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Revisado.

Me informei no ponto de ônibus qual a condução certa a tomar. Para a minha sorte não demorou muito, algo dentro de vinte minutos. O motorista com toda a sua educação profissional me ajudou dizendo onde descer.

O tempo estava meio duvidoso, nada firme, o que era bom. Muito calor não é agradável a ninguém.

No local não havia asfalto, parecia ter parado no tempo. Logo de início, em um muro pude ver uma pintura de dois homens armados e mais acima escrito "Família Chapadão". Não foi uma boa ideia vir de tênis branco.

Passo minha mão sobre meus rabo de cavalo e caminho um pouco mais. Até aquele momento não avisto nenhum homem armado ou algo do tipo entretanto, o cheiro de maconha era perceptível e muito forte.

Não avistei nenhuma moto a minha espera, talvez tenham esquecido.

Mais a frente havia um campo de futebol, era de areia, as redes rasgadas. Atrás do campo se encontrava uma pista de skate e logo ao lado um muro escrito "Bem vindo ao Final Feliz", ali estava um homem negro, sentado em uma moto e fumando um cigarro. Me retrai por alguns segundos até o mesmo me encarar e semicerrar os olhos. As rugas em sua testa se formam rapidamente, parecia estar em dúvida. Bastou eu dar um sorriso para que então ele jogasse o cigarro ao chão e viesse em minha direção com a moto gigantesca.

— É tu quem o patrão mandou buscar? — Pergunta sorridente.

— Sim. Meu nome é Mariana.

— Beleza, sobe aí. — Diz olhando para o banco.

Poucas vezes na vida montei em uma moto, mas uma como essa, nunca. Respirei fundo apertando minha bolsa contra a lateral de meu corpo. Apoiei meu pé e subi sentindo meu corpo inteiro tremer, medo de cair.

O homem olhou para trás afim de ter a certeza de que tudo estava nos conformes antes de dar partida. Meu bumbum ficou literalmente empinado, não por permissão minha, mas pelo banco alto.

Logo avisto Cristiane parada em frente a um enorme portão. Ela estava com o uniforme da pastelaria, o que me deu uma pontada no peito. Talvez seja saudades. A moto para de frente para ela e só então noto que o portão estava entreaberto.

— Porra, achei que não vinha mais. — Reclama em tom que nunca usará comigo. Cristiane encara o portão atrás de si.

— Seu namorado esqueceu de me passar algumas informações úteis — Digo irônica — Coisa de gente desatenta. — Completo.

A feição de minha amiga muda repentinamente. Seus olhos se arregalam, seus ombros pesam. Só então o portão se abre me revelando um homem magro, tinha em torno de um e setenta de altura. Sua barba e cavanhaque chamará minha atenção.

Realmente odeio barba.

Seu único cordão parecia pesar, sem dúvida era ouro. Seus dedos apoiados no portão carregavam dois anéis, também de ouro. Três pulseiras e um relógio extremamente grande. O cheiro de seu perfume era desconhecido por mim, mas era maravilhoso, eu usaria mesmo sendo masculino. Provavelmente custou caro.

Aquele era o tal Felipe.

— Nem sou tão desatento assim, se não a comunidade não andava. Né, não? — Ele diz com seu tom carregado de ironia.

Felipe não havia gostado nada do meu comentário infeliz. Me repreendo mentalmente, se eu pudesse daria um soco em meu próprio nariz.

O constrangimento tomou conta do meu ser. Paralisei em cima daquela moto e não desci por nada.

CDC - Concluída.Onde histórias criam vida. Descubra agora