Diguinho me deu água com açúcar, pediu para que eu me sentasse e me acalmasse um pouco. Impossível me acalmar sabendo que ele havia mentindo para mim, pensando milhões de besteiras e criando suposições. Eu só ficaria tranquila depois que conversasse com Felipe e tirasse tudo a limpo. Mas de uma coisa tenho certeza, isso não ficará assim.
— Preciso ir. — Digo me levantando.
— Mina, tu só vai sair daqui quando estiver tranquila. — Diguinho impede. — vale a pena se estressar com Ret, não.
— Ele se quer pensa no bebê. Só faz as coisas para estressar ela — Ana pronuncia.
— Se ele não pensa, pense você. É seu filho, menina. Depois quem vai sofrer cuidando de uma criança doente é você. — A senhora diz me fazendo pensar.
Ficar próxima a Felipe só me faz mal. Eu não posso continuar com toda essa palhaçada, parece que não há um dia de paz em minha vida, mesmo durante a gestação. Eu preciso de um tempo para pensar, tal como ele.
— A senhora está certa. Desculpe pelo transtorno. Normalmente eu não sou assim.
Fito o chão, um pouco constrangida.
— Ela é pior — Diguinho brinca — kaô, você é educada pra caralho.
— Bom, eu já vou. Obrigada, e desculpe novamente.
— Qualquer b.o manda mensagem, Ana — Diguinho pede.
Ana me acompanha até em casa, sua intenção era entrar comigo para saber o que iria acontecer mas digo que o melhor é resolvermos isto a sós. — se é que ele está em casa — uma pessoa a mais em nosso diálogo não faria diferença.
Sei que hoje em dia não vale o ditado briga de marido e mulher, ninguém mete a colher. Enquanto houver um homem indo para cima de mulher, todos nós iremos nos meter mas desta vez eu preciso conversar com ele.
Dentro de casa o silêncio reinava. No quarto ouço o chuveiro ligado. Vagarosamente junto minhas roupas — que não são muitas — ponho em cima da cama e vou em busca de bolsas. Encontro algumas, mas acho que são o suficiente. Meu nariz arde enquanto contenho as lágrimas. É coisa demais para minha cabeça.
— Que isso aí? — Ele pergunta saindo do banheiro. — para de graça.
— Estou indo para a kitnet onde está minhas coisas. — Minha voz soa rígida.
— A única coisa que você vai é ter o trabalho de guardar essas porras aí de novo.
Desvio meu olhar para ele. O mesmo se encontra nu, em busca de uma cueca.
— Não quero brigar, só preciso que me ajude a levar minhas roupas para lá.
— Já mandei parar de palhaçada. Você viu a piranhagem que você fez na casa do mano? — Pergunta rude — Isso você não põe na balança, só sabe me julgar
— Quem garante que você não comeu ela?
Ele termina de vestir sua bermuda rapidamente.
— Porra, não sei lidar com isso — Murmura para si mesmo — eu nunca fui casado, nunca dei moral pra mulher como dou pra você. Se liga, porra.
— Estou me ligando, justamente por isso que vou embora. Você merece ficar sozinho.
Pego uma das bolsas mas logo ela vai de encontro ao chão. Tamanha fora a força que Ret segurou meu pulso. Sua paciência se foi.
— Você não vai a merda de lugar nenhum. — Diz pausadamente — aturei você me xingando, me batendo, surtando mas agora tá passando dos limites.
— Você querendo falar de limites? Desculpe, você não pode falar de algo que não sabe o que é. — Literalmente cuspo em seu rosto — me solta, seu merda.
Em segundos sinto minhas costas irem de encontro ao guarda roupas, me causando uma dor terrível nas costas. Ele não fez isso. Não seguro minhas lágrimas mais. Sua atitude me deixou assustada.
— VAI ME BATER, SEU DESGRAÇADO? — Grito assustada. — Eu só quero ir embora, por favor.
Felipe leva suas mãos ao rosto, completamente fora de si. Estava vermelho, respiração descompensada. Ele se aproxima segurando meus pulsos com firmeza, desta vez não dói.
— Desculpa, amor. Por favor, desculpa. — Suplica.
Parece um paranóico.
— Aí... — Gemo pela dor nas costas — não toca em mim. SAI — grito em seu rosto.
— Eu te amo, princesa. — Ele cola nossas testas, uma a outra, frente a frente.
— Felipe, me solta. — Imploro.
— Me desculpa, porra.
Tremo com seu tom de voz. Ele percebe e se afasta bruscamente soltando meu pulso. Levo minha mão ao local e esfrego. Ele vai de encontro a minhas roupas e guarda dentro das bolsas, sem dobrar, sem ter cuidado, apenas joga tudo ali dentro.
Evito o contato visual. Eu estava morrendo de vergonha, de mim mesma. Todos tentaram me alertar que esse homem não vale a pena, e olha só, eu não dei ouvidos. No quarto era possível apenas me ouvir fungando.
— Vou te deixar lá — Sua voz sai baixa. — vai lá pro carro. A chave tá na estante.
Não respondo. Vou de encontro as chaves, pego a da kitnet e a do carro. Entro no automóvel e choro, distribuí socos pelo painel, xinguei e a raiva não passava.
Logo avisto Ret caminhar em direção ao carro. Ele joga as bolsas no banco de trás e entra no carro. Ambos permanecemos em silêncio. Eu não sabia o que ele estava esperando.
— Podemos ir? — Murmuro.
— O carro não vai sair do lugar sem a chave. — Ironiza.
Jogo a chave em seu colo e desvio meu olhar para a janela. Ele se xinga e sai do carro para abrir o portão da garagem. Assim que saímos foi perceptível os olhares de algumas pessoas. Será que ouviram nossa discussão?
Felipe para o carro e desce novamente para fechar o portão. De longe avisto Karol conversando com os meninos de Ret.
Quando chegamos eu praticamente pulei fora do carro. A kitnet é situada em uma vila, no portão havia algumas pessoas sentadas. — esse povo boa tem o que fazer? — Tratei de pegar algumas bolsas para adiantar.
— Você não pode pegar peso. — Felipe diz, saindo do carro.
Chamando mais atenção desnecessária.
— Agora você se preocupa com o bebê?
— Não começa. — Diz pegando as bolsas de minha mão. — abre a porta lá.
Ele passa pelas pessoas sem cumprimentar, sem educação.
— Bom dia — Digo para as pessoas que retribuem mas logo começa os sussurros entre eles.
Fofoqueiros.
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CDC - Concluída.
Teen FictionHomem rude, mente fechada, usuário de cocaína e com a mente dominada por demônios tão confusos quanto o mesmo. Coração na sola do pé - exerto por uma pessoa; sua mãe -, e por isso Felipe irá contratar uma cuidadora de idosos, Mariana Ribeiro. Sem t...
