POV JOTA
Os meus olhos recaem para a pessoa que se encontrava nos lugares mais ao fundo da sala e um suspiro alto sai dos meus lábios.
De tanta gente que está aqui e fez o exame, porquê que tinha que ser logo ela compatível?
A minha irmã olhava para a rapariga com uma cara nada boa, já o Guga tentava transmitir-me força. Os meus pais encontravam-se apreensivos com esta situação e os meus sogros, completamente alheios a quem ela seria, encontram-se confusos.
- Eu preciso de saber se a menina Filipa está disposta a doar o sangue. - a voz do médico retira-me dos meus pensamentos.
Os seus olhos encontram os meus e eu só pedia mentalmente que, por uma vez na vida, ela fizesse alguma coisa certa.
- Eu aceito doar o sangue, doutor. - um meio sorriso aparece no seu rosto.
Os suspiros de alívio dos meus sogros, misturam-se com as caras confusas das restantes pessoas da sala.
Eu conheço a Filipa e sei que ela jamais aceitaria fazer isto por boa vontade. Ainda por cima para salvar a Sofia.
Depois das palavras proferidas a mesma levanta-se e acompanha a enferneira até à mesma sala de há pouco.
- A transfusão ainda vai durar alguns horas, por isso, eu aconselhava que todos fossem descansar um pouco e amanhã de manhã voltavam aqui. - o doutor olhou para todos nós - Qualquer notícia que tenhamos nós avisamos de imediato.
Dito isto, retirou-se da sala.
Levantei-me da minha cadeira e sentei-me numa próxima aos pais da minha namorada.
- Eu sei que vocês estão confusos, por isso eu vou explicar-vos a situação. - começo a dizer - Aquela rapariga é a minha ex-namorada. Quando eu conheci a Sofia, nós acabámos, no entanto ela nunca aceitou bem o término.
- Não precisas de te explicar. - a mãe da Sofia disse com um sorriso no rosto - O que importa é que ela vai ajudar a minha filha.
- Espero que sim. - sorrio para eles - Eu sei que esta não é a forma mais correta para vocês conhecerem a nossa casa, mas eu gostava muito que vocês fossem para lá e descanssassem. A viagem foi longa e eu fico aqui com a Sofia.
- Nós não queremos incomodar, Jota. - o Paulo proferiu - Ficamos num hotel.
- Nem pensar nisso. - neguei de imediato - Eu faço questão.
- Sendo assim nós aceitamos. - sorrio para eles.
Levanto-me da cadeira é chego perto da minha irmã e do Guga.
- Podem ir para casa. - peço-lhes - Levem só os pais da Sofia a nossa casa, por favor.
- Não vens? - questionou a rapariga.
- Não. - retiro as chaves de casa do bolso - Eu vou ficar aqui com ela e vocês vão descansar.
- A tua irmã vai. Nem penses que eu te vou deixar aqui sozinho. - o Guga fincou o seu ponto de vista.
- Está bem. - concordo com ele.
Após todos irem embora, apenas fiquei eu e o meu melhor amigo.
- Estou com mau pressentimento em relação a isto, Jota. - quebra o silêncio.
- Eu também Guga. - murmuro baixo - Mas eu só tenho uma certeza.
- Qual? - os seus olhos azuis voltam-se para mim.
- Eu vou fazer de tudo para ela ficar bem, independentemente de tudo.
O meu amigo suspira alto e remete-se ao silêncio.
Assim que a Filipa sai da sala o seu olhar encontra o meu e eu levo as mãos ao cabelo.
- Precisamos de falar. - pára à minha frente.
- Antes disso, eu vou visitar a Sofia. Depois falámos.
Caminho em direção ao doutor que se encontrava encostado ao balcão enquanto escrevia numas folhas.
- Doutor? - chamo por ele - Desculpe incomodar, mas eu queria mesmo visitar a Sofia. Acha que é possível?
- Ser possível não é, no entanto eu abro uma exceção para si. - faz-me sinal para que eu o siga e eu assim o faço - Daqui a dez minutos iniciaremos a transfusão.
- Muito obrigada. - ofereço-lhe um sorriso.
Encaro a porta e respiro fundo antes de entrar. A verdade é que estava com muito medo de ver a Sofia naquele estado.
Abro a porta lentamente e caminho para dentro do quarto. Observo o seu corpo imóvel na cama e todos os fios que a ela estavam ligados.
O meu olhar recai sobre a sua barriga tapada pelo lençol do hospital e as lágrimas começam a cair.
Chego-me mais perto e pego na sua mão que continha alguns arranhões tal como os seus braços e cara.
- Eu não sei se me consegues ouvir, mas sempre me disseram que sim. - entrelaço as nossas mãos - Nós conseguimos amor, vamos ser pais. - a minha outra mão passa pela sua cara - Tu deste-me a melhor coisa da minha vida e eu estou-te tão grato por isso. Não importa o que eu tenha que fazer, mas eu vou sempre proteger-vos aos dois. - limpo as lágrimas que caíam - Só te peço que nunca te esqueças que eu te amo mais que tudo. A ti e ao nosso filho. - chego a minha cara perto da dela e sussurro perto dos seus lábios - Tudo o que eu faço é por vós.
Deixo-lhe um breve beijo nos seus lábios e volto a passar a minha mão por toda a sua cara.
Um bater à porta interrompe o meu momento e eu olho para a mesma vendo o médico à porta. Logo percebo que é a minha deixa para ir embora.
- Mantém-te forte, amor. Eu amo-te. - beijo a sua mão e saio do quarto.
- Há riscos na transfusão, doutor? - pergunto assim que saio do quarto.
- Não. A paciente tem estado a reagir muito bem aos medicamentos e eu acredito que depois da transfusão nós possamos tirá-la do coma. Depois disso, não deve demorar muito para que ela acorde.
Eu confirmo com a cabeça e absorvo toda a informação que o médico me dá.
Com um sorriso no rosto, eu volto a agradecer ao senhor e volto para a sala de espera, onde provavelmente me esperava a pior conversa da minha vida.
Mas por eles eu fazia tudo.
NOTA:
Olá, aqui está mais um capítulo da nossa história!
O que é que será que a Filipa anda a tramar?
Obrigada pelo apoio dado!!
Até ao próximo capítulo!!
