" Vlad: Apocalise ou fim do mundo...?"
Um grito estridente escapou de meus lábios assim que meus olhos contemplaram o desastre natural de que Jennifer estava falando, tinha um furacão vindo na nossa direção.
O vendo uivou ainda mais forte e meu cabelo caiu tudo no meu rosto atrapalhando minha visão. Jennifer que parecia estar com o mesmo problema rasgou um pedaço da bainha da camiseta e amarrou o próprio cabelo pra evitar que o mesmo a atrapalhasse. Vendo que sua ideia era boa eu fiz o mesmo.
- Precisamos de abrigo antes que aquela coisa nos atinja! - Gritou Jennifer falando mais alto que o barulho, tanto do vento quanto da revoada de pássaros que parecia infinita. Ela já se prontificava em pegar as chaves que Rive nos dera e abrir o portão enorme de ferro que bloqueava a saída. Antes de sair pra fora eu analisei as cercas elétricas do local, pareciam mais perigosas do que eu havia imaginado.
- E pra onde iríamos? Precisamos de um abrigo que seja debaixo da terra! - Exclamou Vlad, e eu olhei pro céu sentindo os músculos no meu corpo enrijecerem de pavor, o céu estava se escurecendo, tudo ao redor estava, a frequência do vento estava ficando cada vez mais forte e mais alta. Papéis antigos, folhas e objetos que antes estavam largados pelo chão agora estavam voando, sendo arrastados sem piedade pelas rajadas violentas.
Olhei para o norte, vendo lá longe o furacão, a impressão era de que ele estava se aproximando rápido demais, e meu corpo inteiro gelava por saber que aquilo realmente estava acontecendo. Eu nunca quis morrer assim, na verdade tudo que eu sempre quis foi ser normal, e ter uma vida normal. Sem torturadores e psicopatas, sociopatas, policiais corruptos, seres sobrenaturais e toda essa loucura, eu só queria poder ter pelo menos um dia inteiro de paz! Senti um nó começar a apertar em minha garganta, droga, eu não quero chorar! Por favor... Eu não quero chorar agora!
- Vem Luciana! - Disse Vlad me tirando bruscamente de meus pensamentos e então começou a me puxar pela mão, Jennifer já estava a dois metros à nossa frente, procurando.
Quando ela entrou numa casa decrépita que parecia ter sido esquecida a muitos anos, eu entendi o que era. Era o tal abrigo que ela procurava. Vlad e eu começamos a correr atrás dela. Entramos na casa que já parecia ter sua estrutura cedendo sendo lentamente atingida e alcançamos a Jennifer, que já estava se perdendo pelos corredores da casa. Pouco depois a encontramos abrindo uma porta, depois de ter passado por outras três antes. E essa desta vez era no chão. Jennifer havia encontrado um porão, que por acaso tinha a porta de ferro. Entramos sem pensar duas vezes e Jennifer fechou a porta de ferro por dentro do porão.
Minha primeira impressão do lugar foi medo. Estava muito escuro e além de não conseguir enxergar nada, eu sentia um cheiro muito forte de sangue, sangue fresco, mas não era humano. E não podia ser de nós três. Não estávamos machucados desse jeito. O machucado que escorria sangue fresco não era nosso. Era de outra coisa, que eu acho que está aqui dentro do porão.
- Luciana. - Chamou Vlad e eu dei um pulo de susto arquejando, não esperava ouvir alguém falar comigo exatamente agora. E ainda bem que está escuro se não o Vlad teria visto o quanto eu tinha me assustado.
- O que foi? - Perguntei tentando tatear no escuro pra encontrá-lo e senti seus dedos entrelaçarem nos meus. Meu coração disparado se acalmou com essa ação.
- Deixe um pouco de lado o seu interior de vampira e permita que o seu lado licantrope fale mais alto, com os olhos de lobo você vai conseguir enxergar no escuro.
- E como eu faço isso? - Indaguei confusa e senti a mão dele tocar no meu rosto, subindo os dedos até a maça do meu rosto. Eu podia ouvir a respiração dele.
- Contenha o seu medo e liberte a sua raiva, vai ativar o lobo que está dentro de você.
- Está bem. - Assenti respirando fundo e então busquei nas minhas memórias coisas que me enfureciam. E me lembrei de quando Rive me beijava contra minha vontade, o ódio e o nojo que me dominava quando eu descobri que ele nunca me amou como uma pessoa normal e que tinha me manipulado pra conseguir me sequestrar. O meu sangue ferveu e eu senti um calor imenso, como se eu tivesse vestido um casaco de pele bem quente, era estranha aquela sensação. Era ainda mais estranho perceber que minha pele que vivia gelada, agora estava quente, que nem a de Vlad fica normalmente. Pisquei os olhos duas vezes e a visão que antes via apenas o breu, avistou borrões e logo após eu consegui enxergar Vlad e Jennifer do meu lado. Vlad tirou a mão do meu rosto e sorriu. Agora eu estava conseguindo enxergar. Estava tudo com as cores desfocadas, parecia que eu enxergava cores diferentes das normais, cores mais neutras.
- Por que a cor das coisas estão diferente? - Perguntei olhando ao redor do porão, observando caixas velhas rasgadas preenchidas com obejetos, e entulhos de várias coisas.
- Porque os animais não enxergam cores que nem os humanos, eles vêem diferente. - Explicou Jennifer parecendo impaciente. Estava olhando ao redor e ainda procurando alguma coisa, mas o quê?
Quando ela encontrou o que procurava eu também descobri quem obtinha aquele cheiro de sangue fresco. Era uma raposa vermelha. Ela estava encolhida num canto do porão, deitada em cima de uma caixa fechada. E suas patas dianteiras estavam molhadas de sangue.
- Ela tá machucada. - Observei, Vlad e eu estávamos mantendo um pouco de distância do animal, mas Jennifer estava indo na direção dela.
- Não são só as patas, tem um estilhaço de alguma coisa atravessada na barriga da raposa. - Jennifer falou analisando o animal a sua frente, a raposa estava rosnando, e quanto mais ela parecia se exaltar, mais sangue parecia escorrer de seus machucados.
- Deixa ela em paz Jennifer, raposas e lobos não se dão bem. - Alertou Vlad e Jennifer ameaçou por a mão na raposa, mas quase perdeu os dedos quando a raposa avançou em sua mão. Jennifer ficou ainda mais nervosa do que aparentava.
- Ela vai morrer Vlad, ela vai agonizar até morrer, faça alguma coisa. - Protestou Jennifer fulminando o animal com os olhos e Vlad franziu o cenho.
- E o que eu poderia fazer, não tenho como cura-la. - Rebateu ele e Jennifer o fulminou.
- Mate-a! - Disparou Jennifer e tanto eu quanto Vlad arregalamos os olhos incrédulos - Você é o alpha entre nós três, mate-a e acabe com a dor que ela está sentindo!
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Cadáver de Sangue I
HorrorQual é a pior forma de morrer? Vamos descobrir juntos...? Lucy era uma doce menina, ajudava todos e vivia feliz...até acidentalmente se envolver com pessoas erradas e ter seu destino traçado por dois homens com distúrbios psicológicos. E depois de p...
