Capítulo 54

305 56 26
                                        





Christian




— Christian. — Roger Lincoln me estende a mão em um comprimento. — Estava passando por aqui quando resolvi vir fazer uma visita.

Lincoln e eu nos tornamos próximos de certa forma, já fechamos muitos contratos juntos. Mas não somos amigos, nem de perto. Ele pode ser o pai da Leila, mas não é meu amigo. Eu sei muito bem que só temos a relação sólida nos negócios por causa da Leila.

— A Leila me ligou ontem, a minha filha pensa em voltar ainda esse mês.

A Leila está viajando pela Europa, ela sempre faz isso. Larga tudo para viajar por aí. E dessa vez ela foi ainda mais precipitada. Nós discutimos antes dela decidir largar tudo e ir viajar por aí, o nosso relacionamento definitivamente não está no melhor momento.

Na verdade nunca esteve.

E eu sinceramente não sei se vale mais a pena arrastar essa situação.

Leila e eu discutimos, eu mencionei término, ela ficou furiosa e fugiu, foi para Europa. Mas a nossa conversa ainda não terminou. Eu quero resolver logo essa situação. De uma vez por todas.

Já está na hora.

— Achei interessante vir aqui para te contar. Sabe, a Leila me disse também que você não tem atendido as ligações dela...

Respiro fundo.

Eu sei onde ele quer chegar com essa conversa, mas eu não quero conversar sobre a Leila com o Roger. Isso não cabe a ele.

— Lincoln, acho que a sua filha precisa entender que o meu trabalho é muito importante pra mim. Não posso largar tudo para atender a Leila quando ela quer.

— Você é noivo da minha filha, Christian. E portanto deve agir como tal, não acha? Você não acha que a minha filha merece atenção?

Esfrego o rosto.

Eu odeio essa situação. É como se ele estivesse tentando me empurrar contra a parede.

Mas não vai funcionar.

— Eu não disse que não.

— Entendo. Espero que com a volta da Leila esse casamento de fato aconteça. Convenhamos que já passou da hora.

Leila e eu estamos juntos há um bom tempo, isso é um fato. Roger Lincoln sempre foi leal, isso é outro fato. Mas aceitar ser pressionando para me casar já é demais.

Eu não posso me casar só porque o pai da Leila quer.

Eu não quero me casar com a Leila e eu sei que preciso esclarecer isso de uma vez por todas. E de fato terminar com esse relacionamento. Mas não posso tratar isso com o pai dela.
O meu compromisso é com a Leila e não com o Roger.

— Eu acho que isso é um assunto que nos diz respeito. — digo com firmeza. — A sua filha já é uma mulher adulta, Lincoln, e eu tenho certeza que nós conseguimos resolver essa questão juntos.

O seu rosto é uma máscara séria.

Ele obviamente não gostou.

Mas é a única resposta que posso oferecer no momento.

— De qualquer forma não foi pra isso que eu vim até aqui. Tenho um assunto importante para tratar com você.

— Estou a sua disposição.

— Carrick Grey me convidou para um jantar.

O meu pai.

— Carrick me convidou para um jantar em sua casa para tratarmos de negócios. Temos alguns contratos pendentes e tenho certeza que vai ser importante ter a sua presença nessa reunião.

É estranho, mas já faz muito tempo desde a última vez que eu estive na casa dos meus pais.

— Lincoln...

— Eu faço questão. Você não vai negar, não é, Christian?

Respiro fundo.

Não pode ser tão ruim assim.

Afinal, o que pode acontecer nesse jantar de negócios?

É claro que a tensão entre o meu pai e eu vai ser palpável, mas talvez esteja na hora de colocar uma pedra sobre os nossos problemas do passado.
E também não é ético misturar negócios com os problemas pessoais.

— Tudo bem. Conte com a minha presença.

— Tenho certeza que será uma grande noite.

***

— Gail, você pode ir descansar se quiser. Eu devo chegar tarde hoje. — digo ajeitando a minha gravata.

— Vai trabalhar até tarde?

— Vou ir a um jantar de negócios. Burocracias. — respiro fundo. — Vai ser na casa dos meus pais.

Gail sorri.

— Fico feliz! Quem sabe agora as coisas não mudem?

Respiro fundo.

O positivismo da Gail as vezes me surpreende.

— Nunca se sabe... Tudo tem um porque.

***

Roger me cumprimenta com um aperto de mão.

— Fico satisfeito em te ver aqui, Christian. Acredito que será uma grande noite.

Eu toco a campainha da minha antiga casa.

E puta merda, que saudades de como as coisas eram antes. Sinto saudades até das pequenas coisas do dia a dia com a minha filha.

Porra, Christian.

Esquece isso.

Respiro fundo e me forço a enterrar todas as menores nostalgias.

Gretta abre a porta com um sorriso. Ela ainda é a governanta da casa.

Boa noite, senhor Lincoln, senhor Grey. — ela nos cumprimenta com um sorriso no rosto. — O senhor Grey e os convidados já estão a espera dos senhores.

Roger concorda com a cabeça e faz o seu caminho para dentro da sala.
Eu faço o mesmo gesto e o sigo.

— Boa noite. Carrick, Raymond. — Roger é o primeiro a se pronunciar.

Raymond me olha, os seus olhos queimam de raiva.
O meu pai também não parece muito satisfeito com a minha presença.

— Boa noite. — digo tentando ser minimamente cordial.

Cabelos longos e castanhos.

A cachoeira de cachos balança e a mulher de rosto misterioso até então se levanta, se virando na nossa direção.

Puta que pariu.

Ela.

Anastasia.

Anastasia Rose Steele.











{...}

A APOSTA Onde histórias criam vida. Descubra agora