POV JOTA
Ganhámos o jogo e eu não poderia estar mais feliz. Redimi-me do jogo passado e consegui fazer um hat-trick. Agora estamos apenas a 1 ponto do primeiro classificado.
Esperei que a Sofia me ligasse antes ou até depois do jogo, mas a mesma não o fez. Já tentei ligar algumas vezes para o seu telemóvel, mas a mesma não me atende. Voltei a tentar agora, porém deu-me desligado. Marco o número da minha irmã, mas estava ocupado.
Bufo e caminho para a beira do Guga que também falava sério ao telemóvel. Assim que me viu, desligou o telemóvel e colocou-o no bolso.
- Algo não está bem. - digo assim que chego à beira dele - A Sofia não me atende e a minha irmã também não.
- Calma Jota. - respondeu - Eu estava a falar com a tua irmã agora e está tudo bem.
- Vou-lhe ligar. - tiro o telemóvel do bolso, mas a sua fala impede-me.
- Para quê Jota? Não é preciso, elas estão bem. - passa a mão no cabelo - Estão no shopping e está muito barulho deve ser por isso que não ouviram os telemóveis.
- Porquê que eu sinto que me estás a esconder alguma coisa? - questiono desconfiado.
- Não faças filmes... - assim que ia continuar o Nuno entra no quarto.
- Pessoal está tudo pronto, já podemos ir embora.
O meu amigo passa por mim rapidamente não me dando opurtunidade de continuar a nossa conversa.
Fico pra trás e pego no telemóvel ligando para a minha irmã. Demorou um tempo atender, mas assim que o fez eu falo logo.
- Está tudo bem?
- Sim. Porquê que não haveria de estar? - diz e eu não acredito nem um pouco nas palavras dela.
- A Sofia? Quero falar com ela. - insisto.
- Jota nós estamos no shopping. - contrapôs - Eu vim cá fora atender e ela ficou na loja.
- Porquê que eu sinto que tu me estás a mentir Maria? - questiono começando a ficar nervoso.
- Já estás a vir embora, não já? - desvia o assunto.
- Sim. - olho para o relógio no meu pulso - Daqui a duas horas no máximo estou aí.
- Ótimo, até já. - despediu-se e desligou o telemóvel.
Entro no autocarro e mesmo arranca em direção ao Seixal. Estranho o facto do lugar do Guga estar ocupado pelo Nuno, mas decido ignorar.
O caminho foi preenchido pelos festejos dos meus colegas, mas por alguma razão o meu amigo loiro mantinha-se quieto a trocar mensagens com alguém.
Começo a ficar enervado e só desejo que esta viagem passe rápido.
Ao fim do que pareceram infinitas horas o autocarro pára no Seixal e eu sou o primeiro a sair e a pegar nas minhas coisas. Espero pelo meu cunhado e caminhámos juntos para a entrada onde a minha irmã nos esperava de costas voltadas para nós.
- Porquê que a Sofia não veio? - questiono assim que chego à beira dela.
A rapariga continua de costas e eu sinto a mão do Guga no meu ombro.
- Maria, podes-me responder? - começo a perder a paciência.
Assim que a mesma se vira eu reparo nas lágrimas que caiam pelo seu rosto.
