Capítulo 59

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Christian

Anastasia é minha vizinha.
Anastasia Steele está mais perto do que nunca.

Depois de tantos anos sem vê-la, sem conversar com ela... Agora eu descubro que nós estamos mais perto do que nunca.

E ela está mais firme do que nunca.

Ela faz questão de arcar com os custos do concerto do meu carro.

Os meus carros são muito importantes pra mim. E eu de fato estava muito decidido a reivindicar a integridade do meu veículo, mas tudo mudou quando eu vi que se tratava de Anastasia.

O mínimo que eu poderia fazer era deixar o que aconteceu de lado e eu mesmo arcar com todos os custos, mas ela simplesmente não aceitou, e foi firme.

Firme e fria.

Anastasia me tratou de uma forma tão fria. Com tanta mágoa nos olhos e no rosto.
Quase que irreconhecível. Anastasia nunca agiu assim, ela sempre foi doce e gentil.

Muito diferente do que é hoje comigo...

Mas eu mereço.

Eu definitivamente mereço.

***

— Mãe. — digo surpreso.

A minha mãe é a pessoa mais próxima da família com que ainda tenho algum contato, mas mesmo assim não nos vemos com tanta frequência.

— Estava aqui por perto e resolvi passar por aqui para conversamos um pouco. Já faz um tempo, não é? — a minha mãe senta no sofá.

— A senhora deseja alguma coisa? — a Gail pergunta.

— Não precisa, querida. Obrigada. — ela volta a olhar pra mim. — Você sumiu, Christian. Sabe que eu sinto a sua falta.

— Eu sei mãe, mas o trabalho tem consumido muito do meu tempo.

— Não gosto da ideia que você se jogue no trabalho. Você é tão jovem.

— Mãe, essa é a minha vida... — respiro fundo. — Mas quando a Leila voltar de viagem sinto que mudaremos algumas coisas.

Apesar de termos brigado antes de Leila ir viajar nós vamos nos resolver.

Sempre aconteceu assim.

O nosso relacionamento caiu em algo desgastante, mas ainda se mantém, nada firme, mas se mantém.

— A Leila. — a minha mãe sorri ironicamente. — Você sabe que eu não estou de acordo com esse casamento. Não acho que ela seja a mulher certa pra você.

— Mãe, depois de tudo o que aconteceu eu acho que a Leila é a mulher realmente certa pra mim. Eu já fiz muitas coisas erradas, você sabe...

Eu já trouxe tanto caos a tantas pessoas.
Já fiz tantas coisas erradas...

Me arrependo tanto de tudo.

— Por minha causa...

— Vamos esquecer isso. — ela me interrompe. — Ficar remexendo o passado não é bom. — a minha mãe agarra a sua bolsa e se levanta. — Bom, agora eu preciso ir. Tenho que trabalhar, muitas criancinhas estão ficando doentes. — ela beija a minha testa. — Espero que você apareça lá em casa, te espero para jantar, você sabe que sempre vai ser muito bem-vindo, filho.

Tenho as minhas dúvidas sobre isso.

O meu pai sequer simpatiza que eu vá para um jantar de negócios... E sem contar que eu não consigo me imaginar jantando com os meus pais como se nada tivesse acontecido no passado.

Eu acompanho a minha mãe até a porta.

— Eu realmente espero que você apareça lá em casa. Mas ligue antes, quero preparar algo especial.

— Obrigado pela visita, mãe.

— Eu te amo, não esquece disso nunca, filho. — ela beija a minha bochecha uma última vez e vai embora.

Eu faço o meu caminho até a cozinha.

— Conseguiu resolver o problema do seu carro, Christian? — Gail pergunta.

Me sento no banquinho.

— Já estamos resolvendo isso. Já consegui localizar o vizinho responsável.

Gail sorri.

— Que maravilha!

— O que você está fazendo? — pergunto vendo Gail ligar o forno.

— Estou fazendo cookies. É um presente para uma criança adorável. Uma menininha linda, Christian.

— Que criança é essa Gail? — pergunto curioso.

É bem estranho, porque eu nunca vi nenhuma criança por aqui.

Como se eu reparasse de fato nas coisas a minha volta...

— Uma menininha que se mudou com a mãe e com a babá a pouco tempo. Ela é linda, Christian. Um doce de criança. Prometi fazer uns cookies pra ela, e você sabe, promessa pra criança é dívida.

Eu me levanto do banco.

— Eu preciso ver algumas coisas da empresa. Não precisa se preocupar com o almoço, vou almoçar fora hoje.

Tenho um encontro com o meu advogado.
E Jack e eu combinados de acertar algumas coisas hoje no horário do almoço.
Eu preciso rever alguns contratos.

— Que pena, Christian! Estava pensando em fazer algo que você goste hoje.

— Eu realmente não consigo vir almoçar em casa. Sinto muito, Gail.

— Tudo bem. Se você não se importa eu vou levar esses cookies pra menininha. Você precisa de algo?

— Não, Gail. Pode ir tranquila. E pode tirar o dia para fazer o que você quiser.

— Tem certeza? Não gosto de sair e te deixar sozinho.

Eu gosto desse instinto maternal da Gail. Ela cuida de mim, de certa forma. E eu realmente aprecio isso. Por isso que eu a considero mais que apenas uma funcionária.

— Tenho sim, Gail. Obrigado pela preocupação.

— Não gosto de te ver sozinho. — eu beijo a sua testa e saio da cozinha.

Ela não gosta de me ver sozinho, mas é o que eu tenho no momento.
E talvez, de certa forma, eu mereça isso.















{...}

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