Capítulo 87

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POV JOTA

- Desliga essa porcaria, Jota. - a minha namorada reclama assim que o despertador é ouvido pelo quarto inteiro.

Estico o braço e pego no aparelho ao meu lado, desligando-o.

- Mau humor matinal? - aproximo-me dela e abraço-a.

- Muito. - responde voltando a fechar os olhos.

- Nem o meu beijinho de bom dia mereço? - meto-me com ela - Olha que daqui a pouco já tenho que ir.

A rapariga mexe-se nos lençóis e volta-se de frente para mim outra vez.

- Chantagista. - disse com um sorriso no rosto.

Solto um riso e aproximo os meus lábios aos dela, iniciando o beijo por mim ansiado.

- Tenho que me levantar. - digo-lhe - O mister ainda quer ver alguns lances de jogo e definir estratégias.

- Está bem. - assente - Eu vou ligar à Maria e vamos lá ter as duas.

- Tenho que me vestir, porque já estou atrasado. - deixo um beijo na sua bochecha e caminho até à casa de banho.

Tomo um duche rápido e visto o meu fato de treino. Pego no saco que tinha preparado ontem e trago-o comigo para a cozinha.

Bebo o meu batido energético e como um pacote de bolachas rapidamente. Retiro o bilhete da Sofia e pouso-o em cima da mesa.

- Já vou amor. - aviso-a e baixo-me ao nível dela - Tenta chegar um bocadinho mais cedo para evitares as confusões dos adeptos, sim? O teu bilhete autoriza que estaciones o carro no nosso parque e manda-me mensagem quando chegares.

- Ok. Mais alguma coisa? - questiona com um sorriso divertido nos lábios.

- Sim. - ela abre a boca para barafustar, mas eu interrompo-a - Eu amo-te muito, resmungona mal humorada.

Ela levanta a mão para me bater, mas eu entrelaço-a na minha e abraço-a.

- Também te amo. - diz ao meu ouvido.

Sorrio e lentamente separo-me dela deixando um último beijo na sua boca.

Conduzo calmamente até ao Seixal e quando lá chego dirigi-me ao auditório.

- Boa sorte. Tenho a certeza que vais fazer um bom jogo. - ouço a voz da Filipa.

- Obrigada. - respondo curto.

Tento continuar o mesmo caminho, mas a rapariga volta a chamar o meu nome.

- Vai ser sempre assim? - pergunta com as mãos na cintura.

- Filipa eu não estou com paciência, nem disposição para te aturar, por isso se não te importas vai direta ao assunto.

- Eu falo para ti e tu praticamente me ignoras. Não me digas que foi a Sofia que te proibiu de falar comigo? - disse com um sorriso irónico.

Solto um riso e olho para ela.

- Achas que a Sofia perde tempo contigo? Se eu não falo contigo é porque não quero.

- Eu sei que errei contigo, mas eu já te pedi desculpas. A bem ou a mal eu fiz parte da tua vida durante três anos. Não podemos pelo menos ser amigos? - questionou.

- Já não sei de que forma é que te hei-de dizer isto para que tu percebas de uma vez. - passo as mãos pelo cabelo frustrado - Filipa, eu não quero mais nada contigo. Nem amizade sequer. Deixa-me em paz de uma vez, por favor.

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