POV JOTA
A Sofia encontrava-se no peito enquanto eu lhe fazia festas pelo cabelo e observamos a paisagem à nossa volta.
Nunca me senti tão em paz como sinto agora. Estar com a rapariga nos meus braços faz com que eu me sinta completo de uma forma que nunca pensei que ninguém me completasse.
- Sofia? - chamo pela rapariga.
- Hm? - ela murmura em resposta.
- Já pensaste naquilo que eu te disse? Sobre ficares aqui em Lisboa?
Instintivamente eu aperto-a mais nos meus braços devido à ansiedade de saber a resposta dela. Queria tanto que ela ficasse, mas percebo se ela não quiser.
- Pensei e com carinho. - ela responde fazendo-a lembrar da conversa que tivemos no outro dia.
- E então? Já tomaste uma decisão? - questionei ansiosamente.
- Já. - ela faz uma pausa - Eu pensei e cheguei à conclusão que talvez me faça bem vir para Lisboa e os meus pais apoiam-me totalmente.
Não sei explicar o que senti quando acabei de ouvir o que ela disse. Eu sentia-me feliz ao estar aqui com ela, mas agora que ela me disse que pretende ficar em Lisboa eu senti-me para além de feliz.
- Não me acredito! - dou-lhe um beijo nos cabelos e viro-a de frente para mim - Estou tão contente, Sofia!
Ela gargalha e mete os braços à volta do meu pescoço dando-me um beijo.
- Tenho que admitir que tiveste um peso grande na minha decisão. - ela sussurra com os lábios colados nos meus.
- Fico feliz por saber. - dou-lhe um selinho - E não te vais arrepender, tens a minha palavra.
Ela sorri e encosta novamente a cabeça no meu peito enquanto me afaga os cabelos.
- Está a ficar tarde, temos que ir embora. - eu digo.
Ela aperta-me mais contra mim e eu sorrio fraco.
- Não queria nada ir embora.
- Pois, mas tem que ser menina Sofia.
Ela lá se levanta e depois de arrurrarmos as coisas iniciamos a viagem de volta.
Pelo caminho sentia que a rapariga tinha algo a dizer, mas que por algum motivo não o fazia.
- Podes perguntar Sofia.
Ela olha para mim.
- Como é que nós dois ficámos agora? - ela pergunta tímida.
Eu encosto o carro na berma para que lhe possa dar toda a atenção.
- Eu não quero esconder o que nós temos de ninguém. Eu gosto muito de ti e estou a gostar ainda mais de te conhecer. - ela assente - Eu quero tentar, Sofia, quero muito!
Ela sorri e faz um carinho na minha cara o que faz com que eu feche os olhos com a sensação.
- Eu também quero tentar Jota, quero muito.
Dito isto cola os nossos lábios. Passo a minha língua no lábio inferior a pedir autorização, mas sinto a mesma a recuar.
- Jota... - ela murmura afastando-se de mim.
- Que foi? - eu seguro a sua cara entre as minhas mãos - Fiz algo de errado?
- Não, mas sabes que não tenho experiência. - ela admite envergonhada.
- Eu ensino-te. Cada vez que eu passar a minha língua no teu lábio inferior é a pedir autorização para aprofundar o beijo, só tens que entreabrir a boca.
Volta a aproximar-me a dela e colo novamente os nossos lábios enquanto deslizo a minha língua pelo seu lábio inferior. Mostrando que aprende rápido a rapariga entreabre a boca o que me faz ter total acesso ao seu interior. Sinto a língua dela demasiado parada e toco o que faz com que a rapariga perceba e movimente a dela em conjunto com a minha o que leva ao melhor beijo da minha vida.
Quando a falta de ar se faz sentir o beijo dá-se por terminado.
Olho para ela a sorrir que me encara corada de vergonha.
- Sinto-me tão ridícula. - ela cobre a cara com as mãos.
- Porquê? - tiro-lhe com cuidado as mãos que lhe cobriam a cara.
- Eu não sou aquilo que precisas, nunca vou ser... - ela abana a cabeça em forma de negação - Estás a ensinar a beijar um rapariga com 19 anos quando é óbvio que podias ter qualquer outra aos teus pés.
- Sofia? - chamo por ela - Sofia? - volto a insistir e ela olha-me - Eu não quero as outras, eu quero-te a ti. É contigo que eu quero andar de mãos dadas na rua, és tu quem eu quero ver nos meus jogos com a minha camisola vestida, é a tua mensagem que eu quero ler quando acordo ou quando me deito, é a ti a quem eu quero recorrer sempre que o treino ou o jogo me corra mal, é contigo que eu quero partilhar a minha vida... É contigo, Sofia. Eu sei que é precipitado, mas é desta forma que eu me sinto.
Colo a minha testa na dela e sussurro só para si.
- És tu e é só contigo.
Ela sorri e beija-me.
