Capitulo 60

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Anastasia

— Obrigada por isso, Gail.

— Não precisa agradecer, Ana. Eu prometi fazer esses docinhos pra essa princesa, linda. — Gail beija a bochecha da Ella. Minha filha está no seu colo.

A Gail é uma querida, funcionária de um dos meus vizinhos. Ela viu a Ella no elevador com a Eva, e desde então se apegou a minha menina. A Ella gostou dela desde o primeiro momento.
Gail sempre tratou a Ella com tanto carinho, com tanto amor. E eu sinto que ela é uma pessoa tão doce.

Gostei dessa aproximação das duas.

— Você gostou, Ella?

Sim! — Ella levanta os bracinhos.

— Mas não precisava se incomodar... — ela me interrompe.

— Não é incômodo nenhum, querida. O meu chefe é um querido, Ana. Ele é jovem, mas trabalha muito, mal para em casa, então eu acabo tendo muito tempo livre. E você? Está gostando de morar aqui?

— Sim. — digo sorrindo. — Eu gosto da segurança, gosto da localização. Estou gostando muito.

Apesar daquele fato, eu gosto da experiência de morar aqui.

Mamãe, posso mostrar a minha neneca nova pra Gaga?

— Claro que sim, meu amor.

Ella pula do colo de Gail e vai correndo para o seu quarto.

— Ana, desculpa perguntar, mas... Está tudo bem? Achei você um pouco tensa.

— Estou com alguns problemas, Gail.

— É com o pai da Ella?

Um bolo se forma na minha garganta. O meu coração acelerado.

— A Ella não tem pai. — digo séria. — A minha filha é produção independente. Ela tem um genitor que sequer conhece ela.

— Deus! Me desculpa, Ana. Me desculpa, eu não sabia, eu imaginei que... — eu a interrompo.

— Não, tudo bem. Sem problemas. Eu só não gosto de falar sobre isso... Ele me machucou muito... E ele não faz parte da vida da minha filha.

— Ele não quis assumir a paternidade?

— Não. — pisco tentando afastar as lágrimas.

Eu odeio que mesmo depois de tanto tempo essa história ainda tem o poder de me fazer ficar mal, de me fazer sofrer.

— Sinto muito, querida. A Ella é uma criança incrível, linda, saudável, feliz. E você também é uma mãe espetacular, responsável, atenciosa, cuidadosa.

Sorrimos uma pra outra.

— Obrigada, Gail.

***

Hoje eu acordei me sentindo estranha.
O meu peito pesado.

Acordei sentindo uma sensação esquisita. Uma sensação de que algo vai acontecer...

Eu não gosto de me sentir assim.

Mas a minha manhã foi absolutamente normal, eu acordei cedo como de costume, levei an Ella para a escola, a minha filha hoje estava bem animada inclusive.
Eu fico muito feliz por ver aquele serzinho lindo sorrindo, mas eu tenho que admitir que ainda estou muito abalada por saber que o Christian está tão perto da minha filha.

A presença dele me incomoda.

E saber que ele pode me ver com a Ella no elevador, no estacionamento, ou até mesmo ir no meu apartamento, está tirando a minha paz.

Eu preciso conversar com o meu pai e começar a procurar por novos apartamentos. Talvez eu possa alugar o meu atual, é um bom apartamento, e tem uma excelente localização, eu posso alugar com muita facilidade e por um bom preço.

Eu não estaria fugindo do Christian, eu estaria me preservando e preservando a minha filha.
Seria pelo bem da Ella.

Eu estaria protegendo a minha filha dele.

Eu não quero ter que ficar fugindo e me escondendo pra sempre. A minha filha só tem três anos, eu preciso estar o mais estável possível por ela, eu tenho que ter certeza sobre as minhas decisões, porque elas implicam diretamente na vida da minha filha.

Eu devo pensar primeiro na Ella.

Sempre foi assim e não é agora que eu vou agir diferente.

E pensar na Ella também significa que eu devo manter o Christian o mais longe possível da minha filha. Ele foi um idiota em todos os sentidos e em todas as oportunidades possíveis, eu fui humilhada e muito machucada. Eu não quero que a minha filha sofra a dor da rejeição.

Eu não quero que a minha filha sofra.

***

Eu curto a foto das minhas amigas.

A Mia postou uma foto linda dela e da Kate. As duas me chamaram para sair hoje com elas, parece que vai acontecer uma festa. Eu poderia até aceitar, já que a Ella hoje está com os meus pais. Porém eu preciso analisar alguns manuscritos, alguns contratos, e nada melhor do que fazer isso hoje, já que estou sozinha em casa e posso trabalhar com mais calma.

Domingo eu vou buscar a Ella, e quero aproveitar para passar o dia inteiro com a minha menina. Ir ao parque, tomar sorvete, e aproveitar para almoçar com os meus pais, como eu prometi para a minha mãe quando eu fui deixar a minha filha lá.
Desde que viemos morar só nós duas aqui e começamos com a rotina, eu tenho buscado priorizar ter um tempo de qualidade com a minha filha.

A minha campainha toca.

Eu enfio os meus papéis na pasta e coloco na mesinha de centro.

Me levanto e ajeito os meus cabelos.

Abro a porta.
O meu coração bate mais forte.

Sério?

— Ana.

O Christian.

O que ele quer?

— Eu preciso falar com você. — ele diz sério.

— Christian, eu não tenho nada pra falar com você... — eu já paguei pelo estrago que fiz no carro dele. Não temos o que falar. Respiro fundo. — Nós não temos nada pra falar.

Eu não quero falar com ele. Não quero ter que conversar sobre nada com o Christian.

— Sim, Anastasia. Nós precisamos falar sobre a nossa filha.

O que?





{...}

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