Capítulo 83

734 50 22
                                        

POV JOTA

Encaro o teto branco do meu quarto e suspiro. A minha vontade era permanecer nesta cama para o resto da vida.

As palavras da Sofia atingiram-me de uma forma brutal. Primeiramente, porque eu não estava nada à espera que ela me dissesse uma coisa daquelas. Eu já brinquei inúmeras vezes com ela e nunca obtive uma reação de Stylesa.

Pensar que depois de tudo o que já passámos e de todos os esforços que já fizemos, ela pensar que eu seria capaz de lhe fazer uma coisa daquelas, deixou-me de rastos.

Afasto os meus pensamentos e levanto-me da cama. Visto um caso de fato de treino, devido ao frio que já se fazia sentir.

Durante o meu caminho até à cozinha, sinto o cheiro da comida que a Sofia deveria estar a preparar. Devo admitir que cheira muito bem.

Assim que passo pela porta da divisão a rapariga olha para mim com um pequeno sorriso triste no rosto.

- O jantar já está quase pronto. - anunciou - Fiz legumes à Brás, o teu prato preferido.

- Eu ponho a mesa. - abro o armário onde se encontrava a loiça - A minha irmã e o Guga vêm jantar?

- Não. - balança a cabeça negativamente - Ela mandou-me uma mensagem há pouco a dizer que eles iam passar a noite fora.

Tiro dois pratos para fora, dois copos e coloco-os sobre a mesa. Abro a gaveta dos talheres e repito o passo anterior.

Sento-me à mesa e a Sofia trata de colocar a nossa comida no centro da mesma. A rapariga pega no meu prato e serve-me uma quantidade generosa de comida. Depois pega no dela e serve-se apenas com uma colher.

- Só vais comer isso? - questiono olhando a pouca quantidade de comida no prato dela.

- Não tenho muita fome. - deu de ombros.

Observo a rapariga a começar a comer e imito-a. Durante a refeição são apenas ouvidos os nossos talheres.

Acabo o meu primeiro prato rapidamente e estico-me para que possa servir mais. Enquanto isso, a minha namorada deixava mais de metade da pouca comida que tirou para o prato.

- Já acabaste? - pergunto-lhe.

- Sim. - ela puxa o prato um pouco para a frente.

- Sofia tu não comeste nada. - repreendo-a chateado.

- Eu não tenho fome Jota. - repetiu a mesma fala - Vou comer uma peça de fruta.

A minha namorada pega numa maçã e começa a comê-la. Observo-a por pouco tempo e depois retomo a minha refeição.

Ao mesmo tempo que finalizo de jantar a minha namorada acaba com a maçã. Ela levanta-se e começa a arrumar os pratos.

Quando a mesma tinha intenção de pegar o meu, eu seguro-lhe o braço carinhosamente.

- Tu cozinhaste e eu arrumo a cozinha. Podes ir descansar.

A Sofia assente e antes de sair da divisão deixa um beijo na minha bochecha. Ela desaparece em direção ao nosso quarto e eu começo a arrumar a loiça.

Depois que tudo estava arrumado no seu devido sítio, dirige-me também eu para o quarto a fim de descansar do dia de hoje.

Percorro o curto caminho até ao quarto e entro diretamente na casa de banho. Escovo os meus dentes e sigo para a cama.

A Sofia estava deitada na ponta oposta à minha e decididamente que a cama parecia gigante e muito mais fria quando eu me deitei e não a aconcheguei nos meus braços.

- A minha mãe hoje disse-me uma coisa. - ela quebrou o silêncio entre nós ainda virada de costas para mim.

- O quê? - questiono.

- Ela disse-me que um casal não deve ir dormir chateado. - vira-se para mim - Desculpa pelo que te disse Jota. Eu estava irritada e se me perguntares nem eu sei bem o porquê. Quando me apercebi do que te tinha dito eu arrependi-me muito. Era suposto ser um dia feliz para nós e eu estraguei tudo, mas eu estou disposta a fazer tudo para que me perdooes.

- Tu não acreditas nos meus sentimentos por ti, Sofia? - começo por perguntar.

- Acredito. - responde segura.

- Então, por favor, não voltes a repetir aquilo. Eu era incapaz de te usar para o que quer que seja. Amo-te demasiado para isso e nem sequer consigo suportar a ideia de algum dia te vir a magoar outra vez. - digo-lhe.

- Desculpa. - volta a pedir - Desculpa se te magoei com as minhas palavras.

A rapariga olha para mim como quem pede autorização para se aproximar e eu abro os meus braços. Rapidamente ela se abraça a mim e deixa um beijo no meu pescoço.

Aperto-a contra mim e inspiro o cheiro dela, enquanto lhe afago as costas.

- Eu sou uma idiota que não te merece. - sussurra no meu ouvido - Mas sou uma idiota que te ama muito e que sabe que apesar de me desculpares continuas magoado comigo.

- Tu mereces o mundo Sofia. - falo baixinho - Esta não vai ser a primeira nem a última discussão que vamos ter. Nós vamos continuar a ficar chateados um com o outro e, eventualmente, podemos ferir-nos. O importante é que deixemos toda a nossa teimosia e todo o nosso orgulho de lado para poder ter uma conversa e resolver as coisas de forma pacífica.

- Eu vou fazer isso. - diz olhando nos meus olhos.

Dou-lhe um sorriso e aproximo os meus lábios aos dela.

- Agora já me podes explicar a surpresa que me fizeste? - pergunta-me.

Coloco o seu cabelo de modo a que não me atrapalhe e ajeito-a no meu colo.

- Eu decidi pagar os primeiros seis meses, para que durante esse tempo, nós possamos ir juntando o dinheiro que pagaríamos da renda e fazer umas férias só para nós.

- Eu gosto da ideia Jota, só não gosto do facto de teres pago tudo sozinho. Deve ter sido um balúrdio. - repreende-me.

- Felizmente dinheiro não é problema, Sofia. Sabes que eu recebo bem ao fim do mês e não me custou nada. Considera uma prenda. - finco o meu ponto de vista.

- Ainda falta alguns meses para o meu aniversário e ainda mais para o natal. - goza comigo.

- Eu não preciso de ocasiões especiais para te presentear. - digo sinceramente - Tu és o meu presente de todos os dias e nem sequer te apercebes disso.

A cara da minha namorada rasga num sorriso e logo sinto os seus lábios nos meus.


NOTA:

Olá, aqui está mais um capítulo da nossa história.

Espero que estejam a gostar e obrigada por todo o apoio!

Até ao próximo capítulo!!

Only YouOnde histórias criam vida. Descubra agora