Capítulo 37

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Cheguei em casa e já fui logo entrando. Estava com fome, mesmo comendo na casa da Camile a fome não havia passado. A casa estava limpa, pelo jeito meu pai arrumou quando estava ausente.

-''Pai já cheguei. '' Digo em voz alta e sua voz soa da cozinha. De lá estava vindo um cheiro delicioso de alho e feijão. –'' Senta Sayra. Meu pai deve estar preparando o almoço. Quer alguma coisa? '' Pergunto e ela me olha e balança cabeça em negativa.

-''Analua você vai ao baile né? '' Sento na poltrona e mordo os lábios.

-''Eu não sei Sayra... Depende do meu pai... Se ele deixar eu vou. '' Digo e ela franze a testa.

-''E por que seu pai não deixaria? '' Indagou curiosa

-''Meu pai e Didô não se dão muito bem... Então vai ser difícil ele deixar. '' Digo pegando o controle da tv e ligando a mesma. Estava passando noticiário e eu prestei atenção.

-''Hm... E por que eles não se gostam? ''

-''Meu pai não aceita muito bem que eu esteja namorando um traficante, mas vamos trocar de assunto. Vou lá na cozinha ajuda-lo. Fique a vontade. ''Caminho em direção à cozinha.

-''Oi pai... Desculpa pela demora. '' Digo pegando um copo pra beber água.

-''Sem problema. Escutei vozes na sala, quem está ai? '' Ele pergunta me encarando.

-''Sayra. Lembra-se dela né? Ela veio me visitar. '' Digo me encostando-se à bancada da pia.

-''Ah sim... Estou fazendo um feijão, arroz, galinha ensopada com quiabo e salada. Tudo simples viu? Avisa-a que o cardápio de hoje é simples. '' Ele diz e eu sorrio.

-''Eu amo esse cardápio, ainda mais feito por você. E a comida está com um cheiro ótimo. '' Digo erguendo a mão para ele por um pouco de feijão e assim o faz. Provei e estava uma delicia. –''hmmm está muito bom, muito bom... Você devia ir pro Master-chef pai. '' Digo e ele gargalha. –'' É sério. '' Falo e ele me encara.

-''Até parece filha. Estou muito bem cozinhando só pra você. '' Ele fala e abre um sorriso. Estava com saudade do sorriso do meu pai e fiquei feliz por ele estar mais tranquilo. –''Sobre você parar de estudar na Joserino ainda está de pé? '' Ele diz cruzando os braços e virando se pra mim.

-''Sim pai... Está sim. Não quero mais estudar lá e, por favor, me entenda, sei que o senhor estava muito feliz por eu estar estudando numa escola boa, mas lá não é o meu lugar. '' Digo e ele me analisa.

-''Tudo bem então Analua, na segunda vou pegar seu histórico e matricular você numa outra escola e, não será a escola daqui da favela, certo? '' Balanço a cabeça animada. Vou estar em outra escola e mesmo sendo difícil arranjar amigos, eu vou sobreviver.

Dei um abraço apertado em meu pai e o mesmo retribuiu. Beijei sua bochecha e o encarei. –''Eu te amo muito e desculpa por tudo pai. '' Digo e eu o sinto fungar. Sim, ele estava chorando e meu coração apertou. –'' Não chora paizinho... '' Digo limpando suas lágrimas.

-''Eu que lhe devo desculpas minha filha. Errei com você e não quero mais errar. Você é uma ótima filha e eu andei pensando e... Vou aceitar que você namore o Didô, mas sobre a minha supervisão. '' Ele diz e eu abro um sorriso largo. Encho seu rosto de beijo. –''Quanto amor hein... '' Ele diz em tom de brincadeira e eu gargalho.

-''Obrigada, muito obrigada. '' Digo.

-''Já tá bom. Traga o Didô para vim almoçar amanhã aqui e eu terei uma conversa de homem pra homem com ele. '' Ele ordena e eu assenti.

-''Vou pra sala ver como está a Sayra. '' Digo e ele diz que o almoço já está quase pronto.

Vou para sala e vejo Sayra conversando baixinho pelo telefone. Não consigo ouvir muita coisa, na verdade quase nada. Quando ela me viu arregalou os olhos.

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