" Vlad: Ela não pode morrer.... Ela é digna da vida tanto quanto qualquer um! Ela merece viver, merece crescer e ser feliz! Ela não pode morrer...!"
Engoli em seco tentando pensar em alguma solução rápido, nada me vinha à mente, percorri o quarto com meus olhos, não havia nada que fosse útil! Eu não conseguia pensar em nada, o fogo já estava aparecendo nas frestas da porta e a neném não para de chorar.
- Vlad eu sei o que fazer! - Falou Luciana repentinamente, me tirando de meus pensamentos e me entregou a neném, aninhei aquela pequena criaturinha indefesa em meus braços, cobrindo seu rostinho para que ela não inalassse toda aquela fumaça e Luciana se afastou de nós indo até o berço, tanto eu quanto Luciana estávamos tocindo muito, chegava a doer o peito e a garganta, seca, ardia como se tivesse sido cortada por caco de vidro. Com as próprias mãos Luciana quebrou as barras de proteção do berço e retirou uma ripa do meio das madeiras quebradas.
- Sai daí - Disse ela vindo em nossa direção e então começou a bater a ripa na janela e no trinco, com um estrondo a janela foi estilhaçada sem piedade e vários cacos de vidro caíram pelo chão, quando Luciana foi se afastar da janela pisou em um, ela gruniu e levantou o pé, tinha um pedaço de mais ou menos 3cm pra dentro da sola do pé, a neném se remecheu nos meus braços, ela estava chorando cada vez mais alto, berrando e tocindo.
- Luciana você consegue tirar? - Indaguei preocupado e ela assentiu apoiando um mão na parede, ela ergueu o pé e de uma vez arrancou o pedaço de vidro, ele estava coberto por um líquido vermelho quando saiu, e o pé dela começou a escorrer sangue. Luciana arfou, cerrando os olhos com força para conter a dor e a ardência do corte. Tocindo mais um pouco, ela se agachou e passou a ripa no chão, varrendo os cacos para o outro lado do quarto.
- Vamos sair logo daqui! - Exclamou ela e eu me aproximei.
- Vai conseguir pular a janela?
- Eu me viro! - Respondeu ela evitando olhar nos meus olhos, era evidente que seu pé devia estar latejando com a dor, eu segurei a bebê com firmeza para não derrubar a pequena criatura, e então passei meu corpo pela janela, sendo mais rápido e cauteloso o possível. Assim que pulei para o lado de fora ouvi Luciana arquejar.
- Luciana...?? - Chamei por seu nome, a neném não parava de tocir - Luciana?!! - Chamei pela segunda vez e as mãos de Luciana apareceram no batente da janela ensanguentadas.
- Tá tudo bem - Disse ela - Eu só escorreguei e cortei as mãos em alguns cacos - Respondeu ela e meu coração se apertou, eu não queria que ela tivesse se machucado, segurei a bebê com um braço e estendi a mão pra Luciana.
- Vem, pode apoiar o seu peso, eu vou te ajudar a sair. - Falei e me aproximei da janela para que Luciana pudesse alcançar meu ombro e se apoiar, assim que sua mão esquerda pousou no meu ombro o teto do quarto cedeu.
- NÃO!!! - Berrei enquanto escutava os ossos do corpo de Luciana quebraram e seu corpo ser esmagado por um peso enorme de blocos de cimento e lajes. Meu corpo inteiro arrepiou. Me desesperei e gritei de horror de pânico e tudo, meu coração estava tão acelerado que eu quis vomitar de tanto nervoso. Me afastei e coloquei a criança no chão enrolada na manta, o que eu fiz depois, foi tão tomado por adrenalina que eu nem sei se senti dor, esmurrei a parede com força, fazendo um buraco na mesma, e com as mãos fui cavando desesperado e gritando o nome de Luciana, minhas mãos sangravam mas eu não me importava, os ligamentos dos meus dedos pareciam se soltar e partir dentro da minha pele, mas eu não me importei, eu queria tirar ela daqueles destroços, eu não me perdoaria jamais se não a encontrasse inteira.
- LUCIANA! - Berrei, foi quando encontrei as mãos dela, sujas de poeira cinza e coberta por cortes que eu percebi que eu estava chorando - Luciana.... - Exclamei e minha voz falhou, ela mecheu os dedos de uma das mãos, sem me preocupar em limpar as lágrimas eu arranquei todos os blocos e lajes que tinham coberto tudo, por incrível que pareça, o fogo ainda estava vivo, e se aproximando de nós cada vez mais, cavei até encontrar o corpo de Luciana, ela não estava inconsciente, peguei seu corpo mole nos braços e a tirei daquela sujeira a levando para perto da neném, a segurei no colo, tomando cuidado pra não machuca-lá mais do que seu corpo já estava machucado, tinham cortes e sangue pra todo lado, e seu vestido, que eu havia achado tão lindo, agora estava destroçado.
- Luciana... - Funguei a abraçando e escondendo meu rosto em seu pescoço ela só estava chorando baixinho, nem chorar ela não conseguia por causa da dor. - Me perdoa... - Chorei sentindo minhas vísceras revirarem de ódio - eu não devia ter saído primeiro, você devia! - Chorei - Me perdoa, vai ficar tudo bem, eu vou cuidar de você...! - Meu rosto estava ensopado pelas lágrimas - Me perdoa! - Falei e então levantei o rosto olhando ao redor pra ver se encontrava ajuda. - SOCORRO! - Comecei a gritar, alguém tinha que vir nos ajudar - SOCORRO! SOCORRO!!! - Gritei, eu não me importava em perder a voz, eu estava desesperado! Peguei a neném com um braço e segurei a Luciana com muito cuidado com o outro, me levantei do chão e comecei a andar tentando ir pra frente da casa, lá tinham pessoas, e eu precisava chegar até lá.
Quando consegui, Zelo foi o primeiro que me viu, ele ficou perplexo e então correu até mim, Jennifer fez o mesmo, e então em minutos, várias pessoas nos rodearam falando um monte de coisas ao mesmo tempo, policiais e enfermeiros vieram ao nosso encontro também, tiraram a neném dos meus braços, colocaram Luciana numa maca e então levaram-na para uma ambulância, me arrastei atrás dela, Zelo tentou me segurar.
- Me leva até lá - Pedi pra ele - não deixe que tirem ela de perto de mim! - Exclamei quando tentaram me segurar e tudo ficou embaçado de repente, uma onda muito forte de tontura atravessou o meu corpo. Minha visão escureceu e eu perdi a consciência.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Cadáver de Sangue I
HorrorQual é a pior forma de morrer? Vamos descobrir juntos...? Lucy era uma doce menina, ajudava todos e vivia feliz...até acidentalmente se envolver com pessoas erradas e ter seu destino traçado por dois homens com distúrbios psicológicos. E depois de p...
