Capítulo 75

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Anastasia

— Quem é esse cara, Anastasia?

O que? Isso é sério?

— Eu não tenho que te dar satisfações sobre a minha vida, Christian. — digo firme, sem desviar o olhar.

Quem o Christian pensa que é?

— Ana, eu já vou indo. Depois nos falamos. — Paul diz com a gentileza de sempre. Ele segura a minha mão com delicadeza e beija o dorso. — Eu te ligo. — concordo e o acompanho até a porta. Eu me estico e beijo a sua bochecha. — Foi ótimo te reencontrar.

— Tchau, Paul. Foi bom te ver.

Paul acena, simpático, e vai embora.

Christian observa em silêncio, o seu rosto uma máscara séria.

A porta mal se fecha e o Christian explode.

— Quem é esse idiota?

— O quê? — eu quase rio, é muita audácia. — O idiota aqui é você! — estalo. — Olha como você fala comigo, eu não tenho que te dar explicações.

— Quem é esse cara? — ele insiste. Eu reviro os olhos.

— O que você quer, Christian?

Ele respira fundo, os seus olhos em mim.

— Eu fiquei sabendo que você estava aqui, e eu vim pedir pra ver a minha filha. Você sequer permitiu que eu acompanhasse a nossa filha durante a alta.

O meu pai ficou furioso com a proximidade do Christian, e ele me incentivou a não deixar que o Christian nos acompanhasse até em casa. E foi a melhor coisa que eu fiz, sinceramente.

— Não. Você não vai mais ver a minha filha.

— Você vai insistir com isso? — ele avança um passo. — Você vai afastar a nossa filha do pai dela?

Eu sinto o sangue subir, quente e rápido.

Quem ele pensa que é pra falar assim comigo?

— Você nunca foi o pai da Ella, Christian. — digo, as minhas palavras cortando o ar entre nós. — Você não sabe o que é ser pai. E eu tenho certeza que não deixar a minha filha sequer chegar perto de você é a minha melhor escolha.

— Eu sou o pai da Ella. Eu tenho os meus direitos.

— Voce não tem direito nenhum. — devolvo. Levanto o queixo, nossos olhos travando uma batalha. — Você nunca foi pai, você é o genitor, pai não.

Definitivamente.

— Você não pode me afastar da nossa filha.

— Eu posso e vou. Você não quis a minha filha um dia, agora sou eu que não quero que você chegue perto da Ella. — eu abro a porta, sem hesitar, sem tirar os meus olhos dele. — Agora vai embora. Nós não temos mais o que conversar.

Christian me encara, tenso, a mandíbula travada.

— Eu vou, mas eu não vou desistir de participar da vida da minha filha.

E ele vai.

Quando ele cruza a porta só resta o silêncio.
E o silêncio que fica é tão perturbador, tão pesado, que parece empurrar o meu peito, me esmagando.

Eu estou certa. Eu sei que sim. Não permitir que o Christian entre nas nossas vidas é o melhor que eu posso fazer pela minha filha.

Por mim.
Por nós.

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