Qual é a pior forma de morrer?
Vamos descobrir juntos...?
Lucy era uma doce menina, ajudava todos e vivia feliz...até acidentalmente se envolver com pessoas erradas e ter seu destino traçado por dois homens com distúrbios psicológicos.
E depois de p...
Em algum lugar tinha um resquício de luz. Tentei chutar o que me prendia e escutei um grunido, em seguida a "coisa" me soltou e eu cai no chão, instantaneamente, minha cabeça bateu em algo duro, era o chão. Choraminguei mas não me levantei, eu estava com medo. Tinham diversas velas acesas por perto. E dava pra enxergar uma silhueta grande e alta perto de mim. Assim que a silhueta se levantou sobre mim e tentou se aproximar, um grito escapou dos meus lábios e eu me debati e estapeei o rosto da "coisa". - Não! Para! - Exclamei e a "coisa" segurou os meus pulsos os segurando sobre o meu peito e me chaqualhou me fazendo arquejar. - Shiiiiii! - Pediu e então se aproximou e com a pouca luminosidade que as velas me proporcionavam eu consegui reconhecer o rosto de Vlad. Alívio correu nas minhas veias como sangue. Me acalmei no mesmo instante e então ele afrouxou o aperto em meus pulsos. Eu não esperei por nada, assim que tive meus pulsos livres, passei meu braços por cima dos ombros de Vlad e dei um abraço apertado no mesmo. Entrelacei meus dedos em seu cabelo e inalei o cheiro da sua pele em seu pescoço. Aquilo era tão reconfortante. - Não faz barulho - Sussurrou Vlad no meu ouvido, me envolvendo melhor em seus braços, dava pra sentir seus lábios roçando na minha orelha, arrepiei - Precisamos sair daqui, está perigoso... Vem... - Chamou desmanchando o abraço e dando a mão pra mim e sem dúvidas eu aceitei. Vlad se levantou do chão e me ajudou a levantar. Com um pouco de frio na barriga começamos a caminhar, bem próximos um do outro, e com cuidado, o escuro tomou tudo de novo, e as velas foram deixadas para trás. Com cerca de uns dez minutos de caminhada no escuro, com a ansiedade me consumindo como se fosse fogo me queimando. Finalmente eu consegui enxergar um ponto de luz. Era bem claro e vinha de uma fenda numa... Acho que aquilo era uma porta de madeira... Bem mal acabada... Vlad tomou a frente e abriu a porta, que rangendo de velha, deu vista para uma branquidão tomada por um líquido vermelho. Era neve, neve que em certos pontos estava coberta por sangue. Tinha uma área toda branca por causa da neve, um pouco mais à diante uma extensão grande de sangue e mais à diante uma floresta de árvores congeladas, com gelo transparente e galhos pontiagudos tão frios e afidos quanto uma faca que é tirada do congelador. Vlad fechou a porta de madeira atrás de nós e trancou com a chave de ferro que estava pelo lado de fora. Desviei os olhos da fechadura da porta e olhei para cima tentando entender o que estava acontecendo. O céu estava escuro, cheio de nuvens e com a meia lua que parecia o esboço de um sorriso macabro. Parecia o sorriso do Rive... Estava durante o dia aqui embaixo, mas lá em cima no céu estava noite, eu estava confusa. - Vlad - Eu o chamei sem tirar os olhos de todo aquele sangue na neve, aquilo até parecia um rio de sangue humano, ali, praticamente na nossa frente, tinha uma floresta de árvores congeladas com galhos afiados como navalha - Onde a gente tá? - Perguntei, eu estava vidrada naquela vermelhidão extensa de sangue. Meu estômago se revirava de fome, já tinham alguns dias que eu não tomava sangue. - Presos nas nossas próprias mentes. - Respondeu ele e eu me voltei para Vlad, visualizando seu rosto pálido e abatido. - Como assim?? - Indaguei confusa e Vlad suspirou preocupado. - É uma prisão mental, fomos... Ou melhor dizendo, nossos corpos foram teletransportados para o nosso subconsciente. Não podemos morrer aqui, mas não conseguiremos sair tão fácil. - Por que? Eu não estou entendendo, você está querendo dizer que aquele bruxo idiota nos colocou dentro da nossa cabeça??! - Perguntei desentendida e Vlad assentiu. - E se não podemos morrer... O que torna tão difícil sairmos daqui? E por onde se sai daqui??! - Esse é o problema, não tem como sair. - O que?!! - Esparventei-me coçando a nuca de nervosismo. - Mas... - Eu estava inconformada, vou ter que ficar presa aqui pra sempre?!! Tudo por causa daquela moto idiota?!! Mas que droga! Eu nem queria andar com aquela porcaria!!! Enquanto eu praguejava mentalmente Vlad se sentou no chão, na neve mesmo. - Tem alguma coisa... - Começou a dizer perdido nos próprios pensamentos - Tem que acontecer alguma coisa que faça a nossa mente se ligar com o corpo físico a ponto de nos fazer acordar e voltar. - E você não sabe fazer isso? - Não. - Então como você sabe sobre essas coisas? - O Bang me prendeu numa prisão mental uma vez, não foi uma experiência muito agradável. - Confessou Vlad e eu me calei, com certeza deve ter sido uma experiência horrível. Me sentei ao seu lado e alcancei sua mão, entrelaçando nossos dedos. A mão de Vlad estava quente, a minha estava gelada. Eu não estava com frio, mesmo que estando com roupa de calor, eu não sentia frio, o meu lado vampiro estava falando mais alto que o lado licantrope dentro de mim naquele momento. - Pelo menos temos sangue. - Falei quebrando o silêncio e Vlad levantou os olhos para ver o rio de sangue. - Está envenenado. - Afirmou e eu franzi o cenho indignada. - Como pode ter certeza disso? - Indaguei e Vlad olhou pra mim, me deixando embasbacada com aqueles olhos azuis penetrantes me cercando. - Porque estamos na nossa mente, aqui tem de tudo, medos, memórias, ciladas, monstros como o bicho papão e a cuca... E muito mais, nada aqui é confiável. - Mas você disse que a gente não morre aqui... - Comecei a dizer e Vlad me interrompeu. - Não morremos, mas isso não quer dizer que não sentimos medo ou dor. - Respondeu ele e eu bufei, e agora, eu vou fazer o que?!! - E agora? - Como assim "e agora" ? - Ah sei lá, a gente vai ficar aqui, parados esperando o rio de sangue envenenado secar? - Perguntei e Vlad arqueou uma sobrancelha. - Não, a gente vai sair daqui e procurar uma caverna que seja segura. O clima pode mudar à qualquer momento e se isso acontecer e a noite cair diversas criaturas que tanto eu quanto você temos medo aparecerão. - Como assim mudar? - Aqui é instável, por enquanto está frio, daqui a pouco pode ficar quente igual o inferno. E cheio de monstros. - Então vamos embora! - Falei me levantando. - Tarde demais... - Cantarolou uma voz que eu conhecia de longe, meu corpo inteiro se enrijeceu e eu não consegui me mexer, ele vai me bater, eu sei que vai.
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