Capítulo XLVII - Estadia de Hospital / Parte1

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  " Zelo: Chega a ser assustador o quanto Vlad ama a Luciana..."

.... Lucy narrando....

  Eu não sabia onde eu estava, eu escutava vozes e barulho, e então tudo ficava muito silencioso, eu queria abrir os olhos mas não conseguia, parecia que eles estavam costurados e que se eu os abrisse minhas palpebras iriam se rasgar. Tentei abrir os olhos uma vez, minha cabeça estava latejando e qualquer movimento que eu tentava realizar era doloroso. Desisti de tentar abrir os olhos, pelo menos eu estava em algum lugar tranquilo, eu escutava barulho de água caindo, mas não em mim, eu estava seca, e deitada confortávelmente em algum lugar. O sono começou a me tomar de novo, e então meu corpo inteiro relaxou, me sentia exausta e aos poucos me entreguei ao estado de dormir sem relutância.

  Acordei, desta vez eu estava descansada, me sentia bem, e não tinha mais dor pelo corpo, porém meus olhos ainda pareciam grudados. Aos poucos tentei abrir o olho direito, minhas palpebras pareciam pesar quilos, mas pelo menos desta vez eu consegui abrir os olhos, enquanto abria um, o outro se abriu automaticamente. A luz levemente agrediu minha retina, mas com calma eu consegui me acostumar com a claridade. A primeira coisa que vi foi um teto branco.
  Tinha uma máscara de inalação no meu rosto, e eu sentia meu braço formigar, eu estava recebendo soro na veia, tateei em volta para saber onde eu estava deitada, percebi um aparelho no meu dedo, ele estava ligado a fios que levavam a uma máquina que indicava os batimentos do meu coração. Eu estava deitada numa cama bem limpa, dentro do que parecia ser um quarto de hospital. Apoiei a mão esquerda no colchão para tentar me sentar, quando eu estava quase conseguindo minha visão embaçou e eu me senti tonta. Não dava para me mecher muito, meu corpo estava muito debilitado, então eu voltei a deitar ao invés de tentar sentar. Eu estava com roupas de hospital, sem sutiã nem nada, apenas com uma calça pulabregica branca com entrelinhas e uma camisola estranha com abertura nas costas. Olhei em volta com cuidado, ao lado da minha cama tinha outra, exatamente igual, e Vlad estava deitado nela, com uma máscara de inalação no rosto e recebendo soro na veia também, ele estava dormindo, vestido com roupas de hospital, uma calça pulabregica branca com entrelinhas e uma camiseta que parecia grande demais com os mesmo desenhos. O cansaço era evidente em seu rosto pelas olheiras fundas que ele tinha abaixo dos olhos. Suspirei e olhei pra janela do quarto, gotas de água batiam no vidro e escorriam pra baixo como lágrimas, estava chovendo lá fora. Eu não me lembro direito como vim parar aqui, eu lembro que estávamos na praia, e então entramos naquela casa para salvar a neném... Mas aconteceu alguma coisa em algum lugar da casa que impossibilitou a nossa saída. Quando forçei minha mente pra lembrar o que aconteceu minha cabeça latejou, e um flash de memória fluiu muito rápido pra mim. Eu tinha cortado o pé dentro daquela casa. Olhei para o meu pé e vi que ele estava enrolado com ataduras. Mechi os dedos do pé, não doia, devia ter cicatrizado. Quando fui tirar a máscara de inalação do rosto tive outro flash de memória. O Vlad chorando, chorando e falando alguma coisa que eu não conseguia entender, me lembro dele estar me segurando no colo, mas a lembrança estava muito desfalcada, não dava para entender direito. Desisti de tirar a máscara, eu estava começando a ficar com dor de cabeça já quando tive mais um flash de memória, de um monte de coisas pesadas caindo em cima de mim e tudo ficando escuro. Era o teto da casa, tinha dasabado em cima de mim. Não tinha dado tempo suficiente para que eu saísse. Cerrei os olhos com a lembrança, dava agonia lembrar da dor dos meus ossos sendo esmagados. Abracei meu corpo tentando esquecer aquilo.
  - Luciana... - Escutei uma voz rouca e ensonada me tirar das minhas lembranças. Abri os olhos e meu olhar se encontrou com o de Vlad. Aqueles olhos azuis que pareciam poder ler a minha mente... Ele pareceu aliviado ao me ver abrir os olhos.
  - Oi... - Falei e minha garganta ardeu um pouco, minha voz estava fraca.
  - Oi. - Vlad respondeu e então se sentou na cama com dificuldades, seus braços não pareciam tão firmes, e ele parecia que não dormia à dias. - Como você está se sentindo? - Perguntou ele me abrindo um sorriso carinhoso enquanto tirava a máscara de inalação do rosto, e com cuidado tirava a agulha do soro da veia e deixava os objetos sobre a cama.
  - Acho que melhor, não sinto nenhuma dor, só não consigo levantar. - Expliquei e Vlad saiu de sua cama e foi até um armário branco que estava do outro lado do quarto, tinha uma jarra de água em cima do armário, Vlad pegou um copo dentro do armário, encheu de água, e veio até mim.
  - É por que você ainda está sob efeito do sedativo - Explicou ele e então passou o braço livre atrás do meu corpo, minha pele arrepiou quando sua mão gelada tocou as minhas costas nuas, me dando apoio pra me sentar, quando finalmente consegui, a tontura me invadiu, eu mal conseguia me sustentar sentada. Tirei a máscara de inalação do rosto e Vlad colocou o copo de água nas minhas mãos, me ajudando a tomar a água. Tomei tudo, eu realmente estava com sede. - Quer mais? - Perguntou ele me analisando e tentando ser atencioso , eu neguei, já tinha tomado o suficiente.
  - Por que me sedaram? - Perguntei enquanto ele me deitava novamente na cama, sua mão deslizou pela minhas costas e afagou meu rosto.
  - Porque quando o teto daquela casa desabou em cima de você... - Vlad fez uma pausa - ... Todos os seus ossos quebraram, a regeneração ia ser muito dolorosa, então o melhor modo de você se recuperar sem sentir mais dor era dormindo. - Vlad explicou e então depositou um beijo na minha testa. - Já faziam mais de dois dias que você estava desacordada, eu estava preocupado.
  - Eu fiquei tanto tempo assim desacordada? - Perguntei e ele assentiu.
  - Agora está tudo bem, você está bem. - Ele abriu um sorriso e se afastou de mim indo até o armário para colocar o copo de volta no lugar. Quando voltou pra perto da minha cama eu peguei em sua mão. Agora, em pé ao lado da cama, ele parecia ainda mais alto do que já era. me senti uma criança.
  - Fica aqui, pertinho de mim, só um pouquinho. - Pedi e Vlad me fitou com curiosidade e franziu o cenho.
  - Como assim? Ficar do seu lado? - Perguntou e eu apalpei a cama me afastando um pouco para dar uma beira pra ele, a cama era enorme mesmo, não tinha problema de dividirmos, e eu queria ficar perto dele.
  Vlad se deitou ao meu lado e se virou para mim, ficamos frente a frente um pro outro, eu estava olhando dentro de seus olhos azuis, e então ele me envolveu em seu braços, eu me aninhei em seu peito e escondi meu rosto em seu pescoço, abraçando ele e inalando o cheiro de sua pele. Desci um pouco o rosto e dei um beijo em sua clavicula. Vlad passou as mãos em minhas costas pra me encaixar melhor no abraço, o tecido da camisola era fino e conforme a mão de Vlad me segurava eu arrepiava. Ele colocou as mãos na minha cintura e começou a massagear um pouco de pele nua com o polegar. Acariciando minha pele, deslizando os dedos pelas minhas costas nuas. Seus dedos estavam gelados. Ele poderia estar cansado mas suas mãos eram bem firmes pra me segurar, com a outra mão ele começou a afagar meus cabelos.
  Com alguns minutos eu já estava caindo no sono de novo, o Vlad tinha mãos mágicas, mas perdi totalmente a vontade de dormir quando bateram na porta do quarto.

Cadáver de Sangue IHistórias para pegar e não largar. Descubra agora