POV SOFIA
A manhã foi passada numa correria entre a faculdade para tratar de toda a transferência.
Neste momento estamos num restaurante para que possamos almoçar e durante a tarde tratar de fazer as minhas malas.
- Boa tarde. - diz o funcionário assim que se aproxima da nossa mesa - Já sabem o que vão querer? - pergunta olhando diretamente para mim.
- Para mim pode ser uma francesinha. - pediu o Jota de forma rude fazendo-me olhar para ele - E para beber uma cola.
O funcionário assentiu enquanto escrevia o pedido.
- Para mim era também uma francesinha e uma cola. - peço.
- Era já não é? - brinca o funcionário.
- Era e é. - responde o meu namorado de forma bruta - Importa-se de trabalhar ou vai estar aqui a fazer-se à minha namorada mesmo à minha frente?
O rapaz muito atrapalhado lá acaba por anotar o pedido e sair da nossa mesa.
Olho para o meu namorado que se encontra com os punhos cerrados em cima da mesa enquanto olha para os lados.
Estico a minha mão em cima da mesa e agarro a sua, entrelaçando-a. Ele finalmente olha para mim.
- Desculpa. - ele lamenta-se - Não queria ter falado assim, muito menos assustar-te com esta atitude.
Começo a fazer carinho na sua mão de forma a acalmá-lo.
- Não precisas de ficar assim Jota. Eu estou contigo, não estou?
Puxo a sua mão beijando a mesma, ganhando assim o sorriso do meu rapaz. Contudo, o seu sorriso logo se desfaz quando vê o funcionário a aproximar-se. Aperto a sua mão e o rapaz encara-as deixando o nosso almoço e virando costas sem dizer uma única palavra.
Ofereço um sorriso ao meu namorado que me corresponde com outro.
Acabámos de almoçar e depois de muita discussão o Jota acaba por pagar e seguimos em direção a minha casa.
Reparei que o carro dos meus pais já se encontrava estacionado à frente de casa, sinal que já haviam chegado.
- Aquele é o carro dos teus pais, não é? - inquire-me.
- Sim. - respondo estranhando a sua questão - Mas porquê que estás com essa cara Jota?
- Estou nervoso. E se eles não gostarem de mim?
Rio-me da sua figura enquanto o meu namorado olha atentamente para mim.
- Sofia não te rias. - pede-me e embora eu tente o meu melhor para parar, volto a rir-me.
Depois de me ter acalmado do meu ataque de riso, aproximo a minha cara da sua, sussurando a poucos centrímetros dos seus lábios.
- Eles vão gostar de sim. - coloco uma mão na cara - E mesmo que não gostassem, eu é que namoro contigo, não eles.
- Amo-te. - dá-me um pequeno beijo na boca - Ainda ontem começamos a namorar e já estou a conhecer os teus pais. Acho que estamos a saltar etapas. - ele brinca com a situação fazendo-me rir.
- Arrependes-te? - pergunto-lhe - Arrependes-te de ter acabado com a Filipa? De me teres pedido em namoro quando ainda só nos conhecemos há uma semana? De teres dito que me amavas? De teres vindo comigo aqui agora e estares prestes a conhecer os meus pais? - faço uma pequena pausa desviando o olhar - Arrependes-te de nós?
- Sofia? Olha para mim. - ele mete uma mão na minha cara e eu olho para ele - Eu não me arrependo de nada. Eu não me arrependo de ter pedido em namoro, não me arrependo de ter dito que te amava, não me arrependo daquilo que nós fizemos e muito menos me arrependo de estar aqui agora contigo. Tu foste a melhor coisa que me aconteceu, ouviste? Pode parecer que não, mas temos uma coisa em comum.
- Qual? - sussurro.
- Ambos estamos a descobrir o sentimento que nos une, o amor. Nunca senti o que sinto por ti com ninguém. Nunca ninguém me amou como tu me amas. Nunca ninguém me deu tantas certezas como tu me dás. Isto também é tudo novo para mim, sabias? Eu não sabia qual era a sensação de ter as famosas borboletas na barriga. Não sabia o que era ter o coração acelarado. Agora eu sei. Cada vez que te estás perto eu sinto as borboletas na barriga. Cada vez que penso em ti o meu coração acelera. Cada beijo, cada toque teu, deixa-me com o coração acelerado. Quando dizes que me amas, sinto tudo em simultâneo. Eu quero continuar a descobrir isto tudo ao teu lado. Só contigo. Eu não me arrependo de ter amar. Nunca me vou arrepender.
Depois de ouvir o discurso do meu namorado e já com as lágrimas nos olhos eu abraço-o com toda a força que tenho.
- Desculpa as minhas inseguranças, eu sou uma pessoa insegura. Eu também sinto tudo isso contigo, Jota. Esta manhã acordei estupidamente feliz por saber o dia de ontem tinha acontecido e que não tinha sido nenhum sonho. - eu sorrio-lhe - Eu sinto as borboletas quando estou contigo, sinto o coração acelerado cada vez que me olhas que me tocas ou beijas. O meu mundo parou no momento em que me disseste que me amavas. Eu sinto-me amada, sinto-me desejada e isso era algo que eu pensava que nunca iria sentir. Eu também quero continuar a descobrir todas estas sensações ao teu lado e contigo. Só ao teu e só contigo. Não faz sentido se não for contigo.
- Eu amo-te muito, sabias? Nunca duvides disso. E a cada dia que passa te desejo mais e mais.
- Amo-te Jota. Amo-te tanto! - aproximo mais a minha boca da sua - Não desistas de mim.
- Jamais.
E lá estávamos mais uma vez os dois a beijar-nos. Desta vez um beijo calmo que fazia sentir todo o seu amor por mim e vice-versa. Mas nada fica calmo por muito tempo e as nossas respirações já se encontravam aceleradas. As minhas mãos já se encontravam na cintura do meu namorado, enquanto que as deles já percorriam as minhas coxas.
- É melhor pararmos. - ele disse a sorrir - Estamos no carro e em frente à casa dos teus pais e a minha situação já está complicada.
Olho para ele não entendendo o que ele quis dizer e ele desvia o seu olhar para baixo fazendo com que eu desvie o meu também.
- Não me acredito Jota. - disse completamente envergonhada ao ver o alto nas suas pernas.
Ele ri-se com vontade enquanto que eu faço tudo para não desviar o olhar outra vez para o mesmo sítio.
- Não precisas de ficar tão envergonhada amor. - ele diz-me - É normal o meu corpo ter este tipo de reações, eu amo-te. Mas eu vou tentar controlar-me.
- Eu acho que é melhor te controlares agora ou vais conhecer os meus pais assim?
Ele encosta a cabeça no banco e fecha os olhos enquanto sussurra coisas sem qualquer sentido.
- O que é que estás a fazer? - pergunto rindo-me.
- A fazer com que isto morra. - ele respondeu e continuou a dizer coisas sem sentido.
E lá estou eu no carro enquanto me rio das figuras do meu namorado. Realmente estou feliz, como nunca fui antes.
NOTA:
Parece que tivemos a primeira cena de ciúmes do nosso casal. Contudo as coisas estão demasiado calmas por aqui, será que vão continuar assim?
Mais uma vez obrigada pelos votos e comentários. Nunca é demais agradecer.
Votem e comentem se gostam do rumo que a história está a tomar. Eu adoro saber as vossas opiniões.
Até ao próximo capítulo!
