Anastasia
— Mamãe. — eu pego a Ella no colo e encho as suas bochechas de beijos.
— Amor, senti saudades.
Eu deixei ela passar o final de semana inteiro com a Grace e o Carrick. Têm sido muito difícil pra mim, mas a Ella está adorando isso. Eu tenho revezado em deixar ela com os meus pais e com a Grace e o Carrick. Ela precisa ter esse contato com os avós.
— Quer alguma coisa, Grace?
— Não, não precisa se incomodar. Eu só vim deixar a Ella aqui. Vou para o hospital agora.
Mas apareça lá em casa para conversamos mais.
Eu levo Grace até a porta.
— Mamãe, quelo sorvetinho.
— Amanhã nós vamos na casa da vovó Carla e do vovô Ray e depois vamos tomar um sorvetinho, que tal? — Ella concorda animada. — Agora vamos tomar um banho gostoso e dormir.
Ella pula do sofá para o meu colo. Eu beijo a sua bochecha.
***
— E aquele assunto? — a minha mãe pergunta. Estamos só nós duas na cozinha. O meu pai está brincando com a Ella no jardim.
Eu suspiro.
Christian.
— Ele voltou a te procurar?
— Não. E eu acho melhor assim, ele sabe que se depender de mim ele nunca vai conhecer a minha filha.
Eu não quero que o Christian sequer saiba como a Ella é. Ele não tem direito a isso.
— Filha, você sabe que deveria agir de outra forma, não sabe? Talvez você devesse aceitar ter uma conversa com o Christian, escutar o que ele tem a te dizer.
— O que ele tem a me dizer, mãe? Ele sequer queria que eu seguisse com a gravidez, nunca me procurou antes, nunca sequer quis saber da minha filha, não é justo que agora eu aceite ouvi-ló só porque ele quer. Eu não quero que ele chegue perto da Ella.
— Eu te entendo, Ana. Entendo de verdade. Mas você precisa entender que a Ella precisa de um pai.
— Não. A minha filha não precisa dele. — a Ella só precisa de mim, eu sou a mãe dela.
Desde que a Ella nasceu eu tenho cumprido esse papel sozinha.
— Ana, a Ella só tem três anos, ela pode não entender agora, mas um dia ela vai perguntar, ela vai querer saber sobre o pai. Ela vai perguntar porque tem contato com a família paterna, mas não conhece o pai. E um dia, você querendo ou não, ela vai chegar até o Christian. É inevitável, filha.
Meus olhos ficam marejados.
— Eu acredito que a melhor alternativa seja que você aceite ter essa conversa com o pai da sua filha. Vocês estão precisam se entender e chegar a um acordo.
— Não tem acordo nenhum, mãe. Eu não quero conversar com o Christian.
— Você precisa. Ele fez o que fez, mas ainda assim é o pai biológico da Ella.
— Ele é o genitor. Ele não é pai, mãe. Nunca foi. Eu não quero e não vou permitir que a Ella se aproxime de alguém como o Christian.
— Ele pode ser o genitor que se manteve omisso durante esses três anos, mas agora ele quer participar da vida da minha neta. E querendo ou não, ele é o pai da Ella, de uma forma ou de outra tem esse direito.
E eu odeio isso.
O Christian foi um nojento comigo, com aquela aposta baixa e suja.
Eu odeio sequer lembrar daquela história toda. A única coisa boa que aconteceu no meio daquilo tudo foi a minha filha. E ainda assim é inevitável esquecer que a minha filha é fruto disso.
No meio de toda aquela história o Christian agiu como um idiota, um babaca da pior espécie, ele quase me fez perder a minha filha, ele foi baixo, e eu não consigo esquecer isso.
— Eu te entendo, de verdade, Ana. Eu sei o que aconteceu, e sei que tudo ainda mexe muito com você.
— Eu só queria esquecer isso. — eu estou cansada.
— Eu sei, meu amor. — ela beija o dorso da minha mão.
— Eu não queria que o Christian tivesse voltado pras nossas vidas.
— Eu sei, Ana. Mas você precisa encarar isso com maturidade e clareza. Você não pode agir pela emoção, isso pode afetar a Ella. — essa é a última coisa que eu quero. — Eu sei sobre tudo o que aconteceu, e sei o que você pensa sobre isso, e como sua mãe eu tenho o dever de te apoiar nas suas decisões, mas eu também preciso falar a verdade e te ajudar a enxergar as coisas como elas são.
— Eu posso dormir aqui hoje?
— Claro que sim, meu bem. Essa nunca deixou de ser a sua casa.
Quero passar mais tempo com os meus pais, tentar esquecer um pouco esse assunto. Não quero correr o risco de encontrar o Christian por acaso, ou que ele bata na porta da minha casa reivindicando o direito de conhecer a Ella.
Hoje não. Eu não tenho mais energia pra isso.
Eu só quero esquecer essa história, pelo menos por hoje.
{...}
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A APOSTA
FanfictionAté onde um homem consegue ir para conseguir o que quer? Até onde Christian Grey consegue ir por uma aposta? A ambição para não ferir o próprio orgulho, pode ser a maior inimiga de qualquer ser humano, principalmente para os que não conseguem lida...
