Quando entrei em casa meu pai estava deitado no sofá assistindo TV, era umas 9h quando cheguei e ele veio em minha direção me abraçando.
-''Meu bebezão que saudade que eu senti de você. Essa casa sem tu não é a mesma, sentiu minha falta também né? '' Sentir o abraço do meu pai foi muito confortante. Queria chorar mais, mas não queria preocupar meu pai com o meu choro. Engoli o choro e o abracei mais forte. –''Isso tudo é saudade é? '' Ele disse rindo.
-''Sim pai é muita saudade. '' Ficamos abraçados por uns breves minutos. Eu me solto dele e o mesmo fica me analisando, eu disfarço e vou até a cozinha beber água.
-''É impressão minha ou você andou chorando?'' Meu pai me conhecia muito bem e não era fácil tentar engana-lo.
-''Não pai, pra falar a verdade caiu um cisco no meu olho. E você o que fez na minha ausência? Indaguei mudando de assunto e me ajudou um pouco distrair meu pai. Eu o amo muito, mas quando ele começa com seus interrogatórios chega ser pior que eu e Camile juntas. Por falar nela estou sentindo muita falta da minha amiga.
Queria que ela estivesse aqui eu iria desabafar com ela e a mesma saberia me dar conselhos. Tudo que eu desejo agora é simplesmente sumir da face da terra.
-''Fiquei em casa assistindo filmes, mas enfim como foi á festa? '' Perguntou me analisando. Tenho 99,9 % que ele está desconfiando da minha atitude. Larguei o copo na pia e fui em direção a escada.
-''Foi legal... Eu vou tomar banho e ir descansar um pouco, ok?'' Digo já subindo alguns degraus, porém parei quando meu pai fez outra pergunta.
-''A onde está a sua bolsa? '' perguntou estreitando os olhos. Merda, na pressa de sair da casa de Sayra acabei esquecendo-se de pegar minha bolsa, apesar de que eu nem sabia a onde estava. Inferno.
-''Bolsa? Qual?... '' Vejo que meu pai me olha desconfiado e sei que agora não conseguiria engana-lo e nem tinha como, o mesmo me viu sair com a bolsa ontem, decido então dizer a verdade. Olho para ele e respiro fundo.
-''Nossa agora me lembrei de que a esqueci na casa de Sayra. '' Digo colocando as mãos no rosto torcendo para eu seja uma boa atriz. –''Depois eu pego, sabe? Vou subir. '' Digo mandando um beijo para ele e subo. Essa foi por pouca.
Quando cheguei ao meu quarto comecei a chorar freneticamente. Já não tinha controle sobre as minhas lágrimas, coloquei as mãos no rosto e pensei; ''Chega disso Analua, já chega. Para de ser tonta, agora já era... '' Reprimo minhas lágrimas e vou até a minha janela olhar a vista.
-''Brincaram comigo. O garoto que eu tanto amei abusou de mim como se eu fosse qualquer uma. Meu coração está doendo, pois mesmo assim eu infelizmente o amo, e não vai ser de uma hora para outra que irei parar de amar, mas farei o impossível para que seja. '' Abraço mim e continuo a chorar.
Logo depois de eu ficar alguns minutos admirando a vista resolvi por fim ir tomar banho, pois estava com nojo de meu corpo. Sentir a água bater em meu corpo me deixou aliviada, porém não estava limpa. Minhas lágrimas foram confundidas com água. Sentei-me no chão do banheiro abraçando meus joelhos e deixei que água purificasse meu corpo. Fiquei exatamente 40 minutos de baixo d'água depois resolvi lavar meus cabelos e minha parte intima. Quando sai do banheiro e fui para o meu quarto fiquei me reparando no espelho. Eu não sei dizer, mas meu corpo estava diferente e pra piorar a situação havia um chupão no meu seio esquerdo. Era pequeno, mas era notável. Senti uma raiva maior do que já estava além de ser um estuprador é um completo de um imbecil. Ai que vontade de matar aquele garoto.
Coloquei um short de malha cinza e uma regata preta, sequei meus cabelos e depois desci para comer alguma coisa e meu pai continuava assistindo TV. Comi uma torta que tinha na geladeira e bebi um pouco de refrigerante. Eu estava com muita fome, não comia desde ontem. Depois de devorar isso tudo, ainda peguei uma maça e a comi. Bebi água e dei um beijo no meu pai e depois subi. Fui para o banheiro escovar os dentes e deitei na minha cama.
Fiquei um tempo rolando na cama tentando cair no sono, mas era inútil. Não parava de pensar na noite de ontem e de tudo oque me ocorreu. Eu não queria acreditar, mas tudo aquilo era verdade. Eu já não era mais virgem e isso não foi por opção minha. Olhei para o teto e pensei comigo mesma; ''Por que Deus? Por que justo comigo. Não que eu deseje isso para o próximo, mas eu acreditava que ele fosse um rapaz bom e... Sei lá, pensei que ele me amasse. '' Suspiro me segurando para não chorar. Escuto o barulho de o meu telefone tocar o mesmo estava sendo carregado. Peguei-o no criado mudo e vi que a ligação era de Gustavo. Cara de pau. Queria atender para mandá-lo ir tomar no cu dele ou que ele fosse para casa do caralho, mas ao mesmo tempo não queria ouvir sua voz. Se eu o atendesse iria me machucar mais do que já estou. Resolvi por fim ignorar sua ligação e mensagens. Havia umas mensagens de Sayra e Didô, então a li para ver do que se tratava.
Sayra: ''Amiga você está bem? Estou preocupada contigo. Acabei de acordar e não a vi. Gustavo ontem me disse na festa que vc estava passando mal e que iria cuidar de você. Até me ofereci para ir a onde vc estava, mas ele preferiu que vcs ficassem a sós. Hmmm já pode me contar do babado, viu? Super shippo vocêsss. '' Ao ler a mensagem eu simplesmente quis chorar mais ainda. Ele planejou tudo por isso não deixou Sayra ir ao quarto a onde estava. Não respondi a mensagem de volta, pois eu mesma não saberia o que responder. Estava magoada demais. Depois li a mensagem do Didô dizendo que queria saber do que aconteceu ontem e que queria cuidar de mim. Não queria contar para o Didô, mas isso vai ser improvável, no entanto eu quero estar mais calma e sei de que se o Didô souber disso vai querer matar o Gustavo e tudo o que eu menos quero agora é que aconteça mais uma tragédia.
Passei as mãos nos meus cabelos e esfreguei os olhos. Eu preciso descansar só assim talvez esqueça essa merda toda. Deixei de responder o Didô também. Minha mente não processava e então coloquei o celular no criado-mudo deixando o carregar e fechei os olhos. Demorou uns minutos, mas consegui pegar no sono.
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PÔR DO SOL
Storie d'amoreAnalua uma jovem dedicada, amorosa, inteligente e bonita. Estuda em uma escola no bairro nobre do rio, pois se esforçou para entrar, é moradora do morro do macaco, aonde é comandada por Didô, traficante da área, o mesmo tem uma paixão descontrolada...
