Christian
Anastasia não reagiu da melhor forma. Mas eu já imaginava que seria um desastre tentar conversar com ela sobre a nossa filha.
Mas eu não posso negar a minha frustração. Ela está irredutível, e eu entendo isso, mas não aceito. Não é justo comigo, com a nossa filha.
Eu sei que eu fui um cafageste, eu sei que eu fui o pior dos homens com a Ana, eu não deveria ter me comportado daquela forma, mas eu me arrependi e me arrependo todos os dias pelo que eu fiz, por todas as minhas atitudes...
A minha mãe tem razão, eu não fui homem, não fui maduro o suficiente para assumir a criança e eu sei disso. Mas eu tentei procurar a Ana. Eu queria encontrar ela, eu queria pedir perdão, queria me redimir com ela e eu queria sim participar da vida da nossa criança... Mas ninguém estava ao meu lado e eu simplesmente não sabia por onde começar. Eu não sabia o que fazer naquele momento e todos me viraram as costas.
E então eu me afundei.
Eu vi todos a minha volta me negarem. E quando eu procurei a minha mãe desesperado para saber sobre o meu filho ela simplesmente me disse que não havia mais criança nenhuma, que a Ana havia perdido a criança por minha culpa, por todo estresse que eu havia proporcionado a ela... Mas a minha mãe mentiu, e no meio da mentira me fez prometer nunca procurar por Anastasia, porque eu já havia causado dor demais a ela, que ela não merecia alguém como eu por perto.
E foi o pior choque de realidade possível.
E eu acreditei.
Eu quis sumir. Eu me culpei todos os dias, por todos esses anos. Eu achava que nunca ia conseguir ser feliz novamente, que eu nunca mais teria a chance de ser perdoado... Que eu estava fadado a infelicidade.
Até alguns dias atrás o meu destino seria me redimir com a Leila e aceitar me casar com ela de uma vez por todas, eu pensava que o meu futuro deveria ser ao lado de uma mulher que eu sequer quero por perto... Mas agora eu tenho motivos para querer mudar isso. Eu quero criar a minha filha, eu já perdi tempo demais longe dela, e não pretendo mais perder mais tempo.
Agora eu posso mudar tudo.
Eu enterro o rosto nas mãos. E eu choro. Eu choro da mesma maneira que chorei quando eu achava que eu tinha perdido a chance de ser melhor.
Porque de certa forma eu perdi mesmo...
***
Eu preciso tentar mais uma vez. Eu vou tentar mais uma vez.
Eu não consegui dormir essa noite. Na verdade eu sequer consegui fechar os olhos. Eu só conseguia pensar na melhor maneira de abordar a Anastasia para termos uma nova conversa. Ela precisa me ouvir.
Eu preciso fazer ela me ouvir.
Eu preciso provar pra ela que eu posso sim fazer parte da vida da Ella. Eu quero isso. E eu tenho certeza que a minha filha precisa de um pai.
Eu quero e vou fazer parte da vida da Ella.
***
— Christian?! — a Eva arregala os olhos. Surpresa por me ver.
Afinal, já fazem alguns anos.
— Eu quero falar com a Anastasia, é muito importante.
— A Ana não está aqui. — ela é incisiva na resposta.
— Onde ela está? — ela me olha de uma forma que eu tenho certeza de que ela não está disposta a me falar nada sobre a Ana. — Eu preciso falar com ela, Eva. Por favor.
— Não. Eu não posso dizer. Acho que a Ana não gostaria de te ver agora.
Na verdade eu tenho quase certeza, mas não posso desistir agora...
— Eva, eu preciso falar com a Anastasia. É realmente muito importante.
— Eu sinto muito. Eu não quero ver a minha menina sofrer mais uma vez. — Eva diz e fecha a porta.
Esfrego o rosto.
Anastasia mudou muito. Parece ainda mais focada do que antes.
Ela trabalha na empresa do meu pai.
E hoje sendo segunda-feira eu tenho certeza que como ela não está em casa, ela deve estar trabalhando.
Eu vou até a empresa.
***
— Você não pode entrar sem ser anunciado! — eu ignoro o pedido da secretária da Anastasia e entro na sua sala.
Anastasia se levanta imediatamente.
— Ana eu... — a secretária tenta se justificar, mas Anastasia a interrompe.
— Não, tudo bem. Pode deixar.
A secretária sai fechando a porta.
— O que você quer, Christian?! — Anastasia pergunta séria. O seu rosto uma máscara rígida séria e firme.
— Nós ainda temos muito o que conversar.
— Christian, eu já disse. Nós não temos o que conversar.
— Não, Anastasia. Você está enganada, nós devemos sim conversar sobre a nossa filha.
— Não fala da minha filha. — ela diz firme.
— Nossa filha, Anastasia! A Ella também é minha filha.
Eu vejo ela respirar fundo, Anastasia pensa, ela parece regular as emoções antes de me responder.
— Christian, eu não tenho nada pra falar com você. Eu já deixei isso bem claro. Eu não tenho nada para falar sobre a minha filha. Nós não vamos mais conversar sobre isso, chega. Agora por favor, vai embora.
— Não, Anastasia. Eu não estou disposto a sair daqui enquanto nós não falarmos sobre a nossa filha. Eu tenho o direito.
— Você não tem direito a nada, porque pra ter direito é preciso ter deveres. — Ana diz. E eu posso ver mágoa nos seus olhos. E eu me sinto mal, porque de certa forma eu estou a fazendo visitar o passado. — Eu não quero e não vou falar sobre a minha filha com você. Você não merece isso. Seja omisso como você sempre foi, a minha filha não é algo que lhe diz respeito. Agora vai embora, vai embora ou eu vou chamar os seguranças.
Eu respiro fundo.
— Eu vou, mas nós ainda não terminamos esse assunto.
Anastasia continua firme. Séria, e com o peito estufado.
Anastasia não está aberta para conversar sobre a Ella. E isso não é justo. Eu já fiquei longe demais da minha filha e não posso aceitar ficar longe dela por mais tempo.
As coisas não podem permanecer assim. Eu tenho os meus direitos, assim como tenho deveres.
Eu não posso mais adiar isso.
{...}
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A APOSTA
FanfictionAté onde um homem consegue ir para conseguir o que quer? Até onde Christian Grey consegue ir por uma aposta? A ambição para não ferir o próprio orgulho, pode ser a maior inimiga de qualquer ser humano, principalmente para os que não conseguem lida...
