Capítulo 61

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Christian

Os últimos dias tem sido bem cheios. Estou tão atarefado com a empresa, com os contratos, com as reuniões...

Qualquer outra pessoa poderia enlouquecer, mas eu confesso que prefiro assim. Dessa maneira não tenho tempo para pensar em besteiras. Eu consigo controlar e direcionar os meus pensamentos.

De fato é melhor assim.

A minha vida não é um mar de rosas, mas sobre a minha empresa e sobre os meus negócios eu posso ter total controle. E eu gosto disso.

***

— O seu café. — eu me sento no banco. Gail me entrega uma xícara de café.

— Obrigado, Gail. O que é isso? — eu aponto para o embrulho.

— É um presente que eu comprei pra a minha loirinha. — eu olho para ela sem entender. — É pra aquela menininha que eu te falei. A filha da vizinha nova.

— Parece que você gosta mesmo dessa menina.

— Gosto mesmo. Ela é um doce de menina, Christian. É uma loirinha linda, Christian. — Gail diz sorrindo. — A mãe dela é muito jovem, sabe? Mas é muito responsável. Elas são novas aqui no prédio.

— Novas aqui? — pergunto. Minha voz um sussurro.

— Sim, se mudaram recentemente... A Ana é uma querida, Christian.

— Ana?

— Sim, a Anastasia, mãe da Ella.

— Anastasia Steele? — Gail me olha sem entender.

— Sim, Christian. Você conhece a Ana?

Anastasia.
Anastasia.
Anastasia.

Anastasia mãe.

Mãe.

Ela é mãe?

— Quantos anos essa menina tem? — pergunto.

Eu ainda tenho um fio de esperança...

— Três, mas é muito esperta, Christian. Você precisa ver.

É como levar um soco no estômago.
Na verdade é muito pior do que isso.

Anastasia é mãe de uma menina de três anos. Não precisa ser um gênio da matemática para fazer as contas. Três anos.

Essa criança.

Essa menina é minha filha.

Eu esfrego o rosto e afrouxo a minha gravata.

Eu me sinto sufocado, não consigo pensar direito... Me sinto enganado, traído.

Era mentira.

A minha mãe mentiu pra mim. Ela me enganou durante todos esses anos.

O que aconteceu, Christian? Você está pálido.

Eu limpo o suor da minha testa.

— Gail, eu preciso resolver um problema.

***

— Christian, que surpresa! — ela sorri. — Quando a Greta disse que você estava aqui eu mal pude acreditar. — minha mãe diz adentrando na sala. — Eu estava pensando em te convidar para jantar aqui... — eu a interrompo.

— Estava pensando em me contar a verdade também? — ela franze o cenho.

— Como?

— Você estava pensando em me convidar aqui para me contar a verdade ou ia continuar mentindo?

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