057. POR QUE EXISTO?

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Lorena Viana

– Lorena, a gente ainda precisa do seus exames pra completar o contrato. — Casares, presidente do São Paulo fala comigo quando passa pelo refeitório.

– A clínica me mandou e-mail hoje, vou lá buscar depois que sair daqui. — respondo me levantando da mesa.

– Se você quiser sair mais cedo pra pegar, só avisa o Muricy antes. — me oferece um sorriso. – Preciso pra amanhã.

– Certo. — sorrio de volta.

A atmosfera no CT melhorou consideravelmente após algumas semanas de turbulência desde a saída do Dorival. O novo técnico conseguiu conquistar os jogadores, inclusive, garantir vitórias em alguns jogos, surpreendendo até mesmo o Corinthians na arena, onde o São Paulo historicamente enfrentava dificuldades.

O foco da equipe está totalmente direcionado para a Supercopa, mantendo uma confiança sólida, porém, com humildade. Todos estão cientes de que do outro lado há um time difícil de ser enfrentado.

E sinceramente, esse clima me ajuda bastante. Me tranquiliza. Conviver com essas pessoas aqui de dentro me tira um pouco do foco da bagunça que eu estou internamente.

Às vezes, eu fico pensando nessa minha relação maluca com o Veiga. É tipo um quebra-cabeça louco, com peças que às vezes se encaixam perfeitamente, e às vezes nem tanto. Quando estamos na mesma sintonia, é incrível, chega a ser empolgante. Mas, sei lá, tem horas que as nossas diferenças ficam bem evidentes, criando um desconforto meio estranho.

– Tchau pra vocês viu, até a supercopa. — ajeito minha mochila nas costas.

– Ué, não tá na sua hora de ir embora ainda. — Diego me responde olhando em seu relógio de pulso.

– Agora ela tá assim... — Arboleda se intromete. – Chega atrasada, saí na hora que quer...

– Queria esse contrato também. — o mais insuportável completa puxando a minha mochila.

– Oxê, que eu saiba meu chefe fica lá dentro e ele é o único há quem eu devo satisfação. — meto o tapa em Luciano pra que largue minha mochila.

– Nada disso fia, se a gente não gostasse de você, você nem tava aqui.

– Seu apelido é rato garoto, nem devia opinar em nada. — eles gargalham.

– Além de namorar rival, ainda é folgada. — Luciano diz negando com a cabeça.

– Você namora o Veiga mesmo, papo reto? —um deles insiste.

Fico em silêncio, assistindo todos eles me encarando. Às vezes, algumas coisas são difíceis de explicar, e minha relação com o Veiga é uma delas.

– Não interessa vocês, eu hein. — ajeito minha mochila nas costas me sentindo desconfortável com esse assunto. – Bando de maria fifi.

– Vish, enrolou demais vocês viram né!? — Diego olha pra eles e pra mim. – Teremos gente de dentro torcendo contra nós domingo.

– Eu não faria isso. — arqueo as sombrancelhas. – Mas pelo menos um golzinho o Veiga merece. — debocho, antes de dar as costas e sair.

Eles começam a falar todos de uma vez e eu já apresso meus passos pra não ouvir barbaridade.

Enquanto me preparo para buscar os exames na clínica, reviro mentalmente o dilema dos carros de aplicativo nesta cidade que parece se alimentar do meu salário. A clínica, meio longe daqui, só destaca essa frustração. Metade da minha grana some nesses aplicativos, e confesso que a ideia de investir em um carro próprio vem me tentando. Imagino a liberdade de não depender tanto desse gasto constante e, sinceramente, acho que no longo prazo seria um investimento mais sensato.

𝐏𝐈𝐋𝐀𝐍𝐓𝐑𝐀 - 𝐑𝐀𝐏𝐇𝐀𝐄𝐋 𝐕𝐄𝐈𝐆𝐀.Onde histórias criam vida. Descubra agora