Anastasia
O restaurante tem uma luz baixa e música suave. Velas pequenas ocupam as mesas refletindo os talheres impecáveis.
Paul puxa uma cadeira, gentilmente, pra mim.
Ele se sente de frente pra mim e puxa a carta de vinhos, escolhendo o vinho como se já soubesse exatamente o que estava fazendo.
Ele sempre escolhia o vinho quando saíamos juntos.
— E a Ella? — ele pergunta.
Sorrio.
— A Ella já está ótima, já voltou para escola.
Ele pergunta mais sobre a Ella, e eu, como a mãe babona que sou, respondo tudo nos mínimos detalhes.
— Você é uma mãe incrível. — ele acaricia a minha mão com a ponta dos dedos, um gesto delicado, leve. — A Ella tem sorte em ter uma mãe assim.
— Eu que tenho sorte de tê-la como filha. — os olhos do Paul brilham.
Ele sempre fala sobre a Ella com tanto carinho. Sempre pensa na minha filha. Ele sabe da importância da minha filha pra mim, e respeita isso. Acho que esse é um dos pontos que eu mais admiro no Paul, o cuidado e o respeito que ele tem por mim.
Mas, infelizmente, só admiração não basta.
A conversa segue. Mas de alguma forma, estranha, eu me sinto distante, como se parte de mim estivesse em casa, e a outra... Pensando em alguém que eu sequer quero nomear, que eu sequer deveria estar pensando.
O Paul é uma pessoa incrível. Ele não merece só uma parte de mim.
Ninguém merece ser querido e desejado em partes.
***
O carro para em frente ao meu prédio e o silêncio se instala imediatamente. Não um silêncio desconfortável ou constrangedor, mas apenas silêncio.
O motor continua ligado e as luzes da rua entram pelo vidro, recortando o rosto do Paul em sombras suaves.
Ele se vira pra mim, sorrindo, enquanto os olhos brilham.
— Gostei de hoje.
Ele não percebeu como eu estava distante.
— Eu também.
— Eu sempre gosto de sair com você. Você é incrível. — ele se inclina um pouco na minha direção. — Eu gostaria de estender a noite, como nos velhos tempos.
Sorrio.
— Quem sabe em uma outra oportunidade? — eu pisco os olhos, batendo os cílios teatralmente.
Paul ri.
— Vou esperar ansiosamente. — ele aproxima mais o rosto do meu, a respiração batendo contra o meu rosto.
Paul se inclina ainda mais, mas quando os seus lábios estão a milímetros de distância dos meus, eu viro o rosto. Os seus lábios indo diretamente na minha bochecha.
Quando me afasto percebo que o sorriso do Paul escorrega um pouco, mas ele não deixa de sorrir.
— Boa noite, Ana.
— Boa noite, Paul. Obrigada por hoje.
Saio do carro com cuidado, fecho a porta e entro no prédio.
Não é por falta de vontade. O Paul é uma pessoa incrível, um homem gentil e o sonho de qualquer mulher que deseja um relacionamento sério e saudável. Ele é um homem interessante e muito bonito.
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A APOSTA
FanfictionAté onde um homem consegue ir para conseguir o que quer? Até onde Christian Grey consegue ir por uma aposta? A ambição para não ferir o próprio orgulho, pode ser a maior inimiga de qualquer ser humano, principalmente para os que não conseguem lida...
