Christian
Ella está deitada de bruços enquanto monta um castelo com as pecinhas de madeira.
— Vai ficar muitão lindão!
— Vai sim, princesa.
Ella ri e bate palminhas quando o castelinho fica pronto.
Eu amo a risada da minha filha. Eu amo tudo na Ella.
Tudo na Ella é incrível.
É uma honra ser o pai da Ella, uma verdadeira benção.
Uma criança tão doce, tão carinhosa, tão inteligente.
Estou tão concentrado em Ella que os passos no corredor passam quase despercebidos.
Ella ergue a cabeça e sorri, se levantando.
— Mamãe!
Eu congelo.
Anastasia está incrivelmente linda.
Ela veste um vestido justo, um pouco acima dos joelhos, e que realça perfeitamente todas as suas curvas. O decote deveria ser considerado um pecado.
Os cabelos ondulados naturais em uma cachoeira castanha nas costas.
A pele brilha com a maquiagem incrivelmente bem feita. O batom vermelho realçando os seus lábios carnudos.
Absolutamente linda.
Covardemente linda.
Ella corre até a mãe. Ana se abaixa e pega a nossa filha no colo.
Ana desarma um pouco, mas não totalmente, a minha presença ainda tem o poder de incomoda-la.
E talvez agora ainda mais, depois do nosso último encontro.
— Mamãe, eu fiz castelo lindão!
Ana beija a bochecha da nossa filha.
— Fez, amor? — os seus olhos brilham enquanto ela olha fixamente pro rostinho da Ella.
Porra, essa mulher é perfeita em todos os sentidos.
— Mamãe você vai pla onde?
— Lembra o que a mamãe conversou com você hoje mais cedo?
— Eu lemblo. Você vai com o tio Paul.
É claro que ela vai sair com aquele idiota.
Meu maxilar trava. Raiva enchendo o meu peito. Anastasia não pode sair com aquele idiota. Ele não merece.
Ela está assim pra ele, isso não é justo.
— Você vai demolar, mamãe?
— Não, meu amor. — Anastasia sussurra algo no ouvido da Ella, minha filha sorri e concorda.
Ana a coloca no chão.
— Eu te amo, meu amor. — ela beija bochecha da Ella e se levanta.
Ella corre para brincar com as pecinhas do castelo, alheia a qualquer outra coisa a sua volta que não sejam os seus brinquedos.
Anastasia olha fixamente pra mim, séria, os saltos cravados no chão.
E eu continuo olhando pra ela, a devorando com os olhos. Não consegui tirar os olhos dela desde que ela surgiu no corredor.
A verdade é que depois daquele beijo que compartilhamos eu simplesmente não consegui esquecê-la. Não consegui parar de pensar na sensação de sentir os lábios dela nos meus, o gosto do beijo dela. Aquele beijo mudou tudo.
— Você está linda. — as palavras saem da minha boca em alto e claro tom.
— Obrigada. — ela agradece, educada, mas é séria e parece muito indiferente.
Ela sempre parece indiferente e indisposta a trocar qualquer meia dúzia de palavras comigo.
— Onde vocês vão? — a pergunta interna sai pelos meus lábios antes que eu perceba.
Eu preciso saber.
— Isso não te interessa, Christian. — ela crava, ainda mais séria, ríspida.
— Claro que me interessa. Eu tenho o direito de saber onde a mãe da minha filha vai. — rebato.
E não apenas por isso.
— Você disse certo, eu só sou a mãe da sua filha. E não, você não tem direito a nada que diz respeito a mim. Eu não tenho que te dar explicações. — Ana se abaixa novamente, ficando na altura da Ella. — Tchau, meu amor. A mamãe te ama muito muito.
— Eu também te amo um tantão mamãe.
Ela dá um último beijo na bochecha da Ella e se levanta. Agarrando a bolsa contra o próprio corpo.
Anastasia caminha em direção a porta, eu não tiro os olhos dela. E não faço a menor questão de disfarçar.
Eu não quero disfarçar.
Eu não consigo disfarçar.
Não posso.
Ela me olha sob os ombros antes de sair.
Não sei se é provocação ou qualquer outra coisa.
Quando ela enfim sai eu sinto tudo em mim se apertando e a raiva progredindo. Aperto os punhos.
Eu não consigo.
Aquele idiota vai tocar nela, ela vai rir pra ele, ele vai admirar ela, ele vai ter o prazer de vê-la rindo, de ver como ela está linda, como ela é linda. Ele vai ser atrevido e segurar mão dela.
Ela vai jantar com ele. E sabe-se lá o que eles podem fazer depois desse jantar.
Não.
Respiro fundo tentando me controlar.
Eu não quero que aquele babaca beije ela. A ideia é capaz de me tirar dos eixos.
Aquele Paul não é o homem certo pra Ana. Ela merece mais, muito mais. Ela merece um homem que queira ela de verdade, que a deseje, que queira fazê-la feliz, de verdade.
Eu.
Eu poderia dar tudo que ela merece. Nós já temos uma filha linda juntos. Poderíamos nos casar e construir uma família. Vivermos os três, juntos. Felizes. Oficialmente.
{...}
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A APOSTA
FanfictionAté onde um homem consegue ir para conseguir o que quer? Até onde Christian Grey consegue ir por uma aposta? A ambição para não ferir o próprio orgulho, pode ser a maior inimiga de qualquer ser humano, principalmente para os que não conseguem lida...
