Rive me alcançou na neve e com a faca que tinha usado pra me machucar, ele prendeu minhas mãos numa das suas e passou a lâmina nos meus pulsos, cortando as minhas veias, eu gritei e o sangue começou a jorrar, tinha estourado várias veias, incluindo as do coração. Eu não parava de gritar, meu coração estava ficando fraco, eu estava agoniada, ardia demais, estava queimando por dentro! Doia demais! Rive me pegou pelos cabelos e começou a me arrastar pela neve, ia pingando sangue por onde passavamos, formando uma trilha vermelha pela neve. Eu só conseguia gritar desesperada, Rive estava me levando em direção a uma árvore congelada, cheia de galhos afiados, eu sabia muito bem o que ele ia fazer comigo agora, me debati, minhas forças estavam acabando, eu estava ficando cansada já, até mesmo pra gritar, quando Rive conseguiu chegar até a árvore me arrastando por todo o caminho, ele me pegou pelos ombros apressadamente, me fez ficar de joelhos na frente de diversos galhos, tinha um galho congelado bem afiado bem de frente com a minha garganta, fechei os olhos, eu não quero ver isso, eu já sei que vai doer, respirei fundo, minhas mãos estavam tremendo, meu corpo inteiro estava tremendo, eu estava sentindo frio, medo, horror... Tudo misturado dentro da minha cabeça. Ele vai me machucar! Ele vai me machucar! Ele vai me machucar! Eu já estava ofegante quando Rive colocou sua mão atrás do meu pescoço, segurando com força minha nuca, ele entrelaçou os dedos no meu cabelo, puxando os fios, me obrigou a levantar a cabeça e então me forçou pra frente, de uma só vez.
Foi horrível a sensação daquele galho atravessando a minha garganta, não consegui gritar, o grito foi sufocado pelo sangue que inundou a minha boca, subiu pro meu nariz, correndo minha área nazal e subindo e descendo pela minha garganta, jorrando pelo buraco feito pelo galho. Comecei a sufocar, engasgada, o ar não vinha para os meus pulmões e não saia deles também, a única coisa que vinha era sangue e uma ardência horrível que me consumia. Estava doendo, estava frio, estava tudo latejando, a minha visão estava ficando embaçada mas eu ainda não tinha desmaiado. Fechei os olhos embargada na dor e senti mãos tocarem no meu rosto e me puxar pra trás de uma vez, me tirando do galho, eu estava engasgando no sangue, o desespero ainda subia pelo meu peito, o sangue escorria da minha boca e nariz para o meu pescoço e cabelo, sujando tudo, eu estava deitada no chão, na neve de novo, era gelado, e eu tive medo de morrer de verdade, de morrer sozinha, com toda aquela dor e com frio, mas então senti um pulso quente ser posto em minha boca, minhas presas aparecerão e eu mordi a pele dele. Abri os olhos e avistei Vlad, ele estava regenerado, forte e firme de novo, e me alimentando. Suas roupas estavam rasgada e molhadas de sangue, mas nele não havia mais ferimentos. Tomei o sangue até as minhas feridas cicatrizarem, não demorou muito.
Soltei o pulso de Vlad e ele me estendeu a mão pra levantar do chão, eu estava com um pouco de tontura, mas mesmo assim levantei, não quero passar mais nenhum segundo aqui. Olhei pro lado e encontrei o Rive ruivo caído no chão, com uma faca atravessada na cabeça e uma poça de sangue em volta.
- O que você fez com o outro? - Perguntei com a voz falha de fraqueza, eu me sentia cansada e acabei caindo em Vlad, ele me segurou para eu não cair no chão e passou meu braço pelo seu ombro, para que eu me apoiasse nele.
- Arranquei o coração e tomei o sangue.
- Legal... - Respondi, abrindo um sorriso fraco e Vlad começou a me guiar pra dentro da floresta congelada.
- Agora vamos procurar um lugar seguro antes que as versões do Bang apareção. - Disse Vlad e eu arregalei os olhos de espanto, que horror! Já não bastasse o Rive ainda existe versão do Bang nesse mundo esquisito?!!
Dei mais um passo e de repente tudo ao nosso redor começou a derreter como se fosse massinha de modelar no fogo, tudo começou a cair e se desmanchar. Será que eu já morri e vim pro inferno?
- Vlad o que está acontecendo? - Perguntei aflita e ele segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.
- Estamos nos teletransportando pra outra dimensão. - Explicou, e ele parecia tão preocupado quanto eu.
- Isso quer dizer que vamos voltar pro mundo real? - Perguntei mesmo sabendo a resposta e não deu tempo dele responder, senti um aperto no peito, como se meu coração estivesse sendo invertido dentro do corpo, e do nada, fomos parar num lugar estranho, que mais parecia um lugar normal do que um pesadelo.
Estávamos num penhasco, especificamente pisando em cima de trilhos de trem, não tinha saída dali, apenas dois caminhos, pra frente ou pra trás. E dos dois não sabíamos que destino ia dar. E eu poderia jurar que tínhamos voltado para o mundo real se não fosse pelo céu que estava sinistro e sombrio. As minhas roupas continuavam as mesmas, mas as de Vlad tinham mudado, ele estava com roupas pretas, parecia de prisioneiro e o cabelo dele estava mais curto, comportado num corte militar.
- Essa não! - Praguejou Vlad olhando pra trás - Precisamos correr! - Disse ele e começou a me puxar pela mão desesperado. Comecei a correr com ele pra frente, o sentido oposto ao que ele estava olhando antes.
- Por que correr? - Perguntei sentindo a adrenalina começar a me tomar.
- Por que o trem está vindo, ele vai nos esmagar!
Arregalei os olhos perplexa, olhei pra trás e já dava pra ver a luz de dois faróis invadindo a escuridão. Então escutamos o apito do trem, alto e estridente.
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Cadáver de Sangue I
HorrorQual é a pior forma de morrer? Vamos descobrir juntos...? Lucy era uma doce menina, ajudava todos e vivia feliz...até acidentalmente se envolver com pessoas erradas e ter seu destino traçado por dois homens com distúrbios psicológicos. E depois de p...
