porque vai ficar tudo bem.

Eu não consigo controlar as minhas lágrimas. Eu não consigo sequer imaginar caso seja alguma coisa mais séria.

— Eles falaram alguma coisa?

— Não, apenas a levaram para fazer alguns exames. Precisamos esperar. Vai ficar tudo bem, Ana. — mamãe me abraça e beija a minha testa.

Tem que ficar tudo bem, porque a Ella é a minha vida.

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