Capítulo 70

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Christian

— E quais chances eu tenho? — pergunto para o Erick.

Eu o chamei aqui. Ele é especialista nesses casos, é um excelente advogado e é uma referência no mercado.
Assim como o Jack, eu e ele não temos bem uma amizade, contudo eu o admiro como profissional, e sei que entregar essa causa nas suas mãos pode ser algo muito inteligente a se fazer.

— Se o dna der positivo você tem todas as chances de conseguir a guarda compartilhada. Você sendo o pai biológico você poderá conviver com a menor.

Vai dar positivo, é óbvio que a Ella é minha filha, ela é idêntica a mim.
E eu confesso que tenho muito orgulho disso, tenho muito orgulho de ter uma filha, e principalmente por ela ser muito parecida comigo.
E sem contar que eu sei que na época eu era o único para a Ana, ela sempre teve um caráter admirável.

Fui eu que fui o cafageste da história.

— Caso seja provado legalmente que a menor é mesmo a sua filha, você consegue a guarda compartilhada. A mãe da sua filha pode até tentar contestar alguma coisa, mas ela dificilmente conseguiria algo. — sorrio. Saber disso me enche de esperanças. — Você quer abrir o processo agora? — nego.

— Não, ainda não. — pelo menos não agora.

Eu quero dar algum tempo para a Anastasia, de certa forma ela tem o direito de não me querer por perto.
E agora não quero ser tão radical ao ponto de simplesmente entrar com um processo contra ela.
A Ana teria ainda mais aversão a mim, e eu não quero isso, não quero isso de forma alguma. Eu quero manter a nossa relação o mais agradável possível, pela nossa filha, pela Ella.

Por nós.

***

— Senhor Grey! — Gretta sorri ao abrir a porta.

— A minha mãe está? — pergunto.

Preciso conversar com a minha mãe.

— Não, ela já foi para o hospital... Christian, me desculpa perguntar, mas como a menina está?

Eu olho para ela sem entender.

— Ela ainda continua internada. É uma pena, sabe? Uma criança tão novinha internada.

— O que aconteceu?

— Você não sabe? — nego. Meu coração acelerado. — A Ella está internada. A senhora Grey e o senhor Grey estão desesperados.

O que?
Internada?

— Onde a minha filha está?

— No hospital que a sua mãe trabalha.

Eu preciso saber o que está acontecendo com a minha filha.

***

— Boa tarde, no que posso ajudar? — a recepcionista sorri.

— Eu gostaria de saber como a minha filha está.

— Nome?

— Ella Steele.

Um nó se forma na minha garganta. Saber que a minha filha não tem o meu sobrenome, por minha causa acaba comigo.

Minha culpa.

— Ela está internada. Ainda sem muitas informações. Os familiares estão aguardando na sala de espera.

Eu concordo e sigo para a sala de espera.

Raymond Steele logo percebe a minha presença.

Ele me olha, raiva enchendo os seus olhos. Raymond levanta com um pulo.

— O que você está fazendo aqui? — ele pergunta em um tom de voz alterado.

Anastasia olha para mim. Os seus olhos estão vermelhos e ela está com um semblante cansado.

— Eu vim ver a minha filha. Eu quero saber como a Ella está.

— Sua filha? Seu moleque. — Raymond tenta avançar em mim. Mas a Carla pula na frente, o impedindo.

— Raymond, não. Não é hora pra isso. Nós precisamos pensar na Ella.

— Eu não quero esse moleque perto da minha neta!

— A Ella é minha filha! Eu quero e vou ficar aqui. Eu preciso saber como a minha filha está. — digo firme.

Não é justo que me impeçam de saber como a minha filha está. Eu preciso saber como a Ella está, eu quero ficar aqui.

Carla puxa Raymond para fora da sala de espera.

O meu pai, que até então estava somente observando a cena, se levanta, ajeita o paletó e sai do ambiente.

Eu me aproximo da Ana.

— Ana...

— O que você quer aqui, Christian? — posso sentir como ela está cansada, pelo seu tom de voz.

— Eu preciso saber como a nossa filha está.

— Christian... — o meu nome sai dos seus lábios como um suspiro cansado. A interrompo.

— Vamos deixar para conversar depois, mas eu quero que você saiba que eu não vou sair daqui enquanto eu não souber o que está acontecendo com a nossa filha.

Anastasia me olha uma última vez e volta a abaixar a cabeça. Ela está claramente cansada.

— O que aconteceu com a Ella? — ela levanta a cabeça e olha pra mim, os seus olhos vermelhos, agora marejados.

— A Ella estava com febre alta, quase convulsionando. — ela abaixa a cabeça novamente.

— Eu vou comprar algo pra você comer, querida. — a Eva diz acariciando as costas da Ana.

— Eu não estou com fome, Eva, obrigada.

— Mas você precisa se alimentar, Ana, eu vou trazer pelo menos um café. Você já está há muito tempo aqui. — a Eva sai.

Eu me sento do lado da Ana.

Ela sequer olha pra mim. A minha vontade é abraça-lá, cuidar dela como ela merece. Mas eu sei que se eu fizesse isso eu ganharia uma bofetada.

E talvez eu mereça mesmo.







{...}

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