Capítulo 71

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Anastasia

Eu não consigo pensar em mais nada, apenas na minha filha.
Já tem um bom tempo que ela foi levada para fazer alguns exames e até agora nada. A única coisa que nos falaram é que a Ella vai precisar ficar internada.

Isso acabou comigo.

O meu coração está tão apertado, eu estou tão preocupada...
Isso nunca aconteceu antes. A minha filha nunca ficou internada.

E para completar o meu pai quase agrediu o Christian.

Foi horrível.

E por falar em Christian ele ainda está aqui, sentado do meu lado, ele não saiu daqui. Ele simplesmente não entende que não é bem-vindo aqui.

A Grace entra na sala de espera.

Eu me levanto.

— Os exames já ficaram prontos. — me sinto tensa. —Ana, você pode me acompanhar, por favor?

— E nós? — o meu pai praticamente grita.

Ele definitivamente está muito nervoso.

— Eu preciso falar com a Anastasia primeiro.

— Eu vou junto. — Christian diz.

— Moleque, nem pensar! Você não tem o direito! — meu pai diz alterado.

— Eu sou o pai da Ella! Eu tenho o direito de saber o que a minha filha tem!

Ninguém fala mais nada.
Eu sigo a Grace.

Eu já estou tão cansada dessa história, pra mim tanto faz nesse momento, então eu sequer olho para o Christian.

— Sentem-se.

A Grace respira fundo.

— Eu como avó não posso ser a médica responsável por acompanhar o caso da Ella. Mas eu posso acompanhar tudo de perto. E eu acho que sou a pessoa mais indicada para dar a notícia para vocês. — o meu coração fica ainda mais apertado só de pensar no que pode ser. — A Ella está com pneumonia.

Eu arfo. Meus olhos marejados.

— Por isso é crucial que ela fique internada por mais tempo, para que a pneumonia não evolua para algo mais sério. Pela idade da Ella é muito importante ter esse acompanhamento de perto.

— É tão grave assim? — Christian pergunta.

— Eu não vou mentir para vocês, se ela não receber o tratamento adequado pode evoluir para algo ainda mais grave sim. Ella está em um quadro de pneumonia bacteriana, o que por si só já é bem sério. É um caso de pneumonia que deve ser bem assistido.

— Eu posso ver a minha filha? — pergunto chorando. Eu tento controlar as minhas lágrimas, mas eu não consigo. Eu não queria chorar na frente do Christian, mas eu não consigo.

— Eu até poderia tentar liberar a entrada de vocês, mas acredito que a melhor alternativa nesse momento seja deixar a Ella em isolamento, pelo menos por hoje.

— Ela está bem agora? — Christian pergunta.

— Conseguimos estabilizar a febre e estamos administrando soro. Amanhã eu libero a entrada de vocês. Não se preocupem, ela está medicada e deve dormir até amanhã, fiquem tranquilos porque eu vou ficar por perto. É melhor vocês irem pra casa, descansar, amanhã vocês conseguem ver a filha de vocês.

— Minha. Minha filha. — digo firme.

— Anastasia, eu acho que não preciso te lembrar que a Ella é minha filha também não é?

— Acho que não é hora e nem lugar para vocês discutirem isso. Devemos pensar no bem da Ella.

— Você tem razão. A minha filha é o que importa nesse momento.

***

— Ana, vamos aproveitar esse tempo que vamos passar juntos e conversar. — o Christian entra na minha frente quando estou fazendo o meu caminho de volta para a sala de recepção.

— Christian, eu não tenho nada para falar com você. E outra, é melhor você ir embora! Faz o que a sua mãe aconselhou e vai pra casa, me deixa em paz.

— Eu não vou sair daqui. Eu quero ver a minha filha!

— Sua? Você tem certeza que é sua mesmo?

Eu vou jogar baixo. Assim como ele sempre fez.
Christian já me disse uma vez que não tinha certeza que a Ella era sua filha, talvez seja o momento de aproveitar isso.

— É sério que você vai fazer isso?

— Você não tem certeza que ela é sua. Eu posso ter te enganado, não posso?

— É claro que eu tenho certeza que a Ella é minha filha! Ela é nossa filha e nós dois sabemos muito bem disso. A Ella só pode ser minha filha. — idiota. — A Ella se parece comigo, se parece com nós dois, porque nós somos os pais da Ella.

Esse detalhe me trai, a Ella se parece muito com o Christian.

— Você não tem certeza de nada! Você não tem um teste de dna que comprove isso.

— Eu tenho certeza que ela é minha filha Anastasia, e é óbvio que você também sabe disso.

— Você já encheu tanto a boca pra falar que eu tinha engravidado de outro pra te prender, talvez seja verdade mesmo. Você não tem um teste de dna.

— Sério que você vai ser egoísta ao ponto de fazer isso? Você sabe que se nós irmos às vias judiciais a nossa filha vai ser exposta a um estresse desnecessário.

— Eu sou egoista?! Egoista é você. — digo alterada. — Você que sempre foi egoista, você sempre só pensou em você! Você sempre só fez o que você quis e quando você quis! O egoista aqui é você.

— Eu sei que eu fui um filho da puta quando fiz aquela aposta.

— Para, eu não quero falar sobre isso.

Eu não admito que ele fale sobre isso agora.
Eu não admito que ele faça isso comigo!

— Eu sei que eu fui egoista quando eu fiz o que eu fiz, eu fui um cafajeste. Mas eu juro, Ana. Eu me arrependo todos os dias de ter feito aquela aposta idiota.

O impulso que tenho é de acertar uma bofetada no seu rosto.
Não consigo controlar as lágrimas.

— Você não tem o direito de falar sobre isso! — ele não tem o direito de cutucar essa ferida. — Você é um idiota egoísta, sempre foi e sempre vai ser.

Ele esfrega a bochecha.

— Eu te machuquei muito, e eu vou me arrepender pelo resto da minha vida por tudo que eu fiz.

— Christian, faz como você fez nos últimos anos e me esquece! Esquece a minha filha!

Eu saio da sala.

Eu corro para o banheiro feminino. Me tranco dentro de uma cabine e eu choro em silêncio.

É a pior sensação, e eu não me sentia assim a muitos anos. Lembrar daquela aposta nojenta acaba comigo. Eu escolhi enterrar todos os sentimentos ruins, toda a dor que eu senti... Eu não consigo pensar sobre aquela aposta nojenta sem sentir dor, até os meus ossos doem.

E para completar tudo a minha filha que só tem três anos de idade está internada, e isso acaba comigo.

Eu me sinto tão impotente. Eu me sinto tão desprotegida, exposta.

Me sinto nua.











(...)

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