Christian
Anastasia é minha vizinha.
Anastasia Steele está mais perto do que nunca.
Depois de tantos anos sem vê-la, sem conversar com ela... Agora eu descubro que nós estamos mais perto do que nunca.
E ela está mais firme do que nunca.
Ela faz questão de arcar com os custos do concerto do meu carro.
Os meus carros são muito importantes pra mim. E eu de fato estava muito decidido a reivindicar a integridade do meu veículo, mas tudo mudou quando eu vi que se tratava de Anastasia.
O mínimo que eu poderia fazer era deixar o que aconteceu de lado e eu mesmo arcar com todos os custos, mas ela simplesmente não aceitou, e foi firme.
Firme e fria.
Anastasia me tratou de uma forma tão fria. Com tanta mágoa nos olhos e no rosto.
Quase que irreconhecível. Anastasia nunca agiu assim, ela sempre foi doce e gentil.
Muito diferente do que é hoje comigo...
Mas eu mereço.
Eu definitivamente mereço.
***
— Mãe. — digo surpreso.
A minha mãe é a pessoa mais próxima da família com que ainda tenho algum contato, mas mesmo assim não nos vemos com tanta frequência.
— Estava aqui por perto e resolvi passar por aqui para conversamos um pouco. Já faz um tempo, não é? — a minha mãe senta no sofá.
— A senhora deseja alguma coisa? — a Gail pergunta.
— Não precisa, querida. Obrigada. — ela volta a olhar pra mim. — Você sumiu, Christian. Sabe que eu sinto a sua falta.
— Eu sei mãe, mas o trabalho tem consumido muito do meu tempo.
— Não gosto da ideia que você se jogue no trabalho. Você é tão jovem.
— Mãe, essa é a minha vida... — respiro fundo. — Mas quando a Leila voltar de viagem sinto que mudaremos algumas coisas.
Apesar de termos brigado antes de Leila ir viajar nós vamos nos resolver.
Sempre aconteceu assim.
O nosso relacionamento caiu em algo desgastante, mas ainda se mantém, nada firme, mas se mantém.
— A Leila. — a minha mãe sorri ironicamente. — Você sabe que eu não estou de acordo com esse casamento. Não acho que ela seja a mulher certa pra você.
— Mãe, depois de tudo o que aconteceu eu acho que a Leila é a mulher realmente certa pra mim. Eu já fiz muitas coisas erradas, você sabe...
Eu já trouxe tanto caos a tantas pessoas.
Já fiz tantas coisas erradas...
Me arrependo tanto de tudo.
— Por minha causa...
— Vamos esquecer isso. — ela me interrompe. — Ficar remexendo o passado não é bom. — a minha mãe agarra a sua bolsa e se levanta. — Bom, agora eu preciso ir. Tenho que trabalhar, muitas criancinhas estão ficando doentes. — ela beija a minha testa. — Espero que você apareça lá em casa, te espero para jantar, você sabe que sempre vai ser muito bem-vindo, filho.
Tenho as minhas dúvidas sobre isso.
O meu pai sequer simpatiza que eu vá para um jantar de negócios... E sem contar que eu não consigo me imaginar jantando com os meus pais como se nada tivesse acontecido no passado.
Eu acompanho a minha mãe até a porta.
— Eu realmente espero que você apareça lá em casa. Mas ligue antes, quero preparar algo especial.
— Obrigado pela visita, mãe.
— Eu te amo, não esquece disso nunca, filho. — ela beija a minha bochecha uma última vez e vai embora.
Eu faço o meu caminho até a cozinha.
— Conseguiu resolver o problema do seu carro, Christian? — Gail pergunta.
Me sento no banquinho.
— Já estamos resolvendo isso. Já consegui localizar o vizinho responsável.
Gail sorri.
— Que maravilha!
— O que você está fazendo? — pergunto vendo Gail ligar o forno.
— Estou fazendo cookies. É um presente para uma criança adorável. Uma menininha linda, Christian.
— Que criança é essa Gail? — pergunto curioso.
É bem estranho, porque eu nunca vi nenhuma criança por aqui.
Como se eu reparasse de fato nas coisas a minha volta...
— Uma menininha que se mudou com a mãe e com a babá a pouco tempo. Ela é linda, Christian. Um doce de criança. Prometi fazer uns cookies pra ela, e você sabe, promessa pra criança é dívida.
Eu me levanto do banco.
— Eu preciso ver algumas coisas da empresa. Não precisa se preocupar com o almoço, vou almoçar fora hoje.
Tenho um encontro com o meu advogado.
E Jack e eu combinados de acertar algumas coisas hoje no horário do almoço.
Eu preciso rever alguns contratos.
— Que pena, Christian! Estava pensando em fazer algo que você goste hoje.
— Eu realmente não consigo vir almoçar em casa. Sinto muito, Gail.
— Tudo bem. Se você não se importa eu vou levar esses cookies pra menininha. Você precisa de algo?
— Não, Gail. Pode ir tranquila. E pode tirar o dia para fazer o que você quiser.
— Tem certeza? Não gosto de sair e te deixar sozinho.
Eu gosto desse instinto maternal da Gail. Ela cuida de mim, de certa forma. E eu realmente aprecio isso. Por isso que eu a considero mais que apenas uma funcionária.
— Tenho sim, Gail. Obrigado pela preocupação.
— Não gosto de te ver sozinho. — eu beijo a sua testa e saio da cozinha.
Ela não gosta de me ver sozinho, mas é o que eu tenho no momento.
E talvez, de certa forma, eu mereça isso.
{...}
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A APOSTA
FanfictionAté onde um homem consegue ir para conseguir o que quer? Até onde Christian Grey consegue ir por uma aposta? A ambição para não ferir o próprio orgulho, pode ser a maior inimiga de qualquer ser humano, principalmente para os que não conseguem lida...
