Capítulo 66

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Christian

Conhecer a Ella me fez um bem que eu não poderia imaginar.

A minha filha é além daquilo que eu sequer pude imaginar. Ela é linda, parece um anjinho. É doce, é inteligente, gosta de brincar, gosta de desenhar. É uma criança enérgica, mas ao mesmo tempo é calma. A Ella é educada, gentil...

Claro que não conheci a minha filha da forma que eu gostaria, nem de perto, mas eu sei com toda certeza que seria difícil tentar dialogar com a Ana nesse momento.
Ela está muito firme na decisão de não me deixar chegar perto da Ella.

Eu entendo que a Ana ainda está ressentida, e até magoada com tudo que aconteceu no passado, mas esse ponto não pode e não deve envolver a Ella. Eu tenho o direito de participar da vida dela, ela também é minha filha.

A minha mãe permitiu algumas visitas quando a Ella está na casa dos meus pais, obviamente a Ana não sabe, mas eu prometi pra minha mãe que essa situação é provisória, eu vou conversar com a Ana em algum momento, mas não agora. Agora ela não me ouviria e tudo seria ainda pior. Não quero que tenhamos uma discussão e que por minha culpa a Ana proíba que a Ella tenha contato com os meus pais.

Respiro fundo.

Eu sei que o meu erro foi não ter feito o certo quando eu deveria ter feito, mas eu já tive a minha lição. E nesse momento eu só quero reparar o meu erro e ser o pai que a Ella merece.

***

— Christian, eu acho que você deve manerar nessas visitas. A Ana pode aparecer a qualquer momento e...

— Mãe, eu não vou deixar de ver a minha filha. Eu não consigo.

Eu já não tenho o tempo eu gostaria de ter com a minha filha. Eu não posso me afastar da Ella agora, eu não consigo.

— Eu quero ficar com a minha filha. Eu vou resolver essa situação, vou conversar com a Ana. Ela sabe que eu tenho os mesmos direitos que ela.

— Resolva isso logo. Eu não quero que isso afete a minha relação com a Ana. Eu quero que a Ella continue frequentando a nossa casa.

— Eu sei, mãe. Eu não quero prejudicar vocês. Eu só preciso de mais tempo.

Quero que Anastasia esteja mais tranquila e aberta para quando eu for falar com ela não termos tantos atritos. Ela precisa entender o meu lado, a Ana precisa compreender que a Ella é nossa filha. Ela precisa aprender a separar os nossos problemas, eu sei que o que eu fiz pode não ter perdão nunca, mas a Ella é mais importante do que qualquer coisa, a nossa filha deve ser a nossa prioridade.

Chlis! — Ella desce as escadas e corre até mim.

Eu a pego no colo.

Senti soudade. — ela diz do jeitinho dela.

Isso é um bom sinal.

Minha filha está gostando tanto da minha companhia assim como eu estou gostando da dela.

Eu vou pedir pla mamãe pla você ir na minha casa blincar comigo.

— Eu prometo que um dia eu vou. — a minha mãe me repreende com o olhar. — E prometo que um dia vou te levar na minha casa e comprar muitos presentes.

E me levar pla tomar sovetinho? — os seus olhinhos brilham.

— Prometo, mas isso eu posso fazer hoje. — Ella me olha animada.

— Christian, não. — minha mãe sussurra assustada.

— Nós vamos tomar um sorvete e eu vou te comprar um presente. — Ella se remexe no meu colo. Eu a coloco no chão.

Eu vou colocar uma loupa de plincesa! — Ella sobe as escadas correndo.

— O que você está pensando, Christian?! A Ana sequer autoriza que você veja a menina, ela jamais autorizaria que você saísse com ela!

— Eu estou pensando em sair com a minha filha, e é isso que eu vou fazer. Eu tenho o direito de passar o tempo que eu quiser com a minha filha.

— Christian, por favor, não...

Eu seguro as suas mãos.

— Mãe, você já me tirou isso uma vez, não faz isso de novo, por favor. Eu quero participar da vida da minha filha.

Minha mãe suspira, analisando a situação.

— Tudo bem... Mas por favor, me prometa que você vai resolver essa situação com a Anastasia. Eu não quero que ela me afaste da minha neta. O seu pai ficaria mal com isso.

— Eu prometo. — pretendo procurar a Ana mais uma vez e tentar uma conversa novamente.

Sovete, sovete! — Ella desce as escadas segurando a mão de Greta.

A minha filha está com uma fantasia infantil da mulher maravilha.

Eu quelo sovetinho.

— Christian, por favor. Não demora. — minha mãe diz. — Eu ainda sinto que isso não é uma boa ideia.

Eu concordo e pego a minha filha no colo.

Vai ser a primeira vez que vou sair com a Ella, estou nervoso em relação a isso... Mas afinal o que pode dar errado?

***

Ella segura a boneca com um sorriso e os olhinhos brilhando.
Eu prometi um presente e comprei.
Nós fomos ao shopping, depois levei a Ella na sorveteria e depois no parquinho.

Ella está suada e sorridente.

— Grace, onde está a minha filha? — eu ouço a voz alterada de Anastasia.

Eu respiro fundo e entro na casa.

Parece que as coisas vão ficar sérias.

Mamãe! — Ella a chama sorrindo.

A Ana se vira rapidamente. Mas quando me vê seu rosto se torna uma máscara, eu posso ver ela ir da palidez a vermelhidão, da surpresa a raiva.

— Christian?

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