Anastasia
— O que? — eu não consigo acreditar no que eu acabei de ouvir.
Eu prefiro acreditar que eu ouvi mal. Muito mal.
Eu só posso estar enganada.
Eu preciso estar enganada, porque isso é completamente absurdo.
— Eu quero conhecer a nossa filha.
— Nossa filha? — eu pisco freneticamente tentando entender o que eu acabei de ouvir. — Quem você pensa que é? — eu sinto vontade de gritar.
Raiva enchendo o meu peito, o meu coração acelerado.
— Eu sou o pai da nossa filha. Eu sou o pai da Ella.
É quase que instantâneo, eu não penso, e acerto um tapa no seu rosto.
O Christian esfrega a bochecha. Ele olha pra mim sem acreditar, o seu rosto coberto de surpresa e indignação.
Ele não tem o direito de falar sequer o nome da minha filha!
— Pai da minha filha? Não. Você não é o pai da minha filha! — digo firme. Eu sinto o gosto amargo do ressentimento.
Quem ele pensa que é?
— Anastasia, a Ella também é minha filha. Você não pode ser egoista e me negar o direito de conhecer a minha filha! A Ella é nossa filha.
Egoísta?
Agora eu sou a egoísta da história?
Eu não hesito e acerto outra bofetada nele.
Christian esfrega a bochecha e me olha claramente inconformado.
— Você não tem o direito de falar sobre a minha filha. — digo firme.
— Eu sou o pai da Ella, Anastasia. Quer você queira ou não, a Ella também é minha filha. Eu também tenho direitos sobre ela.
— Você não é nada da minha filha. A sua presença não faz a menor diferença nas nossas vidas. Você não tem o direito de sequer pensar na minha filha. Você não é o pai da minha filha! — eu bato a porta com tudo.
***
— O que você quer conversar, Ana? Por que me chamou assim? Você parece tão preocupada. — eu precisava conversar com a minha mãe. Eu preciso desabafar com alguém. — Você está pálida, filha. — ela agarra as minhas mãos. — Está gelada. O que aconteceu?
— Mãe, aconteceu uma coisa horrível.
Mamãe me olha apreensiva, vejo a preocupação brilhando nos seus olhos.
— O Christian...
— O que aconteceu? Vocês voltaram a se encontrar? Ele te procurou? Eu pensei que depois de resolverem a questão do carro ficaria tudo bem e... — eu a interrompo.
— É muito pior, mãe, ele fez mais do que só me procurar. — digo com a voz trêmula. — Ele me procurou pra falar sobre a Ella, mãe. — a minha mãe arregala os olhos. — Ele veio aqui me colocar contra a parede, ele me cobrou... Ele disse que quer participar da vida da minha filha, mãe. — digo entre lágrimas. — Ele quer ficar perto da minha filha. Isso não é justo. Ele não tem o direito de sequer chegar perto da Ella.
A minha mãe respira fundo e aperta as minhas mãos.
— Ele não tem o direito de querer participar da vida da minha filha.
— As coisas não são assim, Ana. — olho pra minha mãe sem entender.
Como assim as coisas não são assim?
— Você tem que manter a calma, respirar fundo e pensar bem. O Christian errou muito nessa história, eu entendo o seu ressentimento, também entendo os seus medos, mas ele não deixa de ser o pai biológico da Ella.
— Mãe, ele não é pai da minha filha. Eu sempre fui a mãe e o pai da Ella. O Christian não merece. Ele só me fez sofrer, ele sempre rejeitou a minha filha. Ele não tem esse direito de querer se aproximar da Ella agora.
— Eu entendo tudo isso, Ana. Entendo que você ainda está muito magoada, mas nesse momento precisamos ser racionais. Ele é o pai da Ella. Aos olhos da lei e biologicamente falando ele é o pai da Ella.
Infelizmente.
— Eu não quero ele perto da Ella, mãe.
— Eu entendo, meu bem. Eu te entendo perfeitamente.
Me deito no colo da minha mãe. Ela acaricia os meus cabelos.
— Eu não vou suportar isso... — sussurro.
— Você é uma mãe incrível. Sempre foi uma mãe maravilhosa pra Ella. Você agora é uma mulher madura, forte, decidida. Eu entendo os seus medos, você tem todos os motivos possíveis para não querer que o Christian conheça a Ella e faça parte da vida da nossa menina, mas infelizmente nós precisamos ser realistas. — ela beija a minha testa. — Não se esqueça que você não está sozinha, nunca. Eu e o seu pai vamos te apoiar sempre.
Esse apoio, essa rede de apoio é tão importante pra mim. Eu me sinto tão segura sabendo que eu posso contar com os meus pais independente de qualquer coisa.
— Eu e o seu pai estamos aqui, e nós iremos te ajudar a resolver essa situação da melhor maneira possível, sem que você e a nossa Ella saiam machucadas dessa história. Estou aqui, filha. Você pode contar comigo sempre.
{...}
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A APOSTA
FanfictionAté onde um homem consegue ir para conseguir o que quer? Até onde Christian Grey consegue ir por uma aposta? A ambição para não ferir o próprio orgulho, pode ser a maior inimiga de qualquer ser humano, principalmente para os que não conseguem lida...
