Capítulo 5

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POV JOTA

Caminho de volta para a sala de espera e sento-ne na cadeira. O relógio na parede à minha frente marcava perto da meia noite e o meu melhor amigo já estava completamente adormecido na cadeira do hospital.

Por um lado também eu queria dormir, mas sei que não vou ficar descansado enquanto não souber se a transfusão correu bem ou não.

Encosto a minha cabeça contra a parede e respiro fundo pensando no que a minha vida se iria tornar.

Manter uma relação, ainda que de fachada, com a Filipa vai destruir a Sofia e eu não sei se vou ter estômago para isto.

Quer dizer, eu estou louco para saber quem e a razão de terem provocado o acidente, mas não sei se vou ter forças para aguentar ver a minha menina triste.

Ainda mais quando a barriga começar a crescer e eu não poder acompanhá-la no processo.

Vai ser doloroso, mas necessário.

- Como correu a conversa? - um Guga sonolento pergunta assim que olha para o lado e me vê.

- Correu bem. - fui simples e o rapaz percebeu a mensagem.

- O que vais dizer à Sofia quando ela acordar? - o rapaz toca no assunto que eu a todo custo tentava evitar.

- Não faço a mínima ideia. - sou sincero - A minha intenção não é usar palavras que a possam magoar, mas sim palavras que possam levá-la a perceber o que se está a passar.

- Nós vamos estar do lado dela, Jota. - as suas palavras transmitem-me segurança - Trata de manter-te forte e a Sofia fica por nossa conta.

A nossa conversa é interrompida pelo médico que caminhava na nossa direção.

- Então? - pergunto imediatamente.

- A transfusão correu lindamente. - alívio toma conta do meu corpo - A paciente reagiu muito bem e já a conseguimos tirar do coma. Prevemos que acorde ainda no decorrer deste dia.

- Muito obrigada doutor. - estico a minha mão é ele aperta-a - Por tudo mesmo.

- É apenas o meu trabalho, jovem. - despede-se de nós com um sorriso e volta para o corredor.

O meu amigo olha para mim com alegria na sua feição e a minha deveria estar exatamente da mesma forma.

- Aliviado? - pergunta feliz.

- Nem imaginas o quanto. - sorrio - Saber que ela vai ficar bem, é tudo aquilo que eu preciso.

Depois de ligar a toda a gente a contar as novidades, deixo-me envolver pelo sono e acabo a dormir encostado na cadeira.

Acordo ao fim de algumas horas quando sinto um par de mãos na minha cara, acariciando a mesma.

- Bom dia, mãe. - digo assim que abro os olhos e vejo a minha progenitora.

- Olá. - ofereçe-me um sorriso - Não queres ir a casa? Tomavas um banho e descansavas um pouco? Fazia-te bem filho.

- Não. - nego rapidamente - Depois que a Sofia acordar, eu tenho tempo para isso tudo.

- Pelo menos vais comer aquilo que a mãe te trouxe. - pela cara que ela faz sei muito bem que não tenho hipóteses de refutar.

Pego no saco que a minha mãe continha na mão e esperguico-me olhando em volta da sala.

O Guga dormia com a cabeça deitada nas pernas da minha irmã e o saco vazio denunciava que o mesmo já havia comido.

A Maria sorri para mim e eu vou ter com ela beijando a sua testa.

- Mais descansado? - sussurra para mim.

- Sim. - respondo breve.

Ela vai ficar muito desapontada comigo. Tenho a perfeita noção disso, mas tenho que começar a colocar o plano em marcha.

Confusão é tudo aquilo que eu consigo perceber na cara da minha irmã. Também não é para menos.

- Está tudo bem? - questiona.

- Sim. - viro a cara para que ela não perceba que lhe estou a mentir.

- Eu conheço-te. O que é que se passa? - respiro fundo.

É agora. Vai ter que ser.

- Eu estive a pensar Maria e a atitude da Filipa surpreendeu-me muito pela positiva. - a boca da minha irmã abre-se em choque - Nós estivemos a falar depois disso, e eu percebi que lhe quero dar uma opurtunidade.

A rapariga rapidamente se levante fazendo com que o Guga acorde completamente assustado. Se não fosse pelo momento até me ria com a cara dele.

- Estás-te a passar, Jota? - ela está vermelha de raiva - Diz-me que isto é uma brincadeira.

A minha mãe rapidamente se apercebe da situação e corre para a beira da mais nova.

- Calma filha. - agarra-lhe o braço - O que é que se passa?

- O que é que se passa mãe? - pergunta irónica - O que se passa é que o Jota acabou de me dizer que vai dar mais uma opurtunidade à Filipa. - a cara da mais velha vira-se para mim à velocidade da luz.

- Isto é verdade? - pergunta-me séria.

- Sim. - tento mostrar sinceridade naquilo que digo - Nós vamos tentar outra vez.

- E a Sofia, Jota? - continua aos berros - Sim, a rapariga que mudou de cidade por ti, a rapariga que aguentou imensos escândalos e foi rebaixada imensas vezes devido à estúpida da Filipa. A rapariga que sofreu um acidente que quase a matou e está lá dentro a carregar um filho teu. Onde é que ela fica no meio disto tudo?

Bolas, Maria. Acabaste de tocar no meu ponto fraco. Depois destas palavras eu sinto a necessidade de respirar fundo várias e várias vezes para não deitar tudo à perder.

- Eu vou assumir as minhas responsabilidades com o meu filho, Maria. - tento parecer confiante.

- Tu és um egoísta. - grita as palavras na minha cara enquanto a minha mãe e o Guga apreciam a cena sérios - Eu só espero bem que a Sofia encontre um homem que lhe dê o valor que ela merece. E não um que a troque pela maior cabra que existe.

Dito isto abandona a sala de espera fazendo com que o Guga vá atrás dela.

A minha mãe olha para mim triste e vira costas da mesma forma.

As palavras da Maria magoaram-me.

Não há homem nenhum no mundo que dê tanto valor à Sofia quanto eu.

Contudo, imaginá-la com outro homem faz-me ficar completamente louco.

E no fundo, eu sabia que isso era uma possibilidade.

Só não pensava era que fosse com ele.

NOTA:

Olá, aqui está mais um capítulo da história.

A bomba rebentou de uma vez. E as reações não forma nada boas.

Aproveito para dizer que vai aparecer uma nova personagem na história. Alguém sabe quem?

Quero opiniões sinceras! A história não está do vosso agrado?

As visualizações tem diminuído muito para não falar dos comentários.

Eu queria mesmo saber a vossa opinião acerca da segunda temporada.

Obrigada pelo apoio!!

Até ao próximo capítulo!!

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