Capítulo LXXV - Revolta Sangrenta/ Parte 2

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  Comecei a correr outra vez, entrando entre as árvores, tão apressada que mal percebia os cortes feitos pelos galhos pontiagudos das árvores nos meus braços e pernas. No chão, debaixo do solo eu conseguia sentir que pessoas haviam sido enterradas pelo local. Muitas pessoas. Minha percepção de Ceifera estava se aguçando, isso sempre acontece quando eu lido com um ser infernal, e mesmo eu sendo mais forte que o Cão, tem algo de errado com ele, tem alguma coisa nele, que o faz ser mais forte do que um simples Cão infernal.
  Ele estava vindo atrás de mim, e eu não precisava nem olhar pra trás pra saber que ele estava me alcançando, eu podia sentir o tremor do solo com as patas pesadas dele, esmurrando o chão brutalmente enquanto corria.
  Eu tinha um plano, um esquema que poderia dar tanto certo quanto errado. Eu realmente ia precisar de muita agilidade pra realiza-lo, eu nunca fiz isso antes.
  Mas pra isso eu precisava calcular o momento exato em que o Cão infernal fosse avançar em mim. Aquele momento em que ele me morderia. O momento final.
  Apertei o passo, correndo ainda mais rápido, o mais rápido que eu podia entre as fileiras de árvores, até sentir a transformação começando.
  Lentamente meus ossos se quebraram dentro do meu corpo, eu não podia parar agora, continuei correndo, estava entrando no estágio das pernas se quebrarem. Não parei memso assim, e quando os ossos já haviam terminado de se quebrar, a transformação entrou no último estágio, eu já conseguia sentir o lobo dentro de mim. Com um uivo, cheguei nas duas últimas árvores que levavam de volta para a área aberta do quintal. Respirei fundo, tomando fôlego, meu coração estava explodindo no peito. E então eu saltei, já na forma de um lobo, apoiando uma pata na árvore da esquerda, minhas garras fizeram cortes na lateral do tronco e tomando impulso através dela eu pulei pra outra árvore, os troncos grossos estavam sujos, e no último momento eu escorreguei. Era pra mim ter caído, mas eu saltei da árvore esquerda mesmo desajeitada e girei no ar, me transformando novamente, mas desta vez não em uma loba, e sim na Ceifeira.
  Por uma questão de centímetros eu quase fui parar na boca dele, mas consegui escapar a tempo. Quando cai, eu já estava montada em cima do Cão infernal. E então eu toquei nos pelos das costas do animal, esparando ele se desintegrar e começar a se contorcer, mas ao invés disso ele começou a ficar mais violento, rosnando, ganindo e tentando virar a cabeça de todas as maneiras para me alcançar, tive de me esquivar, assim eu me livraria de uma possível morte dolorosa. Se meu plano A não deu certo, isso quer dizer que vai ter que ser a moda antiga, ao invés de matar só pelo toque da morte, eu vou ter que matar pela capacidade de atravessar estruturas sólidas.
  E foi nesse momento, quando eu atravessei minhas mãos no corpo do Cão, até alcançar o coração dele, que eu senti meu corpo todo estremecer, não hesitei e explodi o coração do Cão, com as próprias mãos, e então quando eu estava tomando as forças da corrente sanguínea do Cão infernal, uma luz muito forte em tons de vermelho começou a irradiar diante dos meus olhos. Meu coração parou, afundando no peito. E eu gritei.

  " - Você promete me amar, pra sempre? - Perguntei com um sorriso no rosto e Bang sorriu pra mim, um sorriso doce, irradiando seu lado angelical com naturalidade.
  - Prometo, eu sempre irei te amar Eva. - Declarou ele, fazendo eu me perder em seu sorriso, e então me puxou mais pra perto, aproximando nossos corpos nus, enquanto escondia seu rosto no meu pescoço, e distrubuia beijos molhados naquela região, como sempre fazia depois de nossas noites de amor."

  Minha cabeça estava martelando, parecia que eu tinha levado um choque e as correntes elétricas ainda circulavam em minhas veias, soltei as mãos do pelo do Cão Infernal, eu estava cheia de sangue, e aos poucos ia voltando a forma humana, até começar de novo, me obrigando a por as mãos nos ouvidos e gritar de dor outra vez.

  " - Já sabe que nome vai dar a eles? - Perguntou Bang com um sorriso bobo, e eu abri um sorriso, acariciando as mãos dele que estavam sobre a minha barriga, oito meses haviam se passado tão rápido...
  - Eu quero dar o nome pra um, e quero que você dê ao outro. - Comentei animada e senti Bang depositar um beijo carinhoso na minha bochecha.
  - Para o que é mais calmo, o nome Léo parece ideal, um estrategista nato. - Afirmou Bang e eu senti um chute na minha barriga.
  - Parece que o que tanto chuta será um bravo guerreiro então. - Comentei rindo e escutei a doce risada de Bang no meu ouvido. - O segundo que nascer, terá o nome de Rive."

  Como se eu tivesse sido atingida por uma onda violenta eu cai de cima do corpo sem vida do Cão Infernal, direto pro chão, caindo de joelhos, atordoada e sem fôlego. Meu coração estava tão acelerado que parecia que poderia explodir dentro do meu peito. E então aconteceu de novo, e eu só tive tempo de gritar.

  " Com lágrimas de alegria nos olhos Bang se aproximou de mim, segurando os dois bebês em seus braços. Eu ainda conseguia sentir as dores do parto, espasmos de dor, mas agora o trabalho estava feito, e Bang feliz por ser pai, colocava os bebês no meu colo, me mostrando o rostinho dos meus filhos, dos nossos bebês. Os meus dois filhos, que eu tanto queria e estava ansiosa pra ter."

  Como se tivesse levado uma facada no peito eu despertei do transe sem ar, aquilo na minha cabeça, aquelas cenas, eram memórias, lembranças minhas com o Bang, mas eu não conseguia associar a nenhum dos meus tempos de vida, nada que me esclarecesse aparecia na minha mente. Só a imagem de Bang, parado na minha frente com um casaco na mão e o semblante preocupado.
  - Você quase acabou com a energia de todo castelo usando seus poderes de ceifeira. - Comentou ele, e então se aproximou, colocando o casaco sobre as minhas costas, o casaco era grande o suficiente para cobrir todo o meu corpo que estava nu por causa das transformações. Mas eu não respondi a Bang, não falei nada. Minha mente estava à mil. Minhas veias estavam pegando fogo por dentro, e parte de mim sentia, dentro da corrente sanguínea, que por mais que eu não tivesse nada com o Bang agora, eu tive em algum momento da vida, que eu não conseguia lembrar.
  Quando Bang se abaixou para ficar da mesma altura que eu estava, eu não deixei que ele falasse nada, eu simplismente levei minha mão direto ao pescoço dele, e então puxei pra baixo, com as garras cheias de sangue. Eu tinha rasgado a garganta dele.

Cadáver de Sangue IHistórias para pegar e não largar. Descubra agora