Capítulo 80

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Christian

Ana.

É o primeiro pensamento que tenho ao acordar.

Viro o rosto. Ana está deitada de lado, o rosto parcialmente afundado no travesseiro. Os cabelos espalhados pelo travesseiro.

Apoio o cotovelo no colchão, observando.

Há intimidade em vê-la assim. Dormindo, frágil, linda. Sem as palavras afiadas, sem o escudo de sempre.

Lembranças da noite anterior me atingem.
A pele macia tocando a minha, a respiração quente contra a minha pele, a boca na minha, a maneira como ela me tocou, sem pressa, como se ela estivesse me escolhendo.

E de certa forma foi isso que aconteceu.

Meus olhos passeiam pelo contorno do rosto dela, a curva suave dos lábios levemente entreabertos.

Estendo a mão lentamente e afasto um fio de cabelo do rosto dela. O toque é leve, quase inexistente. Mas a Ana reage com um pequeno suspiro, simples, inconsciente.

Eu sei que deveria me afastar, me levantar, ir embora, e dar o espaço que a Ana vai precisar para digerir o que aconteceu entre nós ontem, talvez ela até surte. Mas eu não quero. Eu não consigo. E então eu escolho ficar.

Observo a sua respiração. Ela se mexe, o lençol deslizando um pouco, os ombros ficando expostos.

Ana abre os olhos. O azul parece irreal. 

Ela leva alguns segundos para perceber a minha presença.

— Bom dia. — a minha voz sai mais rouca e baixa do que eu gostaria.

O corpo dela se enrijece imediatamente. A mão agarra o lençol, puxando até o queixo. Ela pula pra fora da cama e se desaparece no banheiro, trancando a porta.

Esfrego o rosto.

Eu não esperava que ela fosse acordar sorrindo pra mim ou qualquer coisa do tipo. Eu não sou idiota e sei que pra Ana eu ainda não sou alguém confiável, e que ontem pra ela pode não significar exatamente o que significa pra mim.
Ela não acredita que podemos ter um futuro juntos, e sei que preciso provar pra ela que sim. Que eu mudei, que estou aqui, pronto para sermos uma família. Definitivamente.

A porta se abre.

Ana surge com os cabelos molhados, um roupão claro ajustado perfeitamente no corpo, e o rosto inexpressivo.

Ela agarra uma escova e penteia os cabelos, olhando para o espelho.

Mas ela sequer olha pra mim, é como se a minha presença fosse indiferente pra ela.

E realmente é.

E isso me incomoda. Muito.

— Ana. — ela ignora.

Eu me levanto.
Eu sei o que ela está tentando fazer.

— Isso é sério?

Anastasia não me responde. Ela sequer olha pra mim.

— Você só vai fingir que nada aconteceu?

— Eu não estou fingindo. O que aconteceu já aconteceu e não adianta agir como uma histérica. Sim, foi um erro, mas aconteceu. — ela diz com uma calma calculada.

— O que? Ontem não foi um erro.

— Foi sim. E para de agir como se tivesse acontecido algo extraordinário. — ela se vira pra mim e revira os olhos.

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