Caminhei lentamente em direção a pequena sala de minha casa. Para meu espanto, o homem ainda estava lá. Sentado em meu sofá e com o iPhone dourado em mãos, ele me encara e sorri. Se a situação não estivesse tão constrangedora eu o chamaria de folgado.
Felipe me fita de cima a baixo, não há sinal de malícia em seus olhos. Óbvio.
- Quer tomar banho primeiro? - Pergunta.
- Quero que seja breve. - Respondo ríspida.
Eu não encarava seus olhos, a vergonha era mútua. A culpa disso tudo é toda de Felipe.
- Preciso que tu volte - Disse finalmente.
Encaro seus olhos pela primeira vez. O desentendimento superou a vergonha.
- Pensei que estivesse zangado comigo
- Não. E pode ficar tranquila que eu tô ligado em tudo o que aconteceu. - Explica ele.
Nego com a cabeça algumas vezes.
- Acho legal você vir aqui, mas não dá.
- Por que? - Pergunta se aproximando.
Dou alguns passos para trás, escondendo meu corpo atrás do sofá.
- Já estou trabalhando - Tento soar firme.
Felipe bufa, parece sem paciência.
- Tá mentindo, pô mas tranquilo. Toma aí - Ele joga o envelope que antes estava em sua mão, agora está em cima do sofá.
Encaro o envelope branco e logo seus olhos. Era dinheiro, e eu estava precisando.
- Como ela está? - Me prefiro a sua mãe.
- Não quer comer com ninguém, só dorme. Acho que tá sentindo sua falta, sei lá - Diz preocupado - Aí, sei que vacilei contigo mas se tu voltar eu vou fazer diferente.
Aquela conversa estava soando de forma inadequada. Parecíamos um casal divorciado.
Fecho meus olhos me praguejando mentalmente por ser essa idiota que se preocupa com todos.
- Eu volto se você prometer por uma cama naquele maldito quarto.
Digo rapidamente. Felipe abre um breve sorriso tentando esconder a felicidade. Incrível!
- Tem como tu ir hoje? Agora, comigo - Diz sem jeito.
- Certo, só viu arrumar minhas coisas.
Saio de trás do sofá e vou de encontro ao quarto encostada nas paredes para que ele não veja minha bunda. Não me importo se o mesmo está me achando uma mentecapta.
- Não precisa, tem roupa sua lá - Diz sorrindo - Só toma um banho porque o bagulho aí tá brabo.
Rolo meus olhos pagando a almofada que estava repousada na poltrona de meu pai, e jogo em cima de Felipe que desvia rapidamente.
No cubículo que chamo de suíte em meu quarto, tomo um banho retirando de mim aquele cheiro de mijo insuportável.
Sem muita formalidade ponho um vestido na altura do joelho, chinelo seria minha melhor opção para o dia de hoje. De deixo meus cabelos soltos mas ponho para o lado, apoiado em meu ombro.
Essa talvez seja a maior loucura da minha vida, sinto que ele não vai mudar tão facilmente, afinal, se fosse tão fácil as ruas não estariam repletas de dependentes químicos.
- Vamos? - Pergunto saindo do meu quarto apenas com minha bolsa.
Ele ae levanta do sofá retirando a almofada de seu colo. Felipe sai e vou logo em seguida mandado mensagem para meu pai.
Sinto meu corpo entrar em colapso quando os dedos de Felipe passeia pelo meu pescoço, provocando arrepios inesperados.
- Maneira a tatuagem, nunca reparei - Ele diz se referindo a rosa que tenho tatuada em meu pescoço.
- É, você não me parece o tipo que repara muito em uma mulher - Digo soltando uma leve risada pelo nariz.
- Depende da mulher, eu noto coisas diferentes em cada uma - Retruca enquanto caminhavamos até um carro.
- E em mim você reparou a tatuagem.
Chamo a atenção do mesmo que para de caminhar e me olha superior.
- Os peitos.
Felipe abre a porta do carro para que eu possa entrar. Ignoro sua resposta e adentro ao carro me sentindo levemente bem comigo mesma. Nenhum homem já reparou em meu corpo, o máximo foi alguns bêbados.
Ele era rápido ao volante, assustava.
- Por que não trouxe o dinheiro que te dei? - Pergunta se esforçando para retirar o cigarro março pelo fato de estar com uma das mãos ao volante.
Incomodada, pego o objeto de sua mão e retiro o cigarro, colocando seus lábios.
- Deixei para meu pai pagar algumas coisas.
- Sabe quanto tinha ali? - Pude ver um sorriso brotar no canto de seus lábios. Apenas nego - dez conto.
Dez mil reais, ele me deu dez mil reais.
- Por que você me deu isso tudo? - Pergunto espantada.
- Pra tu pagar a inscrição pra faculdade.
- Não posso fazer isso.
- Não vai poder se teu pai gastar tudo com cachaça - Diz ríspido.
- Meu pai n... Espera, como sabe que meu pai bebe? - Pergunto sem entender.
- Que seu pai é alcoólatra, você quis dizer - Diz rindo.
Naturalmente aquilo não tinha graça alguma.
Opto pelo silêncio, talvez esta seja a minha melhor resposta.
O cheiro forte de seu cigarro tomou conta do carro em poucos segundos, nada insuportável mas para quem não está acostumado é incomodo.
Ao encarar Felipe me vinha uma enorme vontade de fazer muitas perguntas, e uma delas e o porque de ele ter entrado para essa vida tão radical.
- Vai devagar, por favor - Peço ao notar que ele não se importava muito com as regras do trânsito.
- Só não mija no meu banco, é novo
Ele ri.
- Sua sorte é que não estou com vontade.
Felipe me olha profundamente mas sua feição divertida some. Posso estar ficando louca mas esse homem tá mexendo comigo.
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CDC - Concluída.
Teen FictionHomem rude, mente fechada, usuário de cocaína e com a mente dominada por demônios tão confusos quanto o mesmo. Coração na sola do pé - exerto por uma pessoa; sua mãe -, e por isso Felipe irá contratar uma cuidadora de idosos, Mariana Ribeiro. Sem t...
