Capítulo 73

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Christian

Eu me sinto muito mais aliviado. A minha filha está se recuperando.
Depois de quase uma semana internada a Ella está mais corada, sem tosse e febre. Os exames também mostram que ela está bem. E é só uma questão de tempo até que ela saia do hospital.

Eu entro no quarto.

Ana está sentada ao lado da Ella. Ela está penteando os cabelos da Ella.

Chlis. — Ella grita animada quando me vê.

Eu me aproximo da cama.

— Trouxe um presente pra você.

No caminho para o hospital passei no shopping e comprei uma boneca linda.

Mamãe, ajuda eu.— a Ana olha para mim desconfiada, mas ajuda a Ella a abrir o embrulho. — Uma neneca plincesa. Obligada.

— De nada, meu amor. — eu beijo a sua bochecha.

Me sento do seu lado. Observo a Ana ajeitar os cabelos da nossa filha.

Ela de fato cuida muito bem da Ella, ela se dedica muito. E eu admiro muito, porque eu sei que eu não fui homem suficiente. Mas ela não, ela sempre foi uma mãe presente.

Mamãe, o Chlis pode blincar comigo na nossa casa?

Anastasia olha pra mim claramente desconfortável.

— Claro, meu amor. — pela sua voz eu consigo perceber como ela está se esforçando pra transparecer pra nossa filha que está tudo bem.

Mas a verdade é de fato outra.

Eba!

Anastasia está bem incomodada com a minha presença, com a minha proximidade.
Eu entendo ela, mas a Ella é nossa filha. Eu tenho esse direito, e ela tem que aceitar isso.

Não demora pra Ella dormir agarrada com a sua boneca nova.
Ella ainda está tomando alguns remédios, então ela está sentindo muito sono.

Ana ignora a minha presença e continua acariciando os cabelos da nossa filha.

— Ana, podemos conversar?

Ela olha pra mim e concorda.
Nós dois saímos do quarto.

— Eu quero saber como vai ficar a nossa situação. Eu quero acompanhar o processo de recuperação da nossa filha e...

— Eu vou ficar na casa dos meus pais. — Ana me corta.

— Não. — digo firme.

Eu sei que se ela ficar na casa dos pais eu não vou ver mais a minha filha. Raymond será capaz de proibir a minha entrada sempre que eu tentar ver a minha filha.

— Eu não quero ter que ficar longe da minha filha. Eu quero te ajudar a cuidar da Ella, isso também é minha responsabilidade.

— Sua responsabilidade? — Ana ri ironicamente. — Nem pensar.

— Ana...

— Quando você vai entender que eu te quero longe da minha filha?

— Anastasia, isso não envolve apenas você! Isso envolve a Ella, é da nossa filha que nós estamos falando. O melhor pra Ella é que nós dois cuidemos dela juntos.

— E desde quando você sabe o que é o melhor para a minha filha? Você sequer conhece a Ella, Christian!

— Eu não vou discutir com você. Eu só quero que você deixe tudo de lado e pense na nossa filha. Eu só quero ajudar. Você sabe que voltar para o seu apartamento é o melhor a se fazer. Eu posso ficar perto da Ella. Ficar perto de vocês... — ela desvia os olhos dos meus. — Eu quero ficar perto da nossa filha.

Anastasia olha pra mim por um tempo.

— Eu vou ficar com a minha filha. — ela volta a entrar no quarto.

Eu de verdade espero que Anastasia considere o meu ponto. É o melhor pra nossa filha e ela sabe disso.
Eu ficaria mais perto da Ella, mais perto da Ana...

***

Eu passei no meu apartamento, tomei um banho rápido e troquei de roupa.
Já estou a alguns dias no hospital com Ana e com a minha filha.

Também passei rapidamente no shopping, e comprei um presentinho pra Ella. Eu sei que eu estou mimando a minha filha, mas eu confesso que estou gostando disso, eu quero e vou comprar tudo que Ella quiser.

Chlis! — Ella abre um sorriso quando me vê.

Eu caminho até a cama.

— Trouxe um presente pra você. — entrego o kit de massinhas pra Ella.

Ella sorri pra mim. O sorriso lindo.

O mesmo sorriso da Ana.

— Christian, eu preciso conversar com você. — Ana diz me surpreendendo. — Podemos conversar?

Concordo.

— Claro.

Nós dois saímos do quarto deixando a Ella brincando.

— Eu pensei sobre a proposta que você me fez ontem. — ela diz.

Meu coração acelera e uma chama de esperança se acende.

— Eu não vou voltar pro meu apartamento agora. Não acho que seja a melhor opção pra mim e pra minha filha.

Os meus ombros caem. Decepção me enchendo.

— Você acha isso justo? Você acha justo eu não poder ficar perto da minha filha?!

— Eu só estou pensando na minha filha! E eu não tenho que te dar satisfação sobre a minha vida.

— Sim, você tem! Desde o momento que as suas decisões envolvem a minha filha! — digo com raiva. Anastasia não tem o direito de me afastar da Ella. — Eu sou o pai da Ella! — grito. — Ela é sua filha tanto quanto minha!

— Nem você acredita nisso, Christian. Você não sabe o que é ser pai. E outra, você não é o pai da minha filha.

Raiva enche o meu peito. Ela quer me afastar da minha filha de propósito.

— Anastasia, você querendo ou não eu sou o pai da Ella. E eu não vou desistir de participar da vida da nossa filha.

Eu respiro fundo e saio.

Eu preciso pensar, colocar as ideias no lugar...
Anastasia pode estar sendo dura e infexivel comigo, mas eu preciso insistir.

Eu quero ter a minha filha por perto.

Quero ser o pai que a nossa filha merece. A nossa Ella.


















{...}

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