Quando eu avancei na direção deles eu comecei a lamber o chão agarrando o pulso do pobre rapaz, eu não medi forças, eu apenas o agarrei pelos braços e depois de lamber o sangue do chão, mordi agressivamente seu pescoço, Bang se afastou com pressa, eu podia sentir seu sorriso queimando em minhas costas, seu ego autoritário de caçoa. Ele me enojava, mas eu era pior... Eu ataquei um jovem inocente. Eu me afastei, o jovem gritava assustado tentando se levantar mas não conseguia, eu sentia o sangue fresco dele escorrer em meu queixo, era louco, era insano, eu estava errada...mas eu queria mais, eu queria consumi-lo, queria quebrar todos os seus ossos e beber todo o seu sangue, mas era errado, eu me joguei no chão em conflito arquejando com os dentes cerrados em aflição. Pondo minhas mãos nos ouvidos eu escutei uma voz ecoar dentro de meus pensamentos " se alimente..." Ecoavam palavras dentro da minha cabeça. Eu queria matá-lo....mas ele era apenas um ser humano, os pais dele devem o amar, ele deve amar as pessoas que convivem com ele, eu não posso machuca-lo..... Eu gritei batendo os pés no chão agonizada.
- Não!!!!! - Grasnei enquanto passava a língua no lábio inferior sentindo o doce gosto do sangue. Eu queria mais.....
- Mate-o logo de uma vez Lucy.... - Falou Bang convidativo, e eu gritei dando murros no chão.
- Eu não sou um monstro! - Berrei angustiada, os dedos tamborilavam no chão em ansiedade e a parte de tras de minha cabeça latejava em dor. Eu queria matar Bang que me preossionava, eu queria matar Rive que me sequestrara me levando para aquele lugar imundo, eu queria matar tudo e todos que estivessem dentro daquela casa, mas além disso, eu queria matar o Tao,eu queria tomar todo o sangue que havia dentro dele, queria vê-lo esperniar gritando de dor até ele ficar roxo e imóvel. Meu Deus! Eu cobri a boca com as mãos, eu não quero matar ninguém, eu não quero machucar ninguém, eu não sou um monstro, eu só quero ir pra casa, eu só quero voltar a ter uma vida normal... Lágrimas começaram a rolar face abaixo de meus olhos, e eu fechei minhas mãos em punhos, cortando minha própria pele com as unhas, ou melhor, garras. Quando a palma das minhas mãos começaram a sangrar eu me arrastei até o rapaz, Bang ficava na porta parado assistindo atentamente, analisando todos os meus movimentos, eu me aproximei e o garoto se encolheu gritando em alto e bom som "Saia de perto de mim,monstro..." Aquilo me irou, doendo lá no fundo da minha alma, e segundos depois eu já não sabia mais se o deixava viver, era como se a palavra " Vida e humana" tivessem perdido seu significado, então eu quebrei seu braço acidentalmente, o fazendo gritar desperado enquanto eu o trazia para perto de mim e puxando-o contra meu corpo eu mordi seu pescoço sem me importar mais se aquilo era errado ou não. Eu apenas queria sentir aquele doce gosto de seu sangue e aquilo já me deixava extasiada, completamente viva e satisfeita.
Ao terminar de me alimentar daquele rapaz, quando eu estava de barriga cheia e com os pensamentos mais nítidos, minha consciência voltou, Bang ainda estava parado, encostado no batente da porta me encarando sem muito interesse.
Eu me ajoelhei no chão olhando para o corpo dilacerado diante de mim. Eu não sabia definir se sentia culpa ou prazer em ver o que eu tinha feito, era tão horrivel no que eu estava me tornando, mas eu já estava aceitando o fato, e isso me amedrontava como um devasto.
- Você fez um bom trabalho. - Falou Bang, num tom de voz sem emoção - Mas eu não gostei da culpa que sentia enquanto não atacava o rapaz. - Disse e sem que eu tivesse noção de onde veio, Bang deu um chute no meu rosto me fazendo cair para trás e bater a cabeça com brutalidade. Eu comecei a chorar sentindo o meu sangue escorrer pelo nariz. Agora, como se não bastasse, ele iria me punir por não ter matado aquele pobre garoto do jeito que ele queria. Quando dei por mim Bang estava com seu corpo sobre o meu com a adaga, que ainda estava segurando, sobre um dos meus olhos, ele não estava sorrindo, desta vez estava sério e com, aparentemente, com raiva.
- Você ainda tem muita coisa para aprender... - Sussurrou contra meu lábios, ele estava perto demais. E suas palavras me causavam arrepios e calafrios incompreensíveis.
- Bang o que voc... - Antes que eu pudesse terminar o que queria dizer eu coloquei minha mão para segurar a lámina da adaga instintivamente e Bang a afundou perfurando meu olho esquerdo sem pestanejar, a lámina cerrou a pele da palma da minha mão, e eu gritei em desespero empurrando Bang para que saísse de cima de mim. Meus pensamentos se tornaram um emaranhado de confusão, e eu me arrastei pelo chão sentindo a dor cortante me invadir, sentindo minha pálpebra partida ao meio ardendo em sangue e a dor angustiante da lámina afiada da adaga dentro do meu olho. Eu segurei o cabo da adaga nas mãos enquanto Bang se levantava e pegava algo em cima de sua cama, não me importei muito com isso, meu foco era tentar tirar a adaga do meu olho.
Eu respirei fundo, e segurando firmemente o cabo, puxei a lámina para fora do meu olho. Taquei a adaga no chão. Gritando eu me joguei no chão, ardia demais, era pior do que jogar alcool em cima de um machucado recém-feito. Queimava e ardia com estridência e aquilo me enlouquecia. Respirando profundamente eu tentei não gritar mais enquanto os tecidos do meu olho se regeneravam para que eu pudesse enxergar novamente, eu estava chorando de novo, mas eram lágrimas de sangue, sangue de verdade, lágrimas vermelhas que rolavam manchando meu rosto me deixando abismada. Eu estava cansada já, meu coração batia desesperadamente desde o momento em que acordei hoje de manhã no susto.
- Até agora, - Começou Bang me tirando de meus devaneios - Qual foi a pior morte que você passou nessa ultima semana? - Perguntou interessado e eu já notei que o que ele tinha na mão era a agenda de mortes que ele escrevia anotações sobre mim.
Eu levantei meu queixo para encara-lo diretamente nos olhos.
- Morrer afogada foi desesperador, mas a batida de carro doeu mais. Respondi exausta, eu já imaginava que depois daquilo ele me deixaria em paz então era melhor eu cooperar.
- Em qual das duas formas você ficou com mais medo? - Perguntou e eu abaixei a cabeça me lembrando do desespero que senti quando Rive me jogou naquele buraco cheio de água.
- Morrer afogada foi pior. - Respondi e então ele se levantou da cama após anotar minhas palavras na agenda, andando na minha direção, quando pensei que ele ordenaria que me levantasse ele não disse nada, apenas me rodiou e parando atrás de mim, virou minha cabeça para o lado abruptamente quebrando meu pescoço.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Cadáver de Sangue I
TerrorQual é a pior forma de morrer? Vamos descobrir juntos...? Lucy era uma doce menina, ajudava todos e vivia feliz...até acidentalmente se envolver com pessoas erradas e ter seu destino traçado por dois homens com distúrbios psicológicos. E depois de p...
