Penúltimo Capítulo.

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Passo minha língua pelos lábios, minha garganta está seca. Observo Karol conversando com a enfermeira que acabará de me dar alta. Mesmo não conhecendo direto, ela tem sido uma amiga e tanto. Não sei o que Ret fez com sua irmã no dia anterior, mas provavelmente deve ter a perdoado. Tudo farinha do mesmo saco.

Visto minha roupa ali mesmo e me sento na cadeira. Meu útero ainda dói. Hoje não foi necessário o uso de fraldas, entretanto, estou usando um absorvente enorme. Meu celular vibra, agradeço mentalmente Karol por ter trago ele para mim. William retornou minha mensagem com um áudio.

— “Pode sim, Mari. Uma companhia é sempre bem vinda, eu te conheço bem e jamais negaria isso, mas você vai me contar tudo o que houve. Abraços”

Abro um sorriso, animada com o rumo que meu plano estará a tomar. Tudo dará certo.

— Bora, raxa? — Chama Karol.

Desvio meus olhos para ela e guardo meu celular.

Na saída do posto estava Felipe em uma moto que não é sua, com a mesma roupa de ontem, sua feição de cansado mostra que ele não dormiu ainda. Seus olhos buscam os meus mas obtive nenhuma reação do mesmo.

— Vai com a gente? — Ele pergunta a Karol que nega — Nem sei como te agradecer, mano. Deu uma moral e tanto.

Ela revira os olhos.

— Me agradeça parando de me chamar de mano ou ele. — Ela ri — eu sou uma menina, Ret.

— Tranquilo, Barbie — Rebate ele, sorriso

— Agora eu vi vantagem.

— Bora. — Ele me encara. Subo na moto com certa dificuldade e o xingando mentalmente. A desgraça poderia ter vindo de carro.

Aos poucos Karol vai ficando para trás quando ele da partida. Não era impressão, as pessoas me olhavam a todo momento, por onde a moto passava alguém nos olhava.

— Me leva pra minha casa, por favor — Peço.

— Vai ficar sozinha lá? Você precisa de cuidados.

— Preciso da minha casa, por favor.

Felipe fica em silêncio. Ele pega um rumo diferente de minha casa e da sua. Estávamos indo em direção a praça, que por sinal estará lotada. De repente os olhares se voltaram para nós, ouço murmurios.

O que está acontecendo?

Por que essas pessoas estão aqui? — Indago a Felipe quando a moto para. — Felipe, eu quero ir embora.

— Olha para cima, Mariana.

Dito isto eu olho para o céu, não vejo absolutamente nada, apenas alguns pássaro, urubus, não sei ao certo. Desvio meus olhos para a cerca mais alta do campo e me arrependo. Minha garganta da um nó. Sinto meu coração lutar com minha caixa torácica para sair fora do meu peito.

Impossível de acreditar que ele tenha sido capaz de fazer esse show de horror. Pior ainda, as pessoas estão observando e tirando fotos como se fosse normal.

Havia uma cabeça pendurada cerca, por mais desfigurada que estivesse eu a reconhecia... Ana.

Sem aviso prévio ele da partida com a moto, se retirando do local.

Há tantas coisas passando em minha mente. Eu gostei do que vi? Não. Sou em prol da vida, mas não nego, também não senti remorso. Simplesmente não tenho palavras para formar se quer uma frase e dizer a Felipe.

CDC - Concluída.Onde histórias criam vida. Descubra agora