" Lucy: Assim como cerberus, meu coração foi tomado pelas sombras na hora da transformação, e eu perdi minha humanidade quando o ataquei.... "
....Vlad narrando....
Fitei Luciana mais uma vez, todos os machucados nos braços, arranhões no rosto e nas pernas e as marcas vermelhas e roxas, faziam horas que eu estava ali, eu estava esperando ela acordar, ansioso, perturbado. "Por que eu fui tão cruel??!" Me perguntava agoniado, mas o silêncio não me respondia, e os meus pensamentos me acusavam.
- Por favor Luciana, acorda.... - Sussurrei - Me diz que você está bem... - Pedi praticamente implorando e se formou um nó em minha garganta, eu nunca havia me sentido assim antes com relação a alguma mulher, não dava pra entender, quanto mais eu tentava negar o que sentia, mais eu queria ficar perto dela, mais eu queria vê-lá, me aproximar e fazê-la sorrir. E agora eu havia feito tudo ao contrário. Eu havia machucado a mulher que eu devia cuidar e proteger. Abaixei a cabeça, olhando pra cama. Eu ia começar a chorar de nervosismo mas, então dedos delicados tocaram a minha mão e eu levantei a cabeça para olhar para Luciana saindo espontâneamente dos meus devaneios e suspirei aliviado.
- Luciana... - Escapou de meus lábios e eu segurei a mão dela abrindo um sorriso, ela ainda estava tentando abrir os olhos, me aproximei de seu rosto, quando ela abriu os olhos meu coração se contorceu dentro do peito e o estado de fragilidade em que ela se encontrava, tão vulnerável e tão fraca quase me desfez. Ela não disse nada. Apenas ficou olhando nos meus olhos, parecia que ela podia ler todos os meus pensamentos e todas as minhas emoções naquele momento, toda a angústia, o desespero e ansiedade. Tudo misturado pronto para dar uma explosão, e ela não disse nada, e aquele silêncio me torturava mais do que todos os machucados que estavam espalhados pelo meu corpo, cicatrizando com a regeneração. - Luciana.... - Sussurrei e coloquei minha mão em seu rosto, acariciando sua bochecha com meu polegar. - O que você está sentindo? - Perguntei, eu queria saber se ela estava com dor e ela não me respondeu. Uma linha fina era a forma de seus lábios e no canto do lábio inferior havia um corte. Tudo culpa minha.
- Sai de perto de mim. - Depois de um silêncio longo foi tudo que me disse, então puxou sua mão afastando-a da minha e começou a se levantar com dificuldade. Meus batimentos começaram a acelerar e parecia que tinha uma mão dentro do meu peito esmagando meu coração. Eu me sentia tão impotente, eu queria abraça-la e chorar feito uma criança e ela me evitava tão friamente.
.... Lucy narrando....
Comecei a me sentar na cama, eu estava tão atordoada, eu queria sair correndo dali. Eu queria me afastar de Vlad e ir pra bem longe. Com tontura me levantei, e minha pernas cederam, eu quase cai no chão e então Vlad me segurou contra seu corpo.
- Por favor Luciana, você precisa descansar, vou trazer algo pra você comer. - Falou ele me ajudando a sentar novamente na cama e eu o empurrei, ele apenas se afastou e ficou me encarando, parecia que queria chorar, ele estava muito estranho. Me levantei e com dificuldades fui até o guarda roupas, peguei um casaco e me escorando nas paredes comecei a me encaminhar pra porta. Saí do quarto e Vlad começou a me seguir.
- Luciana pra onde você está indo? - Perguntou ele aflito e eu o fulminei com os olhos.
- Eu não quero mais ser obrigada a obedecer homens e principalmente levar uma surra por não cumprir as regras! - Falei e meu coração se apertou, me segurei pra não chorar, eu pensei que poderia ter uma vida tranquila, mas estou muito longe disso.
- Isso não é verdade Luciana. - Rebateu Vlad me seguindo, tentando se defender - Aqui somos uma família, cuidamos uns dos outros.... - Começou ele e eu o interrompi.
- Para de falar isso! Você não tem vergonha nessa cara - Bradei tocindo e comecei a descer as escadas, um degrau por vez com muita calma - Você me deu uma surra. - Falei e continuei meu caminho.
- Eu não te dei uma surra eu cumpri uma lei.... - Ele tentou falar e eu o interrompi de novo.
- Que legal! Agora virou lei bater em mulher se ela não quiser te obedecer. - Ironizei pondo a mão na testa, minha cabeça estava latejando e eu estava muito zonza e Vlad perdeu a paciência, faltava o último degrau e Vlad me pôs contra parede.
- Eu não fiz isso. Aqui seguimos regras e eu apenas te disciplinei por que você desobedeceu uma, eu não queria ter tido que fazer o que eu fiz! - Rosnou e bateu a mão na parede com raiva me fazendo arquejar com o susto, ele quase me derrubou, eu pressões seu peito com as minhas mãos - Eu queria conversar com você tranquilamente, mas você começou a fazer confusão e daí eu tive que partir pra ignorância! - Bradou ele e eu me segurei pra não cair, tudo ao redor estava girando e eu não estava sentindo minhas pernas direito.
- Para de gritar! - Esbravejei e empurrei o braço de Vlad que bloqueava minha passagem, desci o último degrau quase caindo e fui andando até a porta da sala. Vlad vinha atrás.
Quando finalmente consegui chegar no portão principal quase cai no chão, minha tontura estava muito forte. E Vlad ficava me escoltando enquanto falava que não era pra mim sair. Antes de abrir o portão escutei passos e senti um cheiro familiar que fez calafrios descerem pela minha espinha, me causando horror e pânico. Cai de joelhos e Vlad me segurou para que a pancada com o chão não doesse. Parecia que ele ainda não tinha notado a presença de mais alguém na residência.
- Vlad.... - Gaguejei com medo - Vlad..... - As palavras morreram na garganta, ele estava se aproximando, eu precisava avisar o Vlad, Rive estava aqui, ele estava chegando perto, eu podia ouvir ele assoviar ao longe, podia ouvir seus passos calmos e calculados, ele veio me matar. Tentei me levantar e Vlad me ajudou, eu precisava correr, ir embora pra bem longe.
- Que foi Luciana??! - Perguntou Vlad tentando entender meu desespero, eu não conseguia falar, minha voz não saia de tanto medo - Luciana - Preocupação tomou o rosto de Vlad e ele me segurou pelos ombros tentando entender o que se passava, como ele não conseguia ouvir os passos? Como ele não conseguia sentir o cheiro de Rive?!! Arregalei os olhos, Rive estava muito próximo, eu podia sentir o olhar dele me queimar. Me virei pra olhar pra trás. Vlad me puxou pra trás pra me defender e eu vi aqueles olhos vermelhos brilhando, eu vi aquele sorriso de dentes afiados, eu vi ele sussurrar "minha dama da morte" e principalmente, eu vi suas mãos, que estavam sujas de cimento seco... Depois daquilo eu gritei.
Flash back on
Rive segurou meu pescoço, me enforcando, me fazendo sentir sufocada e desesperada.
- Meu amor diz que me ama... - Falou ele e me puxou contra seu corpo me beijando, tentei empurra-lo, mas não consegui, ele era mais forte e eu já estava quase sem forças, faziam três dias que eu não me alimentava, e Rive me torturava direto sem sequer pausa pra descanso, a seguir ele me afastou de seu corpo e me mostrou um quadrado no chão, eu não sabia o que era aquilo cinza até ser mergulhada no líquido espesso. Cimento. Ele ia me enterrar viva com cimento. Entrei em desespero e tentei gritar, péssima decisão, ele percebeu que eu queria gritar e apertou mais minha garganta, quando eu estava quase desmaiando ele me afundou no quadrado de cimento, me pressionando pra baixo, segurei até onde deu mas eu precisava de ar, e foi quando não aguentei mais segurar a minha respiração que começou a entrar cimento na minha boca e pelo meu nariz, tentei sair, ou empurrar Rive e não consegui, tentei gritar e mais cimento invadiu minha boca,eu podia sentir cada porção de cimento arder a minha língua e descer pela minha garganta, eu queria vomitar e o cimento descia sujando meus pulmões. Quando eu parei de me mecher Rive me largou, eu estava chorando e sem forças pra me levantar, por mais que quisesse eu não conseguia, eu ainda estava viva e estava morrendo, e não podia fazer nada, quando juntei o resto das minhas forças pra me levantar e tentar respirar numa explosão de adrenalina, sem conseguir sair do cimento bati a cabeça em algo que me prendia, como se tivessem posto uma tampa na caixa. Agonia me invadiu até eu não resistir mais.
Flash back off
Rive alargou mais seu sorriso.
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Cadáver de Sangue I
TerrorQual é a pior forma de morrer? Vamos descobrir juntos...? Lucy era uma doce menina, ajudava todos e vivia feliz...até acidentalmente se envolver com pessoas erradas e ter seu destino traçado por dois homens com distúrbios psicológicos. E depois de p...
