Termino de fazer o em cima do teste, infelizmente minha pontaria não é tão boa, fiz mais xixi na mão do que no teste.
Do banheiro ouço Felipe reclamar por conta da reprise de um jogo qualquer. Fecho meus olhos pensando em como daria a notícia para um dos dois... Eduardo, eu não posso estar grávida de você.
“— Eu sou estéril, Mariana.”
Abro meus olhos rapidamente ao lembrar da voz de Eduardo confessando-me um de seus segredos íntimos. Foi impossível não abrir um sorriso com isto.
— Ele é estéril. Deus, obrigada por isso. — Digo para mim mesma.
Céus, que pecado. Eu não deveria ser tão ruim. Respiro fundo vou de encontro ao teste que estará em cima da pia do banheiro. Por mais que eu soubesse a verdade sempre fica um pingo de esperança, mesmo não alimentada por fatos, ainda há. Esperança está que foi pela descarga junto com meu xixi... Maldito dois tracinhos.
Jogo o teste dentro da pia e me fito através do espelho. Não demora muito para meus olhos se encherem. Isto gerou um peso enorme em meu peito, não pela aceitação de Felipe, hoje em dia nenhuma mulher precisa da aceitação de macho para ter ou não um filho mas por saber que meus planos teriam que ser adiados. Felipe me ama, certo? Ele não é nenhuma criança inocente, quis fazer do seu jeito, agora não há saída.
— MARIANA. — Ouço ele gritar por meu nome.
— Já estou indo.
Chamou por meu nome, isto significa que o mesmo não está muito paciente comigo, logo sei que não será uma boa ideia contar hoje. Preciso conversar com Ana, ela saberá o que me dizer.
Deixo o teste atrás da privada e saio do banheiro em busca do meu celular, envio uma mensagem para a mulher, pedindo para a mesma vir ao meu encontro na manhã seguinte.
Sinto os olhos de Felipe sobre mim. Ele está desconfiado.
— Solta essa merda. Fica comigo. — Pede grosseiro.
Deixo meu celular de lado e me deito ao seu lado. Meus olhos fitam o jogo que passará mas meus pensamentos estão em um ser que está dentro de mim neste exato momento.
— Uma pena Ana não ter filhos, né? — Indago.
— Por que?
— Ah, eu gosto de crianças.
Felipe continua com sua atenção a televisão.
— Tá maluca. Criança só dá trabalho. Acho até melhor tu cortar essa onda. Detesto essas porra. Daqui a pouco quer ter filho. — Desvia sua atenção para mim — Pega o remédio no bolso da minha bermuda. Ganhei lá no posto.
Assinto um pouco chateada com sua resposta. Pego a cartela de remédio dentro do bolso de sua bermuda e acidentalmente cai dois pacotes de camisinhas do mesmo lugar. Eu já havia visto esses pacotes em algum lugar.
Mas que porra?
— O que essa merda tá fazendo no seu bolso? — Pergunto irritada.
— Ganhei no posto, é para dor.
Esta se fazendo de idiota. Pego as camisinhas do chão e o mostro.
— Essa porcaria aqui, Felipe.
— É para usar, ué. Ganhei lá também. — ele abre um sorriso maroto — a enfermeira me deu.
— É mesmo amorzinho?
Caminho lentamente até o mesmo, abro um sorriso malicioso e ele vai surfando a mesma onda. Ponho minha mão em seu braço, na região onde está a queimadura e aperto.
— TA MALUCA, PORRA? — Pergunta após da um tapa em minha mão.
— Eu não estou brincando. Pra que essa merda, Ret?
— É pra usar contigo, porra! Sua neurótica do caralho.
Ele balança o corpo para frente e para trás, afim de amenizar a dor.
— Eu não acredito. Você nunca fez questão.
— Ela que me deu essa merda. Para de fogo no rabo.
— Você não precisa disso. Vou jogar essa merda fora. — Digo raivosa. — Me fala o nome dessa vagabunda, é óbvio que ela estava agindo maliciosamente.
Ele não responde, apenas ri.
— Você fica linda com ciúmes. — Sua mão vai até minha blusa, puxando a mesma. — bora usar hoje?
Minha vontade era de esfregar a verdade em seu rosto. Dizer que não adianta mais, que o pesadelo dele havia se tornado realidade, — eu estava grávida— e nada mudaria isto. Pelo que vejo, ele vai odiar a idéia. Tudo o que temos irá por água a baixo.
— Me erra, Felipe.
Minha voz estava embargada, eu iria chorar mas não pelas camisinhas e sim pela gravidez.
— Tá chorando? — Indaga seriamente — calma, amor. Sabe que só quero você.
Eu não sei, mas algo em seu tom de voz não me agradará muito.
— Vou dormir no quarto da sua mãe.
— Para que isso, Mariana?
— Não quero ficar perto de você. — Deixo uma lágrima cair, merda. — só respeite isto. Por favor.
Retiro sua mão de minha blusa. Caminho até o banheiro e pego o teste. Ele poderia descobrir meu esconderijo, não seria tão difícil. Após sair do banheiro vejo que ele não esta mais no quarto, saiu tão rápido quanto um furacão. Aproveito para procurar minha roupa de dormir e esconder o teste na minha gaveta de calcinhas, gaveta esta que Felipe me ofereceu. Tenho certeza que ele não irá mexer, em relação a esse tipo de coisa ele é muito centrado e respeitador. Não invade a privacidade de uma mulher, talvez seja por ter crescido junto a duas — sua mãe e irmã —, sua educação em relação a isto foi boa.
Tomo um banho rápido e vou em direção ao quarto de Gleyce. Noto que meu namorado não estará em casa, a porta da sala estará escancarada. Prefiro não saber o que ele foi fazer — mesmo já sabendo — isso faz minha raiva crescer ainda mais. O cara não respeita o próprio corpo, o próprio tempo. Está com a merda do braço queimado...mas o pó é melhor que o remédio. Quero que ele se foda e fique morrendo de dor a noite inteira.
Tudo bem, sou mente aberta e sei que superar um vício não é fácil — vi isso de perto, com meu pai — a forma que minha mãe sofria em relação a isto.
Deito na minha antiga cama e observo a o lugar onde minha sogra deveria estar. Sinto saudades, talvez mais que seu filho.
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CDC - Concluída.
Teen FictionHomem rude, mente fechada, usuário de cocaína e com a mente dominada por demônios tão confusos quanto o mesmo. Coração na sola do pé - exerto por uma pessoa; sua mãe -, e por isso Felipe irá contratar uma cuidadora de idosos, Mariana Ribeiro. Sem t...
