Capítulo 68

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Anastasia

— Ana, podemos conversar? — o Carrick pergunta ao entrar na minha sala.

— Sim, claro.

Eu já sei até sobre o que se trata.

— Eu quis esperar alguns dias pra te dar o tempo que você precisava pra pensar. — já fazem três dias desde o último dia que a Ella esteve na casa dos avós, três dias daquele episódio desagradável. — Eu venho aqui como avô, eu sei que o que a Grace fez foi desrespeitoso, mas nós estamos sentindo muita falta da nossa neta. Não vamos conseguir ficar sem vê-la. Você sabe como ela é importante para nós. A Ella também é a nossa família.

— Eu sei. A Ella também está sentindo falta de vocês. Se vocês quiserem podem ir vê-la. — a Eva vai estar em casa, com a Ella, então tenho certeza que as coisas vão ser da forma que eu acho melhor, sem o Christian por perto.

— Obrigado por isso, Ana. A Grace e eu iremos visitar a nossa neta.

***

— Anastasia, espera! — eu olho para trás e vejo o Christian. Eu ignoro e continuo fazendo o meu caminho para fora do estacionamento.

Eu não tenho nada para falar com ele.

Não quero perder o meu tempo com isso.

— Eu preciso falar com você. Nós precisamos conversar. — o Christian pula na minha frente bloqueando o meu caminho.

— Eu não quero conversar com você.

— Eu quero ver a Ella, Anastasia. É o meu direito como pai.

— Ver a Ella? Ver a minha filha?

— Eu tenho direito. Eu sou o pai dela.

— Pai? Você não sabe o que é ser pai.

Ele nunca foi pai. Nunca foi o pai da minha filha.

— Eu posso ter errado muito no passado, mas eu sou o pai sim. E eu já disse, Anastasia, ou você me deixa participar da vida da nossa filha ou eu vou em busca dos meios legais.

— Você acha que isso vai me fazer permitir que a minha filha fique perto de você? Você não merece isso. A Ella é minha filha! As suas ameaças não me dão medo, Christian. Eu sempre criei a Ella sozinha.

— Eu não estou ameaçando você. Desculpa. — ele esfrega o rosto. — Eu não quero que isso soe em tom de ameaça. Eu só quero ser o pai que a Ella merece. Eu tenho o direito de participar da vida da nossa filha também.

— Sua filha? Você sempre encheu a boca pra dizer que eu estava te dando o golpe da barriga, Christian. Me esquece. Esquece a minha filha.

— Nunca.

— Faz o que você achar melhor então, mas da vida da minha filha cuido eu. A Ella não precisa de você, eu sempre fui o pai e a mãe da minha filha.

Eu me esquivo dele e faço o meu caminho para o meu apartamento.

***

— Ele não tem o direito de fazer isso. — o meu pai diz exaltado.

Eu vim jantar com eles hoje, e aproveitei e contei tudo.

Não quero carregar isso sozinha.

Se o Christian realmente quiser seguir com um processo vou precisar do amparo e apoio emocional dos meus pais.

— Ele tem alguma chance de ganhar uma guarda compartilhada, Ethan? — a minha mãe pergunta.

O meu irmão respira fundo e concorda.

— Ele tem sim chances de conseguir uma guarda compartilhada, porque ele é o pai biológico da Ella.

— E se eu afirmar que o Christian não é o pai da Ella... Ele ainda assim teria alguma chance? — pergunto com um fio de esperança.

Eu faria qualquer coisa pelo bem-estar da minha filha. E se declarar que o Christian não é o pai biológico da Ella significasse que ele não teria o direito de reivindicar nada, eu faria, mesmo que isso significasse ter que mentir.

— Ele pediria um teste de dna. Você conseguiria retardar a audiência por algum tempo, talvez, mas quando o resultado do teste de dna saísse, a guarda da Ella seria de vocês dois, com toda certeza. Ele é o pai biológico.

— Ethan, aquele infeliz não tem o direito de se aproximar da minha neta! — meu pai diz alterado. — Moleque.

— Eu concordo que ele foi um babaca, mas aos olhos da justiça ele tem sim direitos. — meu irmão conclui. — Ele é o pai biológico, quer participar da vida da Ella, tudo aparentemente direciona para a guarda compartilhada.

— Eu preciso de um advogado. — digo, com o coração acelerado. Somente a remota possibilidade me deixa desestabilizada.

— Ethan, veja quantos advogados forem necessários. Porque se depender de mim aquele moleque não chega perto da minha neta. — o meu pai olha pra mim. — Se você preferir, filha, você pode voltar aqui pra casa, para ficar longe daquele desgraçado.

— Não, a Ella já se acostumou com o apartamento, eu não quero bagunçar mais a rotina dela, pai.

Esses últimos dias foram bem estressantes pra mim e pra ela. Quebrar a rotina não permitindo que a Ella vá para a casa dos avós de uma forma ou de outra mexeu sim com a minha filha. E eu não quero mudar toda a rotina da minha filha por causa do Christian.

Ele sequer merece ter tanta importância na nossa vida a ponto de me fazer mudar tudo.

— Ana, você pode contar conosco para o que precisar. — a minha mãe segura a minha mão. — Estamos aqui, com você e com a Ella. Eu vou te apoiar sempre.

Eu realmente vou precisar...
















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